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Derrota nas urnas divide direita nacionalista suíça

Dois ministros rejeitados pelo seu próprio partido: Samuel Schmid e Eveline Widmer-Schlumpf.

(Keystone)

Após uma série de vitórias eleitorais e de duplicar seu eleitorado entre 1995 e 2007, a União Democrática do Centro (UDC) leva uma surra em referendos e sofre um racha interno.

O partido da direita nacionalista excluiu a seção regional do partido a que pertencia a ministra da Justiça, Eveline Widmer-Schlumpf, e perde o ministro da Defesa e dos Esportes, Samuel Schmid, que abandona a legenda. Os dissidentes planejam criar uma nova sigla.

A derrota nos três referendos federais realizados no último domingo (31/05) consolidou um racha prenunciado desde a eleição dos sete membros do governo suíço em 12 de dezembro de 2007.

O sonoro "não" à direita nacionalista nas urnas ocorreu no dia em que a direção nacional da UDC expulsou de suas fileiras o diretório estadual dos Grisões e sua principal liderança, a ministra da Justiça, Eveline Widmer-Schlumpf.

No ministério, Widmer-Schlumpf sucedeu a iminência parda do partido, Christoph Blocher, depois que este não foi confirmado no cargo pelo Parlamento, após as eleições parlamentares de outubro de 2007.

Pelo fato de ter assumido o cargo com o apoio de outros partidos, a ministra foi acusada de traição pela UDC, sofreu ataques pessoais e recebeu um ultimato para deixar o partido.

Apoiada pelas bases, Widmer-Schlumpf resistiu à expulsão e foi contra a iniciativa xenófoba do partido, que pedia a aprovação dos processos de naturalização através do voto popular. Os eleitores lhe deram razão e transformaram a política de imigração, carro-chefe das campanhas da UDC, numa pedra de tropeço para a ala radical do partido.

Os moderados de Berna



Já o ministro da Defesa e dos Esportes, Samuel Schmid, vinha sendo achincalhado pelo próprio partido desde a sua eleição. Devido às suas posições moderadas, era rotulado de "meio ministro".

Nesta segunda-feira (02/06), ele e outras 40 lideranças da ala liberal da UDC de Berna anunciaram seu rompimento com a legenda, "num gesto de solidariedade com o diretório dos Grisões".

A secção de Berna há anos vinha se distanciando da direção nacional do partido, dominada pela ala mais radical de Zurique. A ruptura era esperada desde que a UDC nacional se negou a reconhecer seus ministros no governo federal – o próprio Schmid e, mais recentemente, Widmer-Schlumpf.

"Nova" UDC

"Schmid é membro do Conselho Federal, mas não representante da UDC", disse o porta-voz do partido, Alain Hauert. Agora, o diretório expulso dos Grisões e o bloco dissidente de Berna pretendem criar um novo partido.

Segundo o cientista político Hans Hirter, essa "nova" UDC teria condições de reunir parlamentares suficientes para criar uma nova bancada, pelo menos no estado de Berna, onde cerca de 10 mil correligionários estariam dispostos a seguir os dissidentes.

"Mas, a longo prazo, uma nova e pequena UDC é menos atraente para fazer carreira política do que a grande UDC. Criar um novo partido nacional seria ambicioso demais. No médio prazo, a nova bancada desaparecerá na insignificância", prevê.

swissinfo com agências

Força eleitoral da UDC

Resultados para o Conselho Nacional em 1995, 1999 e 2003 e 2007:

União Democrática do Centro: 14,9%, 22,5%, 26,7%, 29,0%

Partido Socialista: 21,8%, 22,5%, 23,3%, 19,5%

Partido Radical Democrático: 20,2%, 19,9%, 17,3%, 15,6%

Partido Democrata Cristão: 17,0%, 15,8%, 14,4%, 14,6%

Partido Ecologista Suíço: 5,0%, 5,0%, 7,4%, 9,6%.

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