Navigation

Dinheiro dos terroristas não passa pela Suíça

Suíça não estaria no circuito do dinheiro de Ben Laden swissinfo.ch

A Suíça e os paraísos fiscais são acusados pelos serviços secretos norte-americanos que tentam rastrear os circuitos financeiros utilizados por Ben Laden. Para especialistas da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), trata-se apenas de ilusão.

Este conteúdo foi publicado em 01. outubro 2001 - 11:58

Desde 1996, a sociedade Euro-American Corporate Services Inc. criou cerca de 2.000 empresas. Os registros comportam unicamente o nome da pessoa encarregada de obter matrícula. Em outras palavras, em documento algum figuram os nomes dos verdadeiros chefes ou dos verdadeiros associados.

E mais: As empresas são criadas por pacotes de 10 ou 20 para atender melhor às demandas dos corretores russos". Euro-American Corporate Services Inc. não surgiu nas Ilhas Virgens ou na Libéria, mas no Estado de Delaware, nos Estados Unidos. E foi objeto de um relatório do senador americano Carl Levin, intitulado "Suspicious banking activities - Possible money laudering by US Corporations formed for Russians entities".

Contas em estabelecimentos norte-americanos

Na sede da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OCDE), em Paris, as declarações dos líderes norte-americanos provocam verdadeiro mal-estar entre os especialistas na luta contra lavagem de dinheiro e o rastreio das redes financeiras dos terroristas.

De fato, os Estados Unidos criaram obstáculos à OCDE, em maio, solicitando que arrefecesse seus ardores em relação a países e territórios que não colaboram na prevenção da luta contra a lavagem de dinheiro sujo. Paul O'Nell, secretário norte-americano de Estado, declarava que essa luta "não correspondia às prioridades fiscais e econômicas da administração dos Estados Unidos".

E com razão, segundo o senador democrata norte-americano Car Levin, os bancos dos Estados Unidos ter-se-iam virado um centro de lavagem de dinheiro sujo do planeta. Através de "correspondentes bancários", bancos offshore que abrem contas em estabelecimentos norte-americanos "que lhe dêem respectabilidade", os Estados Unidos acolheriam por ano entre 250 e 500 bilhões de dinheiro sujo, ou seja entre 25 e 50% da "grana" (ou "massa) criminosa que circula na Terra.

"Evidentemente, as autoridades norte-americanas não podem dizer a verdade à opinião pública do país depois dos atentados de 11 de setembro. Procuram desviar a atenção, apontando com o dedo acusador pequenos países que não possuem os mesmos meios para se defender, como a Suíça", constata especialista francês da OCDE, ex-membro dos serviços secretos.

Cédulas escondidos em malas

O sigilo bancário helvético, denunciado pelas autoridades norte-americanas, como pela União Européia, desempenharia finalmente papel secundário na reciclagem de capitais. O Grupo de Ação Financeira sobre Lavagem de Capitais (GAFI, organismo intergovernamental) reconhece que o essencial das transações ilegais é feito em dinheiro vivo e não através de operações financeiras.

A prova: "registrava-se atualmente um aumento da demanda de cédulas exagerada, tendo em conta a tendência geral do público em recorrer a outros meios de pagamento". Em outras palavras, os meios ligados a Ben Laden continuam a utilizar pacotes de dinheiro escondidos em malas para realizar suas ações, sem passar necessáriamente por contas numeradas.

Iam Hamel, de Paris.

Este artigo foi automaticamente importado do nosso antigo site para o novo. Se há problemas com sua visualização, pedimos desculpas pelo inconveniente. Por favor, relate o problema ao seguinte endereço: community-feedback@swissinfo.ch

Em conformidade com os padrões da JTI

Em conformidade com os padrões da JTI

Mostrar mais: Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch

Os comentários do artigo foram desativados. Veja aqui uma visão geral dos debates em curso com os nossos jornalistas. Junte-se a nós!

Se quiser iniciar uma conversa sobre um tema abordado neste artigo ou se quiser comunicar erros factuais, envie-nos um e-mail para portuguese@swissinfo.ch

Partilhar este artigo

Modificar sua senha

Você quer realmente deletar seu perfil?