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Direita é maior força política da Suíça

Zurique em 1992: a direita reúne-se para combater o Espaço Econômico Europeu. Keystone

A União Democrática do Centro (UDC) se transformou na principal força política suíça: a ponto de reivindicar um segundo posto no governo federal.

Este conteúdo foi publicado em 28. novembro 2003 - 14:35

O partido nacionalista de direita está bem representado entre os ruralistas, empresários e mesmo na classe média.

A história da UDC começa no fim da Primeira Guerra Mundial, quando agricultores do cantão de Zurique e de Berna abandonam o Partido Radical (de direita), por achar que este só defende os interesses dos empresários e não os do meio rural.

Rapidamente os agricultores dissidentes recebem a adesão de artesãos e pequenos empresários. Essa força se une em dezembro de 1936 em âmbito nacional sob o nome de “Partido Suíço de Agricultores, Artesãos e Autônomos (PAI)”.

O PAI está representado nos cantões da Argóvia, Basiléia-campo, Berna, Friburgo, Schaffhausen, Tessin, Turgóvia, Vaud e Zurique. O partido tem 24 representantes atuando no Parlamento federal.

Esses dissidentes do Partido Radical acabam conseguindo impor um dos seus representantes no governo federal. Em 1929, Rudolf Minger, agricultor do cantão de Berna, é eleito para um cargo de ministro (ao todo são sete). Ele se responsabiliza pelo Departamento Militar Federal (Ministério da Defesa), um ponso importante numa época onde a Suíça deve se rearmar frente ao perigo nazista.

Tentativa de expansão

Em 1971, o PAI se fusiona com os Democratas dos cantões Grisões e Glarus. Sobretudo representados na Suíça de expressão alemã, os Democratas são um outro braço da grande família liberal suíça. Eles são conhecidos pela ligação forte com o movimento de direitos políticos (plebiscito e iniciativas populares) do século XIX. O novo partido adota então o nome “União Democrática do Centro” (UDC).

Se essa formação tinha, inicialmente, o objetivo de evitar o desaparecimento dos pequenos partidos, a UDC continua centrada na defesa do eleitorado tradicional do PAI - os agricultores, artesãos e pequenos empresários.

Ao mesmo tempo, seu objetivo final é de expandir conquistando também o eleitorado de outros setores sociais como o assalariados.

Essa tentativa de abertura não teve um grande sucesso do ponto de vista de resultados políticos. De 1945 a 1971, o número de eleitos do PAI em nível federal continua estável (entre 24 e 27). De 1971 a 1992, os resultados da UDC são superiores: entre 26 e 29 assentos no Parlamento federal.

A UDC continua o partido mais fraco na coalizão que governa a Suíça. As eleições de 1992 ilustram o equilíbrio de forças: a UDC elege 29 parlamentares, contra 46 para o Partido Socialista, 53 para os democratas-cristãos (direita de centro) e 62 para os radicais.

Máquina de vitórias

A partir de 1992, o vento para a soprar com mais intensidade para a UDC. O partido é o único a se opor à entrada da Suíça no Espaço Econômico Europeu (nota da redação: a Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein são membros da Associação de Livre Comércio (AELE). Em 1992, os países do AELE concluíram o “Acordo sobre o Espaço Econômico Europeu” que dá acesso ao mercado interior dos países da Comunidade Européia. Através de um plebiscito popular em 6 de dezembro de 1992, o povo recusa a participação da Suíça no acordo).

A UDC ganha os contornos de partido político que defende a independência da Suíça, a neutralidade e a limitação do número de estrangeiros na população. A UDC opta também por uma política de direita sem compromissos: luta pela redução dos impostos, limitação dos gastos sociais do governo, etc.

Apesar de nacional, o tom na UDC é dado pela agremiação de Zurique e seu chefe é o deputado federal e empresário Christoph Blocher.

Seu discurso é cada vez mais aceito pelos suíços, sobretudo desde que o país está sendo confrontado com uma crise econômica, com o desemprego, a alta constante dos custos de saúde e o déficit nos caixas do governo.

A UDC aproveita-se da situação, denunciando a falta de reação dos radicais e democratas-cristãos frente à crise. Por isso, esses partidos têm perdido cada vez mais espaço político para a direita.

Os resultados eleitorais da última eleição federal de outubro (ver especial “Eleições 2003”) foram mais do que agradáveis para a UDC. Ela conta agora com 63 deputados e senadores no Parlamento federal, o que corresponde ao dobro da situação em 1992. Até mesmo as filiais recém-inauguradas da UDC como em Neuchâtel e no cantão do Valais tiveram sucesso nas urnas.

Transformando-se no partido mais importante da Suíça, a UDC pode, teoricamente, assumir uma segunda cadeira no governo federal (administrado por sete ministros).

swissinfo, Olivier Pauchard
traduzido por Alexander Thoele

Breves

Os ministros federais da PAI e a UDC:

Rudolf Minger (1929-1940)
Eduard von Steiger (1940-1951)
Markus Feldmann (1951-1958)
Friedrich Traugott Wahlen (1958-1965)
Rudolf Gnägi (1965-1979)
Leon Schlumpf (1979-1987)
Adolf Ogi (1987-2000)
Samuel Schmid (desde 2000)

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