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Drama no túnel do Gotardo fortalece ferrovia

Braço-de-ferro entre partidários da ferrovia e da rodovia swissinfo.ch

Transporte rodoviário fica penalizado e o ferroviário ganha força. Esta é uma das conseqüências da catástrofe, 4a-feira, no túnel do Gotardo, principal eixo Norte-Sul na Europa. O drama deixou 11 mortos e vários desaparecidos.

Este conteúdo foi publicado em 26. outubro 2001 - 12:12

O braço-de-ferro entre partidários da rodovia e da ferrovia intensificou-se na Suíça e outros países europeus com o grave acidente, resultante de um choque frontal entre dois caminhões na manhã do dia 24.

Saturação

Na Europa, o aumento do transporte de mercadorias (principalmente pelas rodovias) através dos Alpes vem saturando os túneis alpinos e criando situações perigosas que já resultaram em desastres graves. Antes da tragédia no Gotardo, o mais sério ocorreu em março de 1999 no túnel do Mont Blanc, entre a França e a Itália, com um "saldo" de 39 vítimas. Ambos foram provocados por caminhões.

É uma situação que revela a dificuldade de garantir a segurança nas travessias alpinas.

Atualmente, nos 15 países da União Européia, p. ex., 44% do transporte de mercadorias é realizado por caminhões, 41% por navegação costeira e apenas 8% pela ferrovia. Sem intervenção estatal, o transporte por rodovia tende a aumentar.

Inverter a tendência

No início do mês, o Comissário Europeu para Transportes, Loyola de Palacio, dizia que uma das prioridades da política de transportes na União Européia era "era eliminar os enfunilamentos que asfixiam a rede trans-européia em várias zonas vitais".

Em setembro, em seu "Livro Branco", a Comissão Européia (executivo da União), propunha elevação das taxas para transporte rodoviário, no sentido de equilibrar as partes que sobram para a rodovia e a cabotagem. Medida que privilegiaria a ferrovia em detrimento do transporte por caminhão.

Modelo suíço

Na quinta-feira, 25/10, a Comissão estimou que a União Européia devia se inspirar das taxas cobradas dos caminhoneiros na Suíça (em função de km percorridos). Essa taxa destina-se justamente a financiar infra-estruturas ferroviárias.

Na ocasião, um debate sobre a reabertura do túnel do Mont-Blanc assumiu nova dimensão com o desastre no Gotardo. Acenou-se mais uma vez para a necessidade de transferir maior número de carga aos trens, em detrimento da rodovia. E foi apontada como "prioridade absoluta" a necessidade de funcionamento de novas ligações ferroviárias européias: França - Itália (Lyon-Turim) e Áustria - Italia (Brenner). Mas a construção desses novos eixos ferroviários ainda vai demorar uns15 anos!

Queda-de-braço

No momento na Suíça e na União européia, as autoridades devem contentar-se com reforço de medidas de segurança para pelo menos reduzir catástrofes da dimensão da ocorrida no túnel do Gotardo. Pode mesmo proibir transporte de materiais perigosos em certas regiões.

Na França, a Associação dos Utilizadores de Transporte de Frete (AUFT) denunciou o que considera o risco de rejeição do transporte rodoviário, estimando que a Comissão Européia devia parar de penalizar a rodovia.

Na Suíça, políticos de direita e o lobby dos caminhoneiros estimam urgente construir uma "segunda galeria" (túnel) no Gotardo. Enquanto isso, há quem apele a contingenciamento dos caminhões nas estradas.

Diante da pressão atual, dificilmente o governo suíço pode cruzar os braços. Como ferrenho defensor da "ferroutage" (transporte dos caminhões por trens, na travessia dos Alpes) o ministro dos transportes, Moritz Leuenberger, espera muito também dos dois túneis ferroviários construídos atualmente: um de 57 km no Gotardo e outro de 35 km no Loetschberg. Mas eles só devem ficar prontos em 2012.

swissinfo com agências.

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