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Duras críticas à destruição de documentos

Um programa nuclear líbio sob controle.

(Keystone)

O Parlamento e a mídia fazem duras críticas ao governo suíço por ter destruído documentos sobre suposto tráfico de material nuclear. Berna explicou que os documentos representavam risco para a Suíça e a comunidade internacional.

Segundo informações divulgadas na imprensa suíça, a Central de Inteligência Americana (CIA) teria contratado há nove anos o engenheiro suíço Friedrich Tinner e seus dois filhos para desmantelar os programas atômicos da Líbia, do Irã e a rede clandestina do cientista nuclear paquistanês Abdul Qadir Khan.

O caso tornou-se público pela primeira vez em fevereiro de 2004, quando Khan, o "pai da bomba nuclear paquistanesa", revelou que havia fornecido tecnologia nuclear ao Irã, à Coréia do Norte e à Líbia, que na mesma época suspendeu seu programa nuclear.

Na ocasião, Friedrich Tinner e seu filho Urs, bem como Gotthard Lerch, alemão residente na Suíça, foram acusados de envolvimento com a transferência da tecnologia nuclear paquistanesa à Líbia. No final de 2004, os três e também Marco Tinner foram presos.

Em janeiro de 2006, Friedrich Tinner foi libertado da prisão preventiva; Urs foi solto no final de 2008 e Marco foi libertado nesta sexta-feira (23/1). Lerch foi condenado a cinco anos de prisão, no final do ano passado, em Stuttgart, na Alemanha.

Destruição de documentos

A "bomba" explodiu mesmo em 23 de maio de 2008, quando o então presidente suíço Pascal Couchepin confirmou, pela primeira vez, que o governo helvético decidira secretamente em 14 de novembro de 2007 destruir mais de 30 mil documentos e arquivos eletrônicos confiscados da família Tinner.

A destruição, que ocorreu num momento em que o Ministério Público investigava as atividades da família Tinner, teria sido feita pela polícia federal sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA).

Couchepin explicou na ocasião que esses documentos representavam um grande risco para a Suíça e para a comunidade internacional. Segundo ele, o governo suíço quis impedir de todas as maneiras que essas informações caíssem nas mãos de uma organização terrorista ou de um Estado sem "autorização" para tanto.

A imprensa suíça e internacional comentou no dia seguinte que se tratou de um favor suíço para a CIA. Cinco dias depois, a Comissão Parlamentar de Controle dos atos do governo reclamou que só foi informada da destruição em 8 de fevereiro de 2008 e abriu investigação para apurar abuso de poder.

O relatório da Comissão Parlamentar, divulgado nesta quinta-feira (22/3), chega à conclusão de que a "destruição dos documentos do caso Tinner foi desproporcional e ocorreu sob pressão do governo dos EUA". Também ontem, o Tribunal Penal Federal deu luz verde para soltar Marco Tinner, mediante o pagamento de uma fiança de 100 mil francos.

Reação da mídia

Diante dessas conclusões, a mídia suíça fez duras críticas ao governo helvético. Segundo o Basler Zeitung, de Basileia, "o Conselho Federal (Executivo) deixou-se instrumentalizar pelo governo dos EUA. Ele desrespeitou a soberania do país e, através da sabotagem proposital de um processo judicial, prejudicou a imagem da Suíça como estado de direito".

Segundo o diário Tagesanzeiger, de Zurique, o relatório parlamentar não deixa claro "se os Tinner eram inescrupulosos traficantes de material nuclear ou se eles, como informantes da CIA, serviram à paz mundial. Isso poderia ser esclarecido pela Justiça, mas, com a destruição dos documentos, o Executivo sabotou o processo judicial. Com isso, o Conselho Federal desrespeitou a independência dos poderes e driblou o controle parlamentar."

"A ironia da destruição dos documentos, porém, é que há cópias dos documentos destruídos guardadas no exterior. Os serviços secretos norte-americanos e a Agência Internacional de Energia Atômica dificilmente destruirão o material. Ou pelo menos não tão rapidamente", conclui o renomado jornal NZZ, de Zurique.

swissinfo com agências

Caro Tinner

Friedrich, Urs e Marco Tinner foram acusados de ter cooperado de 2001 a 2003 com Abdul Qader Khan, "pai da bomba atômica paquistanesa", que desenvolvia um programa nuclear secreto para a Líbia.

Segundo o jornal New York Times, durante quatro anos, a CIA pagou US$ 10 milhões aos suíços, para que eles fornecessem informações utilizadas por Washington, a fim de arruinar a rede de fornecimento de tecnologia de Abdul Qadir Khan e o programa nuclear do Irã e Líbia.

Durante as investigações, o advogado dos Tinners admitiu que eles receberam 1 milhão de dólares da CIA.

O governo suíço explicou que no caso da destruição dos documentos agiu soberanamente e que a destruição foi feita para que as informações não caíssem nas mãos de terroristas.

Agora vários partidos suíços pedem "mudanças institucionais" no país para que uma casso desses não volte a se repetir.

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