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E a festa começa!

Frio não tira a alegria das crianças durante o Fasnacht.

(swissinfo.ch)

O frio ou a neve não impede a alegria dos foliões da Basiléia. Na abertura do carnaval, centenas deles ocupavam as ruas carregando lanternas coloridas.

Até quinta, habitantes e turistas do mundo inteiro irão assistir desfiles de carros alegóricos e grupos carnavalescos. Uma tradição que vem da Idade Média.

Os termômetros mostram a temperatura abaixo do zero grau. Porém, nessa madrugada de segunda-feira, as ruas da parte antiga da Basiléia estão repletas de foliões. Pontualmente às quatro horas da manhã a iluminação pública é desligada. Nesse momento, os líderes dos grupos carnavalescos gritam: - “Morgenstraich, adiante marche!”.

Os tambores começam a soar, acompanhados pelo som das pequenas flautas. Quase todos os participantes carregam nas mãos lanternas. As ruas se transformam numa gigantesca procissão iluminada.

Assim começa tradicionalmente o carnaval na Basiléia, ou como dizem seus habitantes, “os três dias mais bonitos do ano”. O Morgenstraich é a festa oficial de abertura. Durante setenta e duas horas a folia irá dominar as ruas da cidade, só encerrando na madrugada da quinta-feira.

Tradição com regras

Quem acredita que o Fasnacht da Basiléia é parecido com as festas que ocorrem na vizinha Alemanha, como o carnaval de Colônia, engana-se. Na versão suíça existe uma estrita separação entre os participantes e o público: os primeiros são ativos e os segundos quase só assistem.

Os 12 mil foliões que participam geralmente todos os anos dos desfiles pertencem às chamadas “cliques”, palavra de origem francesa para designar os diferentes clubes ou associações de carnaval da Basiléia. Eles sempre estão fantasiados, pois não se deixar reconhecer é o espírito da farra na Basiléia.

Se no Morgenstraich ainda reina o vale-tudo, no resto do carnaval cada clique adota sua própria fantasia. Elas corresponde sempre aos temas escolhidos pelos diferentes grupos, que podem ser diversos na abordagem de assuntos da política, do dia-a-dia e até de personagens de histórias em quadrinhos como o Pato Donald. O que importa é o humor.

Em 2005, os principais temas de deboche no carnaval são dois. O primeiro é o problema da cidade com os bondes que, apesar de terem custado os olhos da cara, não funcionam perfeitamente. O segundo é a passarela da estação de trem: ela foi reformada pelo governo municipal por alguns milhões de francos, mas não resiste às chuvas, já apresentando diversos pontos de vazamento.

Personagens eternos

Apesar da variação constante dos temas, o carnaval da Basiléia também tem suas figuras permanentes. Elas estão integradas em todas as cliques e são reconhecidas pelas fantasias.

Os mais tradicionais são os "Waggis", com seus longos narizes e peruca. Eles adoram estripulias e costumam ficar nos carros alegóricos jogando balas e laranjas no público. Outros personagens conhecidos são a Alti Tante (velha tia), o Arlequim e o Bajass (figuras tiradas do teatro popular italiano), o Pierrot (saído do carnaval de Nizza), o Blätzlibajass, Dummpeter e o Altfrangg.

Os cortejos de músicos, carros alegóricos e fantasiados atravessa diversas ruas da cidade, sem um roteiro pré-definido, se cruzando num caminho ou outro. O público assiste comportado. Somente as crianças correm para os carros e esperam ser premiadas com guloseimas ou frutos.

Quem paga pela festa?

Grupos esparsos ou foliões solitários também caminham pela cidade espalhando o terror: quando eles encontram um pedestre incauto, chuvas de confetes caem sobre suas cabeças. O papel picado também é uma das marcas registradas na Basiléia.

Nos bares e restaurantes da cidade a festa continua durante os três dias do carnaval. Além de se animar com muito vinho e cerveja, os grupos também cultuam a tradição do “Schnitzelbänke”, discursos irônicos sobre acontecimentos atuais.

O carnaval da Basiléia é financiado pelos chamados Comitê do Fasnacht. O dinheiro vem da venda de plaquetas, que são fabricadas especialmente para o evento. Durante os três dias de carnaval, elas são vendidas em quatro diferentes valores, indo de sete a cem francos. Apesar de não ser obrigatório a sua compra, os habitantes da cidade consideram de bom tom mostrar as pequenas peças de metal na lapela.

Origem na Idade Média

Apesar do Fasnacht ter sua origem oficial no período de jejum que antecede a Páscoa e começa na quarta-feira de cinzas, muitos pesquisadores lembram que a festa tem raízes em tradições pagãs, quando os habitantes do continente costumavam manifestar dessa forma a expulsão do inverno ou fertilidade da terra. A tradição voltou posteriormente com o Cristianismo.

Na Basiléia os registros mostram que já no século XIV se festejava o carnaval. Com a Reforma Protestante em 1529, a festividade foi proibida durante muitos anos. As comemorações só ocorriam nos ambientes fechados das associações de artesãos.

Somente a partir de 1830 o carnaval de rua começou a se formar. Em 1845 começou a tradição do desfile de lanternas na madrugada de segunda-feira. Em 1870 foram criadas as primeiras cliques. As flautas piccolos e os tambores são tradições tiradas das tropas francesas.

O carnaval da Basiléia como é comemorado hoje em dia vem dos anos 20 e 30 do século passado, quando então foram incluídos novos elementos como carros alegóricos, instrumentos de sopros diversos e o “samba” suíço, a chamada “Guggenmusik”, um ritmo compassado feito em instrumentos de percusão que poderia assustar a um brasileiro acostumado a outros sons no carnaval.

swissinfo, Alexander Thoele

Breves

O carnaval da Basiléia - Fasnacht - dura 72 horas. A festa começa às 4 horas da manhã da segunda-feira e vai até 4 da manhã da quinta.

Os de 12 mil foliões participam ativamente do carnaval e pertencem aos grupos mais conhecidos como "cliques".

Personagens tradicionais do carnaval da Basiléia: "Waggis", "Alti Tante", "Arlequim", "Bajass", "Pierrot", "Blätzlibajass", "Dummpeter" e o "Altfrangg".

A festa é financiada através da venda de plaquetas em quatro versões, cujos preços podem variar entre sete e cem francos suíços.

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