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E-mail não substitui cartas de amor

Será que a entrega pessoal de cartas já é uma cena do passado?

(Keystone)

Escrever cartas é coisa do passado. Cada vez mais suíços preferem se comunicar por e-mail ou outros meios eletrônicos. Porém não sao poucos que continuam valorizando a correspondência em papel, considerada mais "bonita e sincera".

Agora os Correios Suíços reagem às novas tendências: cartas permanecem importantes para o negócio, mas outros serviços precisam ser criados.

A tradicional carta sofre a pressão cada vez mais intensa da tecnologia. Seja no lar ou nas empresas, os suíços levam cada vez menos envelopes ao correio. Eles preferem escrever mensagens eletronicamente e enviá-las por meios mais cômodos como a Internet (e-mail) ou SMS (telefonia celular).

Até 2000 a tendência era de aumento do número de correspondência transportada pelos Correios Suíços. Porém a quantidade atual voltou ao nível de 1997. Os números foram publicados nessa semana pela direção da empresa em Berna.

Para descobrir quais são as novas tendências, os Correios Suíços encomendaram um estudo. Seu principal objetivo é avaliar os hábitos de comunicação da população suíça. A pesquisa foi realizada pela empresa IHA-GfK com 700 entrevistados e 300 empresas. O primeiro resultado é que realmente os meios eletrônicos irão substituir o papel como forma de comunicação, sobretudo no meio empresarial. Um exemplo: a metade dos entrevistados acha que irá receber menos cartas nos próximos cinco anos.

Também para o setor de cartas e embalagens privadas os Correios Suíços esperam estagnação do mercado. A metade dos entrevistados também declarou que não espera receber ou enviar mais cartas do que atualmente.

Cartas são mais pessoais

A maior vantagem das cartas continua sendo, porém, seu caráter pessoal. O único ponto negativo, na opinião da maioria dos entrevistados, é o custo. A comunicação através de e-mail oferece rapidez, mas peca por falta de segurança ou mesmo por ser ignorado pelo destinatário. A comparação dos problemas e vantagens entre os dois meios, através da pesquisa, mostra que não necessariamente a carta será substituída pelos meios eletrônicos.

Três quartos das pessoas entrevistadas na Suíça declaram ter um endereço eletrônico. Destas pessoas, três quartos declaram que receber uma carta é mais pessoal e bonito do que um e-mail. A maior parte delas também considera as mensagens eletrônicas mais superficiais. Apenas 1% iria convidar os amigos e parentes para um casamento através de e-mail. Também declarações de amor seriam enviadas apenas por 2% dos entrevistados. No caso de extratos bancários e folhas de pagamento, respectivamente 9% e 16% dos entrevistados dão preferência aos meios eletrônicos.

18 e-mails por semana

Quem possui um endereço eletrônico afirma receber 18 mensagens por semana. Apenas 10% dos entrevistados consideram excessivo o número de e-mails recebidos e cansativo o seu controle. Estas pessoas vivem, em grande parte, nas regiões rurais da Suíça, no Tessin e na parte francesa do país, além de serem do sexo feminino e ter mais de 50 anos.

O típico autor de e-mails tem, segundo a pesquisa, menos do que trinta anos e trabalha em tempo integral. A típica autora de cartas é feminina, tem 50 anos de idade ou mais e trabalha apenas em tempo parcial.

Mais de 5 bilhões de cartas

Segundo os Correios Suíços, em 2006 continuou a tendência de redução no número de correspondência. No total foram transportadas 5,1 bilhões de cartas e pacotes, uma redução de 2% em relação a 2005. A maior diminuição ocorreu para as cartas registradas (chamadas na Suíça de A-Post), cujo preço é maior do que os outros produtos.

A abertura do mercado para correspondência com mais de 100 gramas em 1. de abril de 2006 não provocou mudança substancial nos resultados da empresa.

Estratégias futuras

Os Correios Suíços não querem viver o desaparecimento da carta tradicional de forma passiva. Na coletiva de imprensa realizada em Berna, sua direção declarou que pretendem investir mais na tecnologia como forma de melhorar os serviços na empresa e desenvolver novas ofertas de produtos.

Um dos pontos centrais da nova estratégia são as empresas, responsáveis por 85% do faturamento dos Correios Suíços. Para eles a empresa quer expandir serviços como triagem interna da correspondência, acompanhamento e pagamento eletrônico e envio imediato. Outras formas de serviço seriam arquivamento e pagamento automático.

Para a tradicional carta, os Correios Suíços planejam oferecer novos produtos como "A-Post-Plus", no qual cartas registradas poderão ser acompanhadas em tempo real pelos clientes que as enviaram. O recebimento poderá ocorrer no local onde o destinatário se encontrar no momento.

swissinfo com agências

Resultados de 2006

Faturamento: 7,8 bilhões de francos (aumento de 15% em relação a 2005)
Lucro (Ebit): 823 milhões de francos (805 milhões em 2005)
Lucro líquido: 837 milhões de francos (811 milhões em 2005)
Número de funcionários: 42.178 (41.073 em 2005)
Em 2006, os Correios Suíços transportaram 2,76 bilhões de cartas e pacotes (2,81 bilhões em 2005)

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Correios Suíços

A história dos atuais Correios Suíços começa em 1995 com a divisão da estatal PTT em Post (Correios) e PTT Telekom (telecomunicações, que atualmente se chama Swisscom). A reforma foi aplicada em 1998.

18 de janeiro de 2001: os Correios Suíços anunciam que pretendem diminuir até 2005 o número de postos e filiais para 2500 (de 3390). Parlamento e população protestam contra a medida. O objetivo desta é de reduzir em 100 milhões as despesas da companhia.

27 de maio de 2003: reestruturação dos Correios Suíços através da implementação de duas centrais e seis sub-centrais de distribuição de correspondência. A reforma provoca o corte de 2.390 empregos.

3 de maio de 2006: governo federal apresenta uma reforma geral da Lei de Correios para promover mais abertura e concorrência no mercado.

15 de dezembro de 2006: Correios Suíços e sindicatos entram em acordo para executar o plano "Ymago", de reduzir o número de pessoal (500 postos) sem cortes diretos de emprego.

Através do plano, a empresa pretende melhorar os serviços e a rentabilidade da rede de distribuição.

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