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Chocolates Produtora suíça Lindt abre primeiras lojas no Brasil

Uma das duas primeiras lojas da Lindt no Brasil, em São Paulo.

Uma das duas primeiras lojas da Lindt no Brasil, em São Paulo.

(www.viniciusstasolla.com.br)

Atenta à expansão de um mercado que cresceu 20% ao ano nos últimos cinco anos, a produtora de chocolates Lindt, prestigiada marca suíça, acaba de se instalar de forma permanente no Brasil.

Antes encontrados somente em free-shops ou na seção de importados de alguns poucos supermercados, os produtos Lindt, desde agosto, já podem ser comprados diretamente em duas lojas próprias da marca, inauguradas na maior cidade do país: São Paulo. A primeira campanha de publicidade dos chocolates Lindt no país acontecerá para o Natal, e o objetivo dos suíços é consolidar espaço próprio em um mercado que em 2014 faturou mais de R$ 4 bilhões.

A entrada da Lindt no mercado brasileiro se deu através da criação da L&S Holding, joint-venture formada pela empresa suíça e pelo grupo brasileiro CRM, dono das conhecidas marcas Kopenhagen, de chocolates finos, e Chocolates Brasil Cacau, de produtos a preços mais acessíveis. Dona de 51% das ações na nova holding, a Lindt ainda não divulgou os planos de expansão de sua rede de lojas no Brasil, mas a ideia é tornar a marca bem conhecida do público brasileiro e, em pouco tempo, aumentar o faturamento da divisão global de varejo que, no ano passado, foi responsável por 9% do faturamento total da empresa.

Público jovem e urbano

Representante do Grupo CRM nas negociações para a formação da holding travadas diretamente com o diretor executivo da Lindt, Ernst Tanner, na Suíça, a vice-presidente de Marketing Renata Moraes Vichi afirma que todos os chocolates da marca suíça vendidos no Brasil serão importados da Europa. O público brasileiro, diz, já tem à sua disposição vários produtos exclusivos: “Há uma seleção de produtos que incluem trufas e outras delícias embaladas individualmente, com as quais os consumidores podem montar seu próprio mix, e também uma linha de tabletes com sabores diferenciados e embalagem moderna voltada ao público jovem e urbano”.

Em acordo com a Lindt, a direção do Grupo CRM prefere por enquanto não divulgar as metas de expansão da marca suíça no Brasil. Entretanto, o crescente gosto do consumidor brasileiro por chocolates finos, impulsionado pela ascensão de 30 milhões de pessoas à classe média na última década, faz com que essa expansão seja questão de tempo, sobretudo em relação a outras importantes praças como Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte: “Vivemos uma mudança de hábitos no Brasil e, no que diz respeito ao consumo de chocolates, surfamos em uma onda muito favorável nos último cinco anos”, diz Renata.

COO da Lindt & Sprüngli Brasil, Patrick Diggelmann, por intermédio de nota divulgada em Zurique, classifica como “um passo importante” a abertura de lojas próprias da marca Lindt no país: “A criação da joint-venture com o Grupo CRM para a abertura de lojas deve ser entendida como uma indicação clara do compromisso de longo prazo da Lindt no Brasil, país que tem o quinto maior mercado de chocolates do mundo e importante potencial de crescimento”, diz. A empresa suíça diz esperar um crescimento entre 6% e 8% em suas vendas anuais com a chegada ao mercado brasileiro.

Modernidade

Mais do que vender chocolates, informa o Grupo CRM, as lojas da Lindt pretendem se tornar uma referência de atendimento no Brasil e consolidar hábitos aos quais o consumidor brasileiro não está acostumado, como o auto-atendimento e a criação de mix com produtos variados. Para atrair a atenção do público, o layout das duas lojas abertas em São Paulo – uma no Shopping Higienópolis e outra no Morumbi Shopping – é moderno, com fachada de espelhos na cor marrom, em referência ao chocolate, e estantes de vidro e madeira para exposição de 150 produtos de diversos tipos.

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Coexistência

Para o Grupo CRM, que projeta um faturamento de R$ 1 bilhão em 2014, a aliança com a Lindt agrega valor às suas próprias marcas, graças à associação com uma marca mundialmente prestigiada, além de garantir presença em todos os nichos do mercado de chocolates. Fundada há 85 anos e adquirida pelo Grupo CRM em 1996, a tradicional marca Kopenhagen tem público cativo entre os apreciadores de chocolates e doces finos. Com a expansão do mercado consumidor, o grupo decidiu investir em produtos mais populares e criou há quatro anos a marca Chocolates Brasil Cacau, que já tem 450 lojas em todo o país. Agora, a associação com a Lindt faz o grupo brasileiro atingir também o segmento de consumidores de chocolates premium.

Apesar das expectativas positivas, a conquista dos consumidores brasileiros de chocolates extrafinos certamente não se dará sem alguma disputa. A também prestigiada rede italiana Ferrero Rocher, por exemplo, anunciou este ano investimentos de R$ 200 milhões para expandir sua produção de bombons no Brasil. Entre os grupos nacionais, a Cacau Show, que tem 1,5 mil lojas espalhadas pelo Brasil e faturou R$ 2,4 bilhões no ano passado, adquiriu a rede de lojas de chocolates finos Brigaderia e, com um plano de expansão para 200 pontos de venda da marca até 2020, também se coloca como potencial concorrente da Lindt.

Já a Nestlé, marca suíça mais famosa no Brasil quando o assunto é chocolate, investe no mercado de chocolates finos com o lançamento de produtos como, por exemplo, os da marca Gold. Na última Páscoa, fez sucesso o Ovo Gold, que teve produção limitada e numerada e, segundo a empresa, foi fabricado com “chocolate ao leite 100% suíço”. Segundo informação dada por sua gerência de Marketing, a Nestlé espera este ano um crescimento de 5% em seu total de vendas no Brasil.

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