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Crescimento do setor público encobre crise de empregos na Suíça

O setor da gastronomia foi o mais atingido pela pandemia em termos de perda de empregos. Keystone / Gian Ehrenzeller

As estatísticas de emprego mostram que a criação de empregos no setor público está ajudando a evitar um grande colapso no mercado de trabalho suíço. 

Este conteúdo foi publicado em 16. dezembro 2020 - 07:00
swissinfo.ch/fh

Uma análise das estatísticas de emprego feita pelo jornal SonntagsBlick coloca o setor da gastronomia no topo dos maiores perdedores em empregos. No final do terceiro trimestre de 2020, os bares, cafés e restaurantes suíços empregavam 168.200 pessoas, cerca de 23.000 a menos do que no ano anterior. O setor hoteleiro também é um dos grandes perdedores, com 6.200 empregos perdidos em um ano. 

Em compensação, o setor da saúde e serviços sociais emprega atualmente 764.300 pessoas, 17.400 a mais do que no ano anterior. É o setor mais importante em termos de crescimento de pessoal. A administração pública ocupa o segundo lugar, com um aumento de 7.500 funcionários. O setor da educação e formação teve o terceiro maior crescimento com um adicional de 7.300 empregos.

Sustentabilidade

De acordo com o SonntagsBlick, essa evolução não é nova. Mesmo em anos anteriores, foi criado um número de empregos acima da média nestas áreas do setor público, que são financiadas principalmente pelos contribuintes e mensalidades do seguro saúde. Esta tendência aparentemente de longo prazo continua, apesar da pandemia.

Quando questionada sobre a sustentabilidade desses empregos do setor público, a Secretaria de Estado para Assuntos Econômicos (SECO) atribuiu o crescimento ao desenvolvimento da sociedade do conhecimento, a um envelhecimento demográfico e ao aumento dos níveis de prosperidade. Outro fator é que os setores de educação e saúde são muito intensivos em pessoal e o potencial de automação é bem menor do que em outros setores, como a indústria. Entretanto, a SECO admitiu que o crescimento econômico sustentável não pode ser baseado apenas em serviços relacionados ao Estado.

Em geral, a situação do trabalho ainda é melhor do que no auge da pandemia. Em comparação com o pico em abril, quando mais de 1,3 milhões de pessoas trabalhavam em horário reduzido, o número caiu para 204.200 em setembro. Entretanto, a SECO anunciou que a segunda onda estava fazendo com que a demanda por trabalho com horário reduzido aumentasse novamente - e isso foi antes do Conselho Federal anunciar novas medidas de restrição do horário de abertura de lojas e restaurantes na sexta-feira passada. 

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