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Escolas de negócios europeias Um celeiro de líderes que revisa prioridades



A Universidade de San-Gallen figura entre as dez melhores escolas de negócios europeias, segundo o Financial Times.

A Universidade de San-Gallen figura entre as dez melhores escolas de negócios europeias, segundo o Financial Times.

(Keystone)

Por suas classes passaram fundadores, presidentes e diretores de grandes empresas. A crise econômica as obrigou a revisar seus cursos. Hoje, algumas das escolas mais emblemáticas relatam à swisssinfo.ch suas transformações, erros e acertos.

No final de 2013, o jornal Financial Times (FT) publicou seu índice anual com as 75 melhores escolas de economia da Europa. No Top 10 estão três escolas espanholas, duas francesas e duas suíças: a Universidade de San-Gallen (7ª) e o IMD de Lausanne (9°).

As melhores na Europa

Sete das dez melhores estão na Espanha, França e Suíça, segundo o  Financial Times.   

1º HEC Paris (França)

1º IE Business School (Espanha)

3º London Business School (Grã-Bretanha)

3º ESADE Business School (Espanha)

5º INSEAD (França)

6º Iese Business School (Espanha)

Universidade de San-Gallen (Suíça)

8º SDA Bocconi (Itália)

9º IMD (Suíça)

10º Rotterdam School of Management (Holanda)

 

Fonte: Índice das Melhores Escolas de Negócios Europeias 2013

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Esses estabelecimentos formam seus alunos em management, disciplina que tem dezenas de acepções, mas que poderiam ser resumidas como a obtenção do melhor resultado como o menor esforço para garantir a prosperidade do empregador, do empregado e a satisfação do cliente.

Durante décadas, essas escolas estiveram rodeadas de uma aura de prestígio, até que a crise lhes impôs uma cura de humildade.  

Ser a melhor

A IE Business School de Madri e a HEC de Paris dividem o primeiro lugar no índice do FT, que analisa critérios como qualidade e inovação dos programas e o salário dos formandos.

Santiago Iñiguez de Onzoño, diretor da IE Business School, afirma que não se pode ignorar o peso que tem esses índices na decisão dos alunos de optar por um ou outra escola. Porém relativiza sua importância, considerando-os como parte de uma série de critérios de seleção.

“Esse tipo de índices são como uma corrida ciclíistica. São a ponderação de múltiplos rankings aplicados ao longo do ano e, como a Volta da França, ganha quem teve o melhor desempenho geral, não o que ganhou o troféu numa etapa de montanha.”

Mudanças profundas

As principais escolas de economia internacionais estão nos Estados Unidos e na Europa.  Elas têm linhas gerais similares, mas suas origens e enfoques são distintos. Enquanto os Estados Unidos fundaram seus primeiros estabelecimentos no começo do século 20, a Europa começou somente cinco décadas mais tarde – com exceção da França e sua escolas de comércio – que inicialmente se concentravam em administração e contabilidade.

Bernard Ramanantsoa, diretor-geral da HEC Paris (1° lugar), lembra que as primeiras classes eram pequenas, somente de rapazes franceses, e tinha matérias hoje inimagináveis como caligrafia. Atualmente, grande parte dos alunos são estrangeiros.

“A escola, seus alunos e a pedagogia evoluíram ao ritmo da sociedade e da economia, mas certos elementos que constituem o ADN da HEC estão aqui desde o início: a excelência (exames de admissão para selecionar os melhores alunos); abertura ao mundo (mesmo se em 1881 a razão não era a globalização), e solidariedade (através de uma rede de ex-alunos)”, explica.

O INSEAD (5° lugar), fundado em 1957 na cidade de Fontainebeau (França), também viveu uma profunda transformação, especialmente nos últimos 20 anos, inaugurando campus em Cingapura e Abu Dabi em reposta ao enfoque global da economia. 

Seu vice-diretor, Peter Zemsky, afirma que melhorar constantemente a qualidade dos programas para garantir uma conexão constante com o mundo real é prioritário como também é o compromisso social

“Como escola mundial de negócios, o INSEAD tem a oportunidade única de adotar um enfoque global e inspirador na educação em managemet. Devemos permanecer atentos aos princípios fundadores da escola, um enfoque de liderança e gestão empresarial e o desejo de fazer uma diferença no mundo.”

Capitalismo versus economía social

As prioridades são distintas de cada lado do Atlântico. “As diferenças no comportamento econômico têm suas raízes nas profundas diferenças culturais que existem entre a Europa e os Estados Unidos. Lá existe uma liberalidade e a ideia da autorregulação do mercado; quando menos intervenção do Estado melhor”, diz Ulrike Landfester, vice-presidenta de de Internacionalização e Relações Regionais da Universidade de San-Gallen, com 7.300 estudantes de mais de 80 nacionalidades.

A Suíça está bem posicionada

As escolas de negócios suíças estão no Top 10 do Financial Times. Um dos principais pontos fortes da Universidade de San-Gallen (7ª), segundo  Ulrike Landfester, é ter um enfoque interdisciplinar (negócios, economia, direito e relações internacionais). Além disso, tem financiamento do setor público (cantão de San-Gallen)  e de 41 instituições privadas que garantem aos formandos o acesso ao mercado de trabalho. É uma situação pouco comum entre as principais escolas europeias, que só pertencem a instituições privadas.

O IMD de Lausanne (9°) considera que o que lhe diferencia das outras escolas é ser enfocado a 100% no mundo real e desenvolvimento executivo, oferecer a excelência suíça, porém com uma perspectiva global e ser flexível às mudanças.

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Na Europa, em contrapartida, “a ideia da economia social de mercado, em que o Estado tem um papel importante como provedor e facilitador da justiça social, ainda está muito viva na Suíça, como também na Alemanha e na França”, acrescenta.

São visões que se mantém com o passar dos anos, “pois as filosofias não mudam por decreto, estão enraizadas na sociedade, têm a ver com seus valores e suas experiências de êxito”, sublinha Iñiguez de Onzoño.

O outro lado da crise

Os diplomados das escolas de negócios são frequentemente criticados pelos altos salários que recebem e pelos erros de cálculo durante a recente crise econômica.

“A crise foi uma cura de humildade. As escolas aprenderam a ver o risco de outra maneira”, diz Santiago Iñiguez de Onzoño. “A evolução que vive hoje a ciência do management nos permitirá construir empresas mais rentáveis, mas também com sistemas institucionais que tenham mais valor”, acrescenta.

 O diretor da IE Business School também aborda o controvertido assunto das remunerações, que em alguns casos somam vários milhões de francos por ano.

“Os diplomados sempre são acusados de ganhar muito dinheiro, especialmente nas multinacionais. Porém, as novas gerações têm um outro perfil. São mais comprometidos com a transformação de seu entorno e muitos trabalham em Ongs ou se mobilizam por causas sociais. São cidadãos cosmopolitas, mas não se creem os mestres do mundo. Eu não conheci nem anjos nem demônios.”

Posições de destaque

Alguns diplomados das principais escolas europeias são:  

Pierin Vincenz (CEO Raiffeisen)

Monika Ribar (CEO Transalpina)

Franziska Tschudi (CEO Wicor AG)

Pascal Gentinetta (director economiesuisse)

Joos Sutter (CEO de Coop Suíça)

Jean-Paul Agon, (CEO L’Oréal

Betrand Badré, director-geral financiero do Banco Mundial

Henri de Castries, CEO de AXA

Philippe Foriel-Destezet, fundador e presidente honorário da Adecco

Pierre Kosciusko-Morizet, fundador e CEO de PriceMinister

René Proglio, presidente de Morgan Stanle França

Jean-Dominique Senard, CEO de Michelin

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Uma nova deontología

A sustentabilidade e a responsabilidade tornaram-se pilares do ensino e pesquisa na Universidade de San.Gallen, afirma Ulrike Landfester. São tópicos que ganham terreno nas escolas de negócios.

“Os estudantes aprendem como funcionam os negócios sustentáveis. O programa de estudos aborda temas como o gênero e a gestão da diversidade, os sistemas energéticos, a ética empresarial , o compromisso social e a prática dos negócios sustentáveis.”, precisa.

Peter Zemsky afirma que o INSEAD trabalha em criar uma maior consciência social entre seus futuros líderes através das aulas, mas também em instâncias como Centro de Inovação Social que promove iniciativas de sustentabilidade social, ambiental, econômica, ética em negócios e iniciativas de caráter lucrativo. “Estamos examinando juntos o rol de negócios na sociedade”, resume.

 A HEC Paris dá ênfase aos negócios sociais e em temas como a relação entre empresas e pobreza. “O fato de ter alunos da Rússia, China ou México cria naturalmente uma maior tolerância e abertura de espírito”, explica Ramanantsoa.

Iñiguez de Onzoño, por sua vez, lembra que “o mundo acadêmico, diferentemente de ciências muito mais antigas como a medicina ou a Arquitetura, as escolas de negócios são provavelmente as mais modernas, juntamente com as de telecomunicações, por isso o management deve continuar evoluindo, adaptar-se ao  seu entorno, dar respostas e sobretudo formular regras claras e precisas como as que como existem em outras disciplinas.”


Adaptação: Claudinê Gonçalves, swissinfo.ch


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