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Haja apetite Empresário explica fusão entre Heinz e Kraft Foods

Os brasileiros da empresa de investimentos global 3G Capital deram mais um passo significativo e anunciaram recentemente a compra da Kraft Foods pela Heinz. Entenda o que isso significa e como se encaixa na estratégia de negócios dos investidores. 



Eugenio Foganholo: "A 3G Capital e suas empresas são uma máquina de formação de gestores."

Eugenio Foganholo: "A 3G Capital e suas empresas são uma máquina de formação de gestores."

(Divulgação)

O brasileiro-suíço Jorge Paulo Lemann e seus sócios da 3G Capital se uniram novamente ao megainvestidor Warren Buffett, da Berkshire Hathaway, para dar mais um passo de gigante. Os investidores, que têm o controle da fabricante de condimentos Heinz, anunciaram recentemente a compra da americana Kraft Foods, avançando na estratégia de aquisições adotada nos últimos anos.

“A aquisição confirma mais uma vez o foco desses executivos, que é adquirir empresas de bem de consumo, que trabalham com categorias de produto maduras. E a partir de então, com sua exímia gestão, conquistam uma eficiência operacional extraordinária”, afirma Eugenio Foganholo, diretor geral da Mixxer, consultoria especializada em varejo e indústrias de bens de consumo, com sede em São Paulo.

Retrato rápido da fusão

Com a fusão será criada a terceira maior empresa de alimentos e bebidas dos Estados Unidos e a quinta maior do mundo.

A nova empresa, que se chamará The Kraft Heinz Company, terá faturamento de aproximadamente US$ 28 bilhões.

A Kraft Foods é dona de marcas famosas como Philadelphia, Maxwell House, queijo Kraft, sobremesas Jell-O. Já a Heinz é especializada em Ketchup, molhos, sopas, papinhas.

Assim que a transação for concluída, o economista brasileiro Bernando Hees, atual CEO da Heinz, assumirá a posição de CEO da The Kraft Heinz Company.

Os acionistas da Kraft Foods deterão 49% da nova empresa e os da Heinz terão os 51% restantes.

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A nova empresa, The Kraft Heinz Company, terá uma receita de US$28 bilhões. Será a terceira maior empresa de alimentos e bebidas dos Estados Unidos e a quinta maior do mundo. Contará também com uma paleta diversificada de produtos e marcas conhecidas.  As operações serão lideradas pelo brasileiro Bernando Hees, CEO da Heinz, que assumirá a mesma posição na nova companhia.

A seguir, Foganholo explica a estratégia por trás da compra, a repercussão da aquisição e o que esperar dos executivos que devem assumir a liderança do novo negócio.

swissinfo.ch: Como senhor avalia a aquisição da Kraft Foods pela brasileira 3G Capital?

Eugenio Foganholo : A 3G Capital, desde o tempo do banco Garantia, atua sob alguns pilares bem claros. O primeiro: contam com uma confiabilidade extraordinária entre os investidores internacionais.  O segundo: tem um histórico significativo de eficiência naquilo que fazem. O terceiro, e talvez o mais marcante, tem focado em empresas de bem de consumo que trabalham com categorias já maduras, assumem o negócio e conseguem uma eficiência operacional extraordinária. Não se concentram em bens de consumo inovadores, de ponta, mas investem naquilo que está consagrado, maduro. E buscam então intensificar a eficácia do negócio.

Vale lembrar que quando ocorreu a cisão da Kraft e da Mondelez (outubro de 2012) esta última ficou com categorias que tinham maior potencial de crescimento e relativamente mais novas. E a Kraft ficou com as marcas mais tradicionais.

swissinfo.ch: Como a compra afeta o setor de alimentos e bebidas?

EF: O grande impacto da fusão, na realidade, será na criação de uma empresa cada vez mais global, que ganhe mais eficiência nas relações com consumidor, no comércio, enfim, na operação como um todo. Não vejo ações do tipo criar novas categorias. O foco será na melhora da eficiência, da produtividade. Ou seja, na performance.

swissinfo.ch: Como a compra pode afetar a multinacional suíça Nestlé, líder mundial no setor alimentar?

EF: A operação afeta esse mercado, mas não hoje. É mais numa perspectiva de futuro. O caminho desse player está relativamente claro, ou seja, é o da aquisição. Pelo menos, é o que está sendo sinalizado. Primeiramente foi a Heinz. Num segundo momento foi a Kraft. Daqui a pouco será qual?

Com a fusão, novas categorias que não haviam no portfolio da Heinz estão sendo adquiridas. Numa terceira aquisição outras categorias provavelmente serão agregadas. Assim, o negócio vai ganhando escala. A sinalização é para aquisição futura, agregando cada vez mais categorias tradicionais, maduras, dentro de um cesto grande, gigantesco, num negócio que ganha eficiência e produtividade.

swissinfo.ch:  Parece que a operação toda foi feita em tempo recorde. Isso faz parte do perfil desses investidores?

EF: Tendo credibilidade e histórico, fica muito mais fácil atrair investidores para o negócio. A própria Berkshire Hathaway tem um histórico de investimentos em categorias tradicionais. Então, não é à toa que estão juntas. Uma relativa novidade, que começou um pouco antes da aquisição da Anheuser-Busch, depois da Heinz, da rede de cafeteria canadense Tim Hortons, e agora com Kraft Foods é a de o processo ser fulminante. Para aproveitar a oportunidade é preciso ser veloz. Isso aumenta ainda mais a vantagem competitiva deles. 

swissinfo.ch: Da sinergia entre as duas empresas é prevista uma economia anual de US$1.5 bilhão até o final de 2017. Ou seja, o modelo pregado por Lemann e seu time de uma gestão rigorosa de custos deve trazer que tipos de resultados?

EF: Essa sinergia vem de duas fontes. A primeira é a melhora de produtividade, o que vai além de corte de custos. É fazer mais com menos. A outra questão é que muitas categorias da Heinz usam os mesmos canais de distribuição de produtos da Kraft Foods. Isso certamente vai ajudar nos processos de negociação e escoamento.

swissinfo.ch: Os investidores, é óbvio, acreditam no potencial desse mercado de alimentos processados a ponto de fazer tal investimento. Mas a tendência não é justamente o contrário. Ou seja, de o consumidor buscar mais produtos naturais, com menos conservantes, colorantes etc?

EF: É verdade, existe essa tendência na maioria dos países. Isso pode significar que as categorias de produto que adquiriram agora cresçam num ritmo inferior ao de outras. Isso, de alguma forma, já acontece com o mercado americano de cerveja, por exemplo, que está encolhendo. Por outro lado, só mostra, mais uma vez, que esses executivos são exímios ao trabalhar com categorias maduras ou até em declínio. Eles conseguem fazer o negócio ganhar eficiência. Esse é, de fato, o grande valor deles. Não estão necessariamente interessados em ser os pioneiros ou em entrar numa onda de inovação. Não podemos esquecer que essas empresas fazem produto de consumo de massa. Isso é volume. É produção para muita gente e para vários estratos de consumidores.

swissinfo.ch: Do ponto de vista da gestão, os brasileiros continuarão dando o tom da liderança?

EF: A 3G Capital e suas empresas são uma máquina de formação de gestores. Talvez esse seja um diferencial. E a maioria esmagadora dos chefes que está atuando nas empresas adquiridas é brasileira. Mais do que formados, esses executivos foram criados na filosofia do 3G Capital. Eles sabem recrutar pessoas com talento,  treiná-las, prepará-las e ‘jogá-las aos leões’, fazendo com que se tornem executivos excepcionais.

swissinfo.ch: Jorge Paulo Lemann e seu time continuam a ser uma exceção entre os executivos e empresários brasileiros, já que realmente conquistaram o mercado internacional?

EF: Existe uma crônica dificuldade macroeconômica no Brasil. Mas, por outro lado, existe uma boa capacidade de gestão da microeconomia por parte de empresários e executivos brasileiros. Afinal, é preciso ser muito bom para conseguir gerir uma empresa num ambiente desfavorável, como é o Brasil. O segundo aspecto é  que como criadores de executivos de alta performance, a 3G Capital tornou-se uma ilha de excelência. 


Lista de compras

Algumas das principais transações da 3G Capital, a empresa de private equity criada em 2004 por Jorge Paulo Lemann, Alex Behring, Marcel Herrmann Telles,  Carlos Alberto Sicupira e Roberto Thompson Motta são:

2010 - Compra da rede Burger King, uma transação de US$ 3,8 bilhões

2013 - Aquisição da Heinz juntamente com a Berkshire Hathaway por US$ 28 bilhões

2014 - Compra da Tim Hortons, no Canadá, por US$ 12,5 bilhões

2015 - Compra da Kraft Foods

Em 1993, Jorge Paulo Lemann e sócios fundaram a GP Investimentos, uma empresa de investimentos alternativos na América Latina. Desde então, a GP investiu mais de US$ 5 bilhões na aquisição de 53 empresas em 15 diferentes setores da economia.

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