LGBTIQ: preconceitos na Suíça

Homofobia, um verdadeiro problema como mostram alguns exemplos

Parlamentares suíços aprovaram um projeto de lei para reforçar o combate à homofobia no país. Ao longo do ano diversos casos de agressão e discriminação contra homossexuais mostram que o problema está longe de ser solucionado.

Este conteúdo foi publicado em 28. setembro 2018 - 11:54
As organizações de defesa dos direitos dos homossexuais lutam por mais proteção também na Suíça. Keystone

O Conselho Nacional, a Câmara de Deputados na Suíça, aprovou na quarta-feira (26.09) um adendo ao artigo 261bis do Código Penal, chamado de "Norma Antirracista". As leis agora irão punir as discriminações fundadas na orientação sexual ou identidade de gênero. O projeto deve ser ainda votado pelo Conselho dos Estados (Senado).

Cinco exemplos recentes de agressões cometidas contra homossexuais mostram que o problema ainda é latente na Suíça, apesar de todas campanhas já realizadas.

Partido da extrema-direita propõe taxação da homossexualidade

O Partido dos Suíços Nacionalistas (PNOS, na sigla em alemão) propõe combater a homossexualidade através de uma taxa que proíbe comportamentos LGBTs no espaço público e encorajando homossexuais a procurar uma "cura". Em um manifesto publicado em 28 de agosto, um dos estrategistas do partido, Florian Signer, estima que o homossexualismo "se tornou uma pseudo-religião" que se propaga. Ele ainda afirma estar convencido que a Europa "vive um declínio demográfico" e que "os homossexuais constituem, nesse sentido, um risco adicional."

"A homossexualidade é um sintoma de uma doença como a febre do feno"

No cantão de Genebra um médico homeopata foi processado em agosto por ter prometido "curar" a homossexualidade. Em entrevista cedida à televisão suíça, afirmou: "A homossexualidade é um sintoma de uma doença como qualquer outra, seja a dor de cabeça ou a febre do feno. Não vejo um problema em afirmar isso."

Bispo suíço conecta homossexualidade e abuso sexual na Igreja

Em uma entrevista transmitida em 22 de agosto por uma rádio católica, o bispo auxiliar de Chur, Marian Eleganti, afirmou que "90%" dos casos de abuso sexual na Igreja Católica nos EUA "estão diretamente associadas a tendências homossexuais."

Agressão de dois jovens homossexuais em Neuchâtel

Dois homens foram agredidos às margens do lago de Neuchâtel na noite de 9 a 10 de junho. "Vamos fazer você correr, gays sujos", gritaram os agressores a uma das vítimas. Os dois tiveram traumatismo craniano, perda de consciência, dentes quebrados, contusões e hematomas. Posteriormente denunciaram a agressão nas redes sociais.

Agressão verbal em um bonde em Genebra difundido no Facebook

Em dezembro de 2017 uma agressão homófobica ocorrida em um bonde em Genebra foi transmitida pelas redes sociais. Um homem se dirigiu a um passageiro declarando: "Vai embora. Você está tentando me paquerar. Não faço sexo com homossexuais". O homem agredido verbalmente pelos insultos, Jordan Davis, jornalista no canal RTS, filmou a cena com seu celular. Outros passageiros no bonde reagiram e obrigaram o agressor a desembarcar na estação seguinte.

Conteúdo externo

Os grupos de interesse reivindicam que a Suíça se comprometa a registrar as agressões contra os grupos de LGBT e publicar estatísticas com regularidade. Um número de emergência criado em 2017 chega a registrar aproximadamente dois ataques homofóbicos por semana. Muitos consideram isso apenas a ponta do iceberg, pois muitas das vítimas não procuram as autoridades para apresentar queixa.

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