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Uma "super entidade" controla toda a economia mundial

Três quartos das multinacionais que controlam a economia mundial são instituições financeiras.

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A economia global é essencialmente controlada por 147 multinacionais, esclarece um estudo feito na Suíça e único do gênero.

Para conter a deriva da concentração de poder, queremos novas instituições supranacionais, afirma o economista Mauro Baranzini.

A intrincada rede de conexões das empresas ativas no mundo foi ilustrada por pesquisadores da Escola Politécnica Federal de Zurique (EFFZ). Alguns teóricos de sistemas complexos afirmam que um grupo extremamente restrito de empresas controla cerca de 40% do valor de outras 40 mil empresas ativas em todo o mundo.

Ora, três quartos das 147 multinacionais que compões essa “super-entidade” são instituições financeiras, sublinham os autores da análise, a primeira que identifica com dados empíricos a rede do poder. Entre as multinacionais mais conhecidas estão os bancos suíços UBS e Credit Suisse (leia na coluna à direita).

“Uma grande multinacional pode ter mais poder do que o presidente de um país de pequena ou média dimensão”, diz Mauro Baranzini, que já foi decano da faculdade de economia da Universidade da Suíça Italiana.

  

swissinfo.ch: Professor Baranzini, a concentração de poder é por si só negativa ou pode ter aspectos positivos?

Mauro Baranzini: Certamente que há vantagens. A principal é que o preço de produtos e serviços é inferior se comparado a um sistema mais fragmentado. Mas a concentração de poder também comportas riscos.

swissinfo.ch: Quais?

M.B.: Acima de tudo, fica-se a mercê de poucos indivíduos. Através de lobbies nos parlamentos e influência direta sobre os governos, essas pessoas podem exercer pressões sobre os políticos e perturbar o processo democrático.

No caso de um choque externo, como na crise financeira de 2008, o sistema pode revelar-se frágil. O fato de concentrar o poder é, portanto, oposto ao sistema de livre mercado, que pressupõe a existência de um número elevado de produtores, distribuidores e consumidores. Isso freia a busca de produtos novos e originais.

swissinfo.ch: Na super-entidade citada no estudo estão UBS e Credit Suisse. O fato de estar no centro de uma tal rede de poder consolida ou desestabiliza os dois bancos suíços?

M.B.: Consolida na medida em que as interconexões com outros centros de poder dão uma base muito importante que os impediria de desaparecer. Para os dois bancos suíços é algo de muito positivo. Mas é certo que seria melhor se tivessem um pouco mais de ética.

swissinfo.ch: O estudo observa que a origem da concentração de poder não tem forçosamente uma intenção secreta da empresa. O que o senhor pensa disso?

M.B.: Não creio que na base se trate de um complô. É o resultado de uma evolução natural em que o setor financeiro tomou proporções desmesuradas. A finança tomou a dianteira distanciando-se da produção real que realmente cria riqueza como a agricultura, a indústria e os serviços mais importantes.

swissinfo.ch: Em que outros âmbitos temos esse fenômeno da concentração de poder?

M.B.: Penso, por exemplo, na produção de aviões: já tivemos quatro ou cinco empresas principais, agora só temos duas. Na Suíça, temos o caso das serrarias: nos anos 1970 eram quatro ou cinco, agora só tem uma. O trabalho foi concentrado provavelmente em um grande produtor.

O fenômeno da concentração aparece também no setor da cultura e do ensino. Tomemos o exemplo do Premio Nobel de Economia: sempre são atribuídos às pessoas que pertencem à escola majoritária ou a um punhado de nações eleitas. É concedido pouco espaço às correntes de pensamento minoritárias. A consequência grave é que não se favorece os que têm ideias realmente originais e revolucionárias, o que freia o conhecimento humano. 

O mesmo vale para um livro. Na universidade europeia, americana ou japonesa dois ou três livros de economia mais ou menos similares são impostos a todos os estudantes.

swissinfo.ch: Deve-se limitar o número de conexões entre os agentes econômicos? 

M.B.: Limitar é impossível, pois as multinacionais, por definição, operam em nível supranacional e não existe qualquer instituição capaz de limitar o super-poder. Porém, há necessidade de controle.

  

swissinfo.ch: de que modo?

M.B.: Criar uma nova Bretton Woods que garanta um pouco mais de estabilidade. Também fala-se muito de impor a Taxa Tobin, do nome do Prêmio Nobel americano que propôs taxar as transações financeiras especulativas. É necessário um maior controle dos movimentos especulativos, por exemplo das matérias primas, energia e alimentos.  

Para conter as práticas monopolísticas e restritivas seria oportuno cria ruma espécie de grande tribunal, similar à Corte Penal Internacional. As comissões antitruste atuam somente em nível nacional e não podem opor-se ao processo progressivo de concentração internacional.

Nossa história é caracterizada por grupos que, a um dado momento, tornam-se muito potentes. Creio que nossa sociedade dispõem dos antivírus para neutralizá-los. Veremos se será ainda possível para as multinacionais.

A rede do poder

O estudo “The network of global corporate control”,

publicado em setembro de 2011 na revista ScienceNews, é o primeiro a identificar a rede de poder com dados científicos.

Pesquisadores de sistemas complexos da Escola Politécnica Federal de Zurique (EFPZ) analisaram as conexões (incluindo participação acionária) entre 43.060 empresas multinacionais.  

A lista das multinacionais foi feita a partir uma amostra de 35 milhões de operadores econômicos (empresa e investidores) contida no banco de dados Orbis (2007).

A análise evidencia que um grupo de 1318 empresas estão no centro do comércio global: elas controlam 50% do lucro operacional de todas as multinacionais.

Dentro desse grupo foi detectado um núcleo ainda mais restrito composto de 147 multinacionais. Esta super-entidade controla 40% do valor total das multinacionais.

No topo da lista figuram o banco Barclays (Grã- Bretanha), o grupo Capital Companies (sociedade de investimentos, Estados Unidos) e FMR Corporation (serviços financeiros, Estados Unidos).

Entre os 50 primeiros estão ainda os bancos suíços

UBS (9° lugar) e Credit Suisse (14°). Outros nomes:

Deutsche Bank (12°), Goldman Sachs (18°), Morgan Stanley (21°), Unicredito italiano (43°) BNP Paribas (46°) e China Petrochemical Group Company (50°).

Os autores do estudo sublinham que não é possível afirmar que a origem dessa estrutura é uma forma de conspiração. Porém, que é necessário analisar as implicações de um tal sistema pode ter sobre a concorrência e a estabilidade financeira.

Aqui termina o infobox


Adaptação: Claudinê Gonçalves, swissinfo.ch


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