Economista Joseph Stiglitz defende reestruturação de dívidas após pandemia

Economista Joseph Stiglitz durante conferência em Paris em 19 de setembro de 2019 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 09. setembro 2020 - 19:36
(AFP)

O ganhador do Nobel de Economia Joseph Stiglitz defendeu nesta quarta-feira uma suspensão do serviço da dívida mais ampla do que a que beneficiou os países pobres devido à pandemia de coronavírus, e alertou para a necessidade de uma grande "reestruturação" da dívida que alcance muitas nações.

Stiglitz - que deu forte apoio simbólico à Argentina na negociação para reestruturar sua dívida com credores privados - falou em um colóquio virtual organizado no marco da 24ª Conferência Anual do banco de desenvolvimento latino-americano CAF.

O economista, que é um dos teóricos da desigualdade, alertou que "muitos países não conseguirão pagar suas dívidas". É por isso que "não precisamos apenas de uma suspensão temporária mais ampla da dívida: será necessária uma grande reestruturação" que envolverá muitos Estados.

Para Stiglitz, deveria ser criado um marco internacional para os defaults soberanos, em linha com princípios aprovados em 2015 pela Assembleia Geral da ONU.

O acordo para a suspensão temporária do serviço da dívida inclui principalmente países africanos, mas também Honduras, Haiti e Nicarágua. O mecanismo foi elaborado em abril a pedido do Banco Mundial e do G20, quando o impacto da pandemia na economia global estava se aproximando.

"Esta suspensão foi apenas para os países menos desenvolvidos", disse Stiglitz. "Infelizmente, nos últimos anos, tem havido muito endividamento privado, e os credores privados não têm cooperado muito".

Stiglitz, de quem o ministro da Economia argentino, Martín Guzmán, é discípulo, defendeu Buenos Aires na dura luta com os detentores de títulos e disse que alguns credores "não se envergonham" e querem cobrar de forma "insustentável".

O economista falou em painel moderado por Luis Felipe López-Calva, diretor regional do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, que destacou que, assim como a pandemia atinge mais pessoas com doenças "pré-existentes", a crise de covid-19 também atinge países onde há fatores agravantes de forma mais intensa.

"Em nossa região, é a baixa produtividade, os altos níveis de desigualdade, os altos níveis de exclusão e a baixa confiança nos governos" que contextualizam o impacto, ressaltou López-Calva.

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