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Eleições: imprensa na Suíça francesa

(swissinfo.ch)

Na parte de língua francesa da Suíça a atenção frente às eleições no Brasil não é menor.

O "Le Temps" de Genebra, principal jornal suíço em francês, dedicou quase uma página às eleições presidenciais na edição de sexta-feira, 4 de outubro.

O jornal afirma que o Brasil parece que vai virar à esquerda e que o objetivo de Lula é ser eleito no primeiro turno para evitar o confronto de idéias com Serra no segundo turno.

Riscos na vitória de Lula

A possibilidade de eleição de Lula "enche de esperança" os brasileiros desfavorizados, mas "enlouquece" os meios econômicos nacionais e estrangeiros, escreve o "Le Temps".

Há meses que os brasileiros se concentram em dois números: o crescimento de Lula nas pesquisas e a alta do dólar. À medida que Lula sobe, o real cai, afirma o jornal, lembrando que a economia brasileira e a Bolsa também vêm sofrendo os efeitos da má conjuntura internacional.

O "Le Temps" fala também dos investimentos diretos feitos no Brasil nos últimos 10 anos e prevê que a retirada de capital estrangeiro, "que já começou" poderá ter "proporções terríveis" com a vitória de Lula.

Rádio tem tom oposto

A Rádio Suíça de expressão francesa (RSR), emissora de serviço público que tem 80% da audiência, vê a candidatura Lula com outros olhos.

Em reportagem, sexta-feira, no jornal da manhã, a correspondente no Rio de Janeiro disse que se Lula não ganhar no primeiro turno, o segundo será mais difícil devido o uso da máquina administrativa em favor de Serra e dos ataques deste contra Lula.

A emissora entrevistou também um ex-diretor da Nestlé que mora no Brasil. Ele insistiu que o PT governa estados e cidades importantes e que não há nada a se temer caso o Lula assuma a presidência.

Disse também que a democracia está consolidada no Brasil e que, de qualquer maneira, "Lula não poderá fazer o que quiser porque terá a oposição do Congresso."

A RSR ainda fez comparações entre Lula e o ex-presidente socialista francês François Mitterand, que era temido pela direita quando foi eleito em 1981, e com o ex-presidente polonês Lech Walessa, que também havia sido operário e sindicalista antes de chegar à presidência.

Swissinfo/Alexander Thoele e Claudinê Gonçalves

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