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Em economia, Obama será pragmático

Crise financeira e econômica: muito trabalho pela frente para Barack Obama. Keystone

Além de duas guerras em curso no Iraque e no Afeganistão, Barack Obama terá como preocupação principal a crise finaceira e econômica.

Este conteúdo foi publicado em 06. novembro 2008 - 15:54

O que se pode esperar do novo presidente dos Estados Unidos? A análise é do economista suíço Cédric Tille.

Ex funcionário da Reserva Federal norte-americana - o Banco Central dos Estados Unidos - e professor no Instituto de Altos Estudos do Desenvolvimento em Genebra, Cédric Tille lembra uma verdade evidente: Barack Obama foi eleito para defender os interesses dos Estados Unidos.

E é isso que ele fará, embora privilegiando uma perspectiva mais multilateral do que a administração Bush.

swissinfo: A eleição de Barack Obama é uma boa notícia para a economia mundial?

Cédric Tille: Sim e o principal argumento é a equipe que ele vai formar. Ainda não temos os nomes, mas saberemos nas próximas semanas. Durante a campanha, ele teve uma grande equipe de conselheiros muito bons. Paul Volker, por exemplo, ex-presidente da Fed (ndr: Banco Central dos Estados Unidos), que havia vencido a inflação nos anos 80. Ou Bob Rubin e Larry Summers, os dois secretários do Tesouro (ndr: Ministério das Finanças) de Bill Clinton. Aliás, Larry Summers poderá reassumir o cargo. A equipe de McCain era menor e composta de gente menos conhecida.

O desafio do presidente será gerir uma situação complexa e instável. Ele deverá ter uma ampla equipe de conselheiros e ser capaz de sintetizar o que dizem para tirar o essencial. Barack Obama é mais apto a fazer isso do que seria John McCain.

O lema de Obama, é a mudança. O que ele vai mudar no plano econômico?

Em nível estrutural, uma das mudanças principais será na paisagem financeira dos Estados Unidos. A crise mostrou que a estrutura de regulação existente não é mais adaptada. Isso não significa que é preciso mais regulação, mas uma regulamentação mais alinhada à evolução dos mercados financeiros.

Nos Estados Unidos, por exemplo, várias agências (Fed, Tesouro etc) trabalham em paralelo. Frente a essa situação, é preciso racionalizar e se aproximar do modelo britânico em que uma só agência controla todo o setor financeiro. Essa modelo não é uma panacéia – não conseguiu evitar a falência do Northerm Roch - mas é mais eficaz.

Veremos, portanto, uma mudança estrutural, delicada a gerir para Obama. Com sua forte maioria democrata no Congresso, haverá uma pressão para uma regulação mais forte. Wall Street, quando a crise será ultrapassada, vai pressionar na direção contrária. Obama terá de encontrar um equilíbrio e não será fácil.

Para agir ele terá forte apoio?

Para as regulamentações estruturais sim, com a ampla maioria no Congresso. A curto prazo, será preciso prosseguir a estabilização dos mercados financeiros. Com a recessão, acho que haverá uma redução temporária de impostos para as famílias.

Para resolver o problema das hipotecas, é possível que haja planos que facilitem a renegociação das dívidas, o que evitaria falências que causariam custos ainda maiores.

Como esse governo vai atual no plano internacional?

Frente à crise financeira, os bancos centrais cooperam entre si. Uma coordenação, no entanto, seria possível em torno de um plano de incentivo à economia na Europa e nos Estados Unidos. Por enquanto, não vejo isso se concretizar através de uma instituição supranacional, mas de maneira informal.

Os democratas são mais protecionistas. O que vai ocorrer com as negociações na OMC?

Nesse assunto vejo um risco. O Partido Democrata é muito amplo. Com maioria da Câmara e no Senado, ele pode ceder aos extremos. Veríamos então um partido privilegiando o protecionismo, impulsionado pelos representantes da "Rust belt" sinistrada (ndr. :região industrial do nordeste).

Uma outra ala do partido, à qual pertence Bob Rubin, é mais consciente dos riscos do protecionismo para a economia mundial. Uma guerra comercial só agravaria a recessão. Esse bloco tentará resistir às pressões, mas o fator de risco é real. Barack Obama deverá conter certas alas do partido ou esperar que a situação se reverta dentro de quatro anos.

Como o sr. se sente pessoalmente face a esse problema?

Obama não se comprometeu com questões muito precisas. Minha impressão é que ele é essencialmente pragmático. Acho que ele vai resistir ou limitar as pressões protecionistas, mas não tenho certeza.

Há alguns anos o governo suíço busca uma aproximação comercial com os Estados Unidos. Agora será mais fácil?

Não vejo, a priori, diferenças claras entre republicanos e democratas em matéria de livre-comércio com a Suíça. Nas próximas semanas saberemos mais.

Em matéria de fiscalidade e segredo bancário, Obama exercerá uma pressão mais forte sobre a Suíça?

Não necessariamente. O UBS esteve em conflito com a administração fiscal norte-americana nos últimos meses. No Congresso, a questão foi abordada em várias comissões. Acho que as pressões não vão diminuir, mas isso não quer dizer que a administração democrata aumentará a pressão.

Não está claro se esse dossiê será prioritário. Com a forte recessão que se anuncia e a crise financeira em curso, as prioridades são outras e as questões fiscais internacionais são relativamente secundárias.

Dentro de quatro ou oito anos, os Estados Unidos estarão menos endividados?

Em matéria orçamentária, com o plano de incentivo que deverá vir, a dívida aumentará. É preciso lembrar que, em relação à economia do país, a dívida pública não é alarmante. Ela é muito menor do que a da Itália ou do Japão, por exemplo. Os Estados Unidos não estão à beira da bancarrota, longe disso.

Uma vez passada a recessão, mudanças estruturais serão necessárias em matéria fiscal devido o déficit estrutural instaurado durante a administração Bush e que não pode perdurar.

O déficit externo diminuiu de ritmo nos últimos dois ou três anos. Os Estados Unidos podem manter um pequeno déficit comercial, que, aliás, será menor devido à queda da atividade econômica. Quando o consumidor cessar de importar, o problema está resolvido.

swissinfo, Pierre-François Besson

Etats-Unis-Suíça

Os Estados Unidos são o principal parceiro comercial da Suíça fora do continente europeu.

As exportações suíças totalizara 18,322 bilhões de francos em 2007 e as importações 9,4318 bilhões.

O país de Barack Obama também é o primeiro para os investimentos diretos suíços.

Os dois países instalaram em 2006 um fórum de cooperação sobre o comércio e os investimentos.

Último avanço até agora foi uma declaração-conjunta sobre o comércio eletrônico assinada em 10 de outubro 2008.

Esse documento deverá facilitar e de promover o comércio eletrônico entre os dois países e enquadrá-lo.

Em 2007, a colônia suíça nos Estados Unidos tinha 73.978 pessoas.

Na Suíça, o número de residentes norte-americanos é avaliado entre 30.000 e 70.000 incluindo os binacionais.

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