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Embaixador de Mianmar em Londres perde o cargo e repressão violenta continua

O embaixador Kyaw Zwar Minn diante da representação diplomática de Mianmar em Londres, ao lado de policiais britânicos afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 08. abril 2021 - 12:51
(AFP)

A junta militar birmanesa demitiu do cargo o embaixador do país em Londres, nesta quinta-feira (8), por ser partidário da líder deposta Aung San Suu Kyi, uma decisão criticada pelo Reino Unido, enquanto pelo menos 11 civis morreram nas últimas horas em confrontos com militares no centro do país.

A dura e sangrenta repressão contra as manifestações pró-democracia que afetam o país há dois meses e as detenções de personalidades não cedem, apesar das críticas internacionais.

Na quarta-feira à noite, vários diplomatas vinculados à junta tomaram a embaixada de Mianmar em Londres e negaram o aceso ao embaixador Kyaw Zwar Minn, contrário ao golpe de Estado militar aplicado em 1º de fevereiro.

O adido militar liderou a tomada da embaixada, de acordo com Kyaw Zwar Minn, que denunciou uma espécie de "golpe de Estado" na sede diplomática.

Em uma declaração lida nesta quinta-feira em seu nome em frente à embaixada, Kyaw Zwar Minn afirmou que a equipe de seu embaixador adjunto Chit Win "ameaça a equipe da embaixada com sanções severas se esses membros da equipe não continuarem trabalhando para a junta militar".

Nesta quinta-feira, o Ministério britânico das Relações Exteriores anunciou que foi notificado pelas autoridades birmanesas sobre o fim do mandato de seu embaixador no Reino Unido e afirmou que não tinha outra opção a não ser "aceitar a decisão tomada pelo governo birmanês".

O porta-voz da junta Zaw Min Tun confirmou que o Ministério das Relações Exteriores de Mianmar contatou seu homólogo britânico para falar sobre o incidente.

"Enviamos uma carta oficial a Chit Win, na qualdiade de chefe de missão lá", declarou à AFP, acrescentando que pediram a Kyaw Zwar Minn para voltar a Mianmar.

Desde quarta-feira, pelo menos 11 pessoas morreram em ações violentas em Taze, centro do país, segundo a imprensa local, que também cita as mortes de três militares, assim como vários civis feridos. A AFP não conseguiu confirmar o balanço com fontes independentes.

Armados com fuzis e artefatos explosivos, moradores tentaram impedir a entrada de policiais e militares na cidade, e estes responderam, de acordo com a imprensa.

A Associação de Assistência aos Prisioneiros Políticos (AAPP) informou que quase 600 civis, incluindo mais de 40 menores de idade, morreram em atos violentos desde o golpe de Estado.

O balanço pode ser muito maior: mais de 2.800 pessoas foram detidas, e muitas delas estão desaparecidas, sem qualquer acesso a advogados, ou a suas famílias.

- "Devolvam nosso herói" -

A perseguição judicial também não cede. Quase 120 personalidades (cantores, modelos, ou jornalistas) são alvos de ordens de detenção, acusados de divulgar informações que podem provocar um motim nas Forças Armadas.

Entre os alvos está Paing Takhon, de 24 anos, modelo, ator e cantor muito popular em Mianmar e na vizinha Tailândia. Ele foi detido nesta quinta-feira, na casa de sua mãe em Yangon, "por quase 50 policiais e militares", denunciou sua irmã Thi Thi Lwin no Facebook.

Em uma de suas últimas mensagens divulgadas na Internet, o artista afirmou na quarta-feira que não se sentia bem fisicamente há vários dias.

"Estou com o coração partido", "Devolvam o nosso herói", afirmaram algumas mensagens divulgadas nas redes sociais após o anúncio da detenção.

O ator, que tinha um milhão de seguidores antes que suas páginas no Facebook e Instagram fossem encerradas, foi uma das primeiras personalidades públicas do país a condenar o golpe de Estado.

A rejeição à junta também se expressa há vários dias nas greves de dezenas de milhares de trabalhadores que estão paralisando setores inteiros da economia.

Nas ruas, as manifestações perderam força, devido ao medo de represálias e da repressão.

- Sapatos e flores contra a junta -

Nas principais cidades, os manifestantes tentam encontrar outras maneiras de divulgar sua mensagem.

Nesta quinta-feira, Ei Thinzar Maung, um dos líderes dos protestos, pediu aos cidadãos que representassem com um sapato cada manifestante ausente.

E dezenas de sapatos com flores amarelas dentro foram colocados nas ruas de Mandalay, no centro do país, segundo imagens divulgadas nas redes sociais.

Fora de Mianmar, onde o golpe continua gerando condenações, Washington anunciou nesta quinta-feira sanções contra uma empresa estatal birmanesa de produção de pedras preciosas, a Myanmar Gems Enterprise, com o objetivo de privar a junta militar de uma fonte de renda crucial.

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