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Entrevista: Rolf Kenel

Rolf Kenel, diretor da Escola Suíço-Brasileira no Rio de Janeiro, acha importante qualidades suíças no ensino brasileiro.

(swissinfo.ch)

Como é o trabalho de um diretor de uma instituição educacional suíça no Brasil? Como é o dia-a-dia numa grande cidade com problemas de criminalidade? Quais são os valores suíços que podem ser transmitidos aos estrangeiros?

As 17 escolas suíças no exterior oferecem não só idiomas, mas também cursos de culinária e trabalhos manuais.

Esses temas são abordados por Rolf Kenel, diretor da Escola Suíço-Brasileira no Rio de Janeiro. O pedagogo e outros 16 diretores de escolas suíças no exterior encontraram-se de 9 a 11 de julho na Basiléia, para discutir sobre o futuro das suas instituições. Muitas delas vivem uma situação financeira crítica.

Kenel vive há três anos no Rio de Janeiro. Suíço de um dos cantões mais tradicionais e conservadores da Suíça - Schwyz - ele já fala um português fluente com um sotaque que não consegue esconder as influências do alemão, sua língua materna.

O pedagogo conta como sua instituição procura compensar as perdas provocadas pelos cortes de subsídios do governo federal suíço através do posicionamento no concorrido mercado educacional privado de uma das maiores cidades brasileiras.

Rolf, como está sendo o encontro de diretores de escola suíças no exterior?

Rolf Kenel: Esse é o segundo encontro do qual participo. Achei muito interessante, sobretudo devido à pauta de debates, incluindo temas como o desenvolvimento da pedagogia na Suíça e a situação financeira das nossas instituições.

swissinfo: A imprensa comenta que as escolas suíças estão atualmente passando por dificuldades financeiras.

Normalmente uma escola não é uma empresa que precisa ser lucrativa. Porém é verdade que várias das escolas suíças no exterior estão com problemas financeiros sérios, como é o caso da nossa no Rio de Janeiro. Por isso nós precisamos fazer uma reestruturação geral nos próximos anos.

E parte do problema é devido aos cortes nos subsídios do governo federal suíço?

Sim. No contexto de reestruturação do orçamento do governo federal suíço, as subvenções vão ser cortadas em 2004 e 2005. Em 2006, nós só iremos receber 10 a 15% menos de subvenções.

E o caminho é o financiamento próprio, ou seja, através das mensalidades pagas pelos alunos?

Exatamente. A base de financiar as escolas suíças no exterior está se tornando cada vez mais comercial. Temos de seguir as regras do mercado local. Devido a essa reorientação, minhas funções hoje em dia são 50% pedagógicas e 50% comerciais, ou seja, passo grande parte do tempo pensando em como melhorar nosso produto em relação a concorrência.

E como as escolas suíças se diferenciam no mercado brasileiro?

A diferencia é o multilingüismo. Nossa escola oferece quatro línguas estrangeiras e também um ensino diferenciado, onde até incluímos cursos de culinária e trabalhos manuais. Nós também ensinamos nossos alunos a trabalhar de forma autônoma, o que muitas vezes não ocorre em outras escolas.

A Suíça aparece na mídia muitas vezes através dos seus clichês, por vezes negativos. Como seus alunos vêem essa realidade?

Não é fácil representar um país e a cultura suíça. Porém acho importante destacar o “charme” suíço, ou seja, uma das nossas grandes características é a descrição. Convencemos as pessoas mais através da qualidade e precisão do nosso trabalho. Esses são os valores que queremos transmitir. No Brasil tentamos transmitir que a Suíça é um país normal e não é apenas chocolate ou bancos. Nossos pontos fortes são, ao contrário, a criatividade ou a qualidade do nosso ensino.

Quais sãos os aspectos da Suíça perguntados com mais freqüência pelos seus alunos?

Existem várias perguntas que eles fazem. Uma que acho muito interessante é: - “existe racismo na Suíça?”. Essa é uma realidade que realmente existe no meu país. Porém, ao mesmo tempo, acho que a Suíça tem perspectivas interessantes para resolver essa questão. Uma delas é o fato de abrigarmos quatro culturas distintas e saber que elas convivem de forma pacífica. O outro lado da história é que, hoje em dia, 20% da população suíça é composta de estrangeiros. Essa realidade traz problemas e é um grande desafio para a nossa sociedade.

E como é a vida no Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa?

Já estou há três anos no Rio de Janeiro. Acho que essa cidade interessante e de um potencial enorme. Porém seu dia-a-dia é, as vezes, muito cansativo. Porém as discrepâncias do Rio e do Brasil são muito interessantes para um suíço. Um dos aspectos mais positivos dessa sociedade, sobretudo para os suíços, é a facilidade de comunicação, de se encontrar e discutir os mais variados assuntos.

E criminalidade não é um problema para vocês? O bairro de Santa Teresa no Rio de Janeiro costuma sempre aparecer no noticiário policial.

Em quarenta anos a escola nunca teve problemas. Nas proximidades da escola temos um meio de comunidades carentes com um certo potencial de criminalidade. Isso é verdade. Porém temos duas atividades para contornar esse problema: nossa escola ajuda regularmente essas comunidades carentes e, ao mesmo tempo, temos um contato próximo com as autoridades policiais.

swissinfo, Alexander Thoele em Basiléia.


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