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Equipe franco-suíça descobre a mais distante galáxia

Ao lado da seta em vermelho está a imagem da galáxia mais distante do mundo captada pelo telescópio da ESO no Chile (imagem: http://www.eso.org)

“Abell 1835 IR1916” está a mais de 13 bilhões de anos-luz distante da Terra. Descoberta foi possível graças a telescópio europeu em Paranal, no Chile.

Europeus quebram recorde de pesquisadores americanos.

Astrônomos franceses e suíços descobriram a galáxia mais distante do universo. Ela se chama “Abell 1835 IR1916” e está distante 13,23 bilhões de anos-luz da Terra. A revelação acaba de ser feita pelo Fundo Nacional Suíço de Pesquisa Científica, em Berna.

A descoberta foi possível graças ao “Very Large Telescope”, o telescópio do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês) em Paranal, no Chile. A galáxia foi observada num momento em que o universo tinha apenas 47 milhões de anos, ou seja, apenas três por cento da sua idade atual.

Uma galáxia é um conjunto de um bilhão ou trilhão de estrelas, onde todos os componentes giram em torno de um centro em comum.

Equipe internacional

O grupo de trabalho autor da descoberta é dirigido por Daniel Schaerer, do observatório da Universidade de Genebra, e Roser Pello, do observatório de Midi-Pyrénées, na França.

“Há três anos nós começamos esse trabalho em conjunto com os colegas de Toulouse. Um membro da equipe atua no Chile. Os dados que recebemos do telescópio em Paranal foram analisados em Toulouse”, explica Daniel Schaerer.

Explicar o “Big Bang”

A recém-descoberta galáxia pode ser um dos primeiros objetos que confirmam o fim da chamada “época da escuridão”. Ela ocorreu provavelmente há 13,7 bilhões de anos, quando uma grande explosão sacudiu o universo. Em inglês o fenômeno é conhecido como “Big Bang”.

Depois os raios dessa gigantesca “bola de fogo” foram se apagando e nem estrelas ou os chamados “quasares” conseguiam penetrar com suas luzes a imensidão do universo. Alguns milhões de anos depois surgiram as primeiras estrelas e a “renascença cósmica” acaba com a “época da escuridão”.

Na medição da distância de uma galáxia, um dos pontos fundamentais para os cientistas é o desvio da cor vermelha (“Redshift”, em inglês). Quanto mais distante está uma fonte de luz da Terra, mais vermelha ela se torna ao chegar no planeta. A razão está na grande extensão do universo: com a distância, luz emitida sofre desvios, passando para a cor espectral vermelha.

Isso significa que quanto mais intensa for a cor vermelha das emissões de luz das galáxias distantes, mais velhas elas devem ser. A galáxia descoberta pela equipe franco-suíça é a primeira a estar na escala 10. Os astrônomos calculam que ela deve ter uma massa dez mil vezes menor do que a Via Láctea.

Pesquisas continuam

Ao anunciar a descoberta, os cientistas europeus conseguiram também quebrar o recorde de americanos que, durante um congresso em Seattle em 16 de fevereiro, haviam anunciado a descoberta de uma galáxia distante 13 bilhões de anos-luz da Terra.

Daniel Schaerer, da Universidade de Genebra, pretende reiniciar as pesquisas sobre a nova galáxia a partir do início da primavera. “Nós nos interessamos pela composição química das estrelas, que compõem essa galáxia”.

Os cientistas gostariam, sobretudo de saber se as estrelas dessa galáxia são compostas de elementos químicos de base como o hidrogênio ou hélio, ou se elas possuem elementos mais pesados.

Dessa forma uma questão básica para astrônomos pode ser respondida: do que eram feitas as primeiras gerações de estrelas?

Hoje se acredita que as primeiras estrelas surgiram entre 100 e 200 milhões de anos após o “Big Bang”.

swissinfo com agências


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