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Escola abre curso de curandeirismo

Trabalhar com energia é um ofício igual aos outros? RDB

A partir de janeiro, será possível se formar em mediunidade na Suíça romanda (de expressão francesa). A ambição dessa nova escola é fazer do curandeirismo um ofício sério.

Este conteúdo foi publicado em 02. novembro 2005 - 11:08

Mesmo se a atividade está muito longe do reconhecimento oficial na Suíça, certos médicos encaminham pacientes a curandeiros.

A escola que abre suas portas em janeiro em Neuchâtel, oeste da Suíça, ambiciona proporcionar a primeira formação em mediunidade. "Porque cada pessoa pode desenvolver a sensitividade que está nela", afirma o fundador da escola, Hannes Jacob. Partido dessa idéia, o especialista em energia acredita que pode tornar o curandeiro um ofício sério e respeitado.

Na Suíça, essa prática não é nova. "O segredo" todo mundo conhece. Cada um tem um amigo que recorreu a um curandeiro ou um amigo que conhece alguém ... que "funcionou". Uma verruga que desaparece, uma hemorragia que pára de repente, uma queimadura que desaparece ... como um passe de mágica.

Trata-se de fato de um pouco de mágica. Ninguém consegue explicar o fenômeno. No entanto, alguns médicos, talvez mais numerosos do que se imagina, recorrem regularmente a esses curandeiros.

Mas é difícil medir a dimensão do fenômeno, pois não existe qualquer dado oficial e o assunto continua tabú.

Dois perfís, mesma convicção

Entre os poucos médicos que aceitam falar de sua colaboração com curandeiros está Nathalie Calame, clínica geral e homeopata em Colombier, perto de Neuchâtel:

"No vilarejo, às vezes recorro a uma senhora que pratica o segredo para queimaduras e verrugas. Para outras patologias ou problemas crônicos, às vezes proponho a meus pacientes de consultar especialistas em energia. Ao meu ver, a maioria dessas doenças podem melhorar com essas práticas", explica.

"De fato, não é tanto em função da doença que a gente decide encaminhar o paciente a um curandeiro. É em função de sua maneira de ser. Alguns pedem apenas um comprimido para ficar melhor. Outros tentaram tudo e desejam finalmente encontrar uma solução, não importa o meio", prossegue a Dra. Calame.

Ao contrário da Dra. Calame, que se diz muito aberta às medicinas complementares em geral, Helen Burach, clínica geral em Nidau, no cantão de Berna, define-se como "uma médica próxima da prática acadêmica e tradicional". Sua "tolerância frente aos outros tipos de medicina não provém de convicção pessoal."

No entato, às vezes, ela também encaminha pacientes a curandeiros, quando considera que "a medicina convencional chegou aos seus limites." E as duas médicas chegam à mesma conclusão: "freqüentemente funciona".

Resultados observados

Helen Burach cita vários exemplos em que observou melhora no estado de saúde de seus pacientes. O caso de uma criança hiperativa "que pulava e gritava durante horas sem interrupção. Depois que um curandeiro o tratou, as crises terminaram. Claro, ele continua com dificuldades na escola mas agora é capaz de acalmar-se."

Quando ela sente que os pais são reticentes à idéia de utilizar a Ritalina - um remédio objeto de controvérsias contra a hiperatividade, a Dra. Burach não exita mais em propor a intervenção de um curandeiro. "No pior dos casos, não fará mal; no melhor, a criança pode ser curada".

Outro caso observado pela médica bernense: uma mulher jovem que sofria de uma displasia do útero que podia degenerar em câncer. "Ela foi tratada por um curandeiro e três meses depois não tinha mais nada", lembra Helen Burach.

"Os mais céticos dirão que é uma simples coincidência. É verdade que às vezes há curas espontâneas. Mas tenho meu consultório há vinte anos e nunca constatei cura espontânea tão rápida. Em geral, é preciso contar entre nove meses e um ano e fazer um controle de dois em dois meses. Nesse caso, a displasia desapareceu em três meses."

Herança cartesiana

Como os médicos explicam esse fenômeno? "Eu não explico nada, responde Nathalie Calame. Mas explicar não é o que interessa. O que conta é experimentar."

"Os russos estudam há trinta anos os fenômenos paranormais em nível universitário. Na Grã-Bretanha, existem 400 escolas de mediunidade. Na Suíça romanda (de expressão francesa) ficamos muito próximos do espírito cartesiano francês", explica a médica de Neuchâtel.

"Aqui, queremos compreender antes de experimentar. Me parece uma aberração, comenta a Dra. Calame. Mas é claro que temos outras formas de inteligência como tocar, perceber etc. Se temos acesso por que não utilizar?"

Helen Burach, por sua vez, afirma "o importante é que o paciente seja ajudado. De que maneira, para mim tanto faz".

swissinfo, Alexandra Richard

Breves

A "Escola suíça de mediunidade" começará a funcionar em janeiro de 2006, em Neuchâtel.

Partindo do princípio de que a mediunidade pode ser aprendida, ela proporá cursos de cura espiritual, leitura da aura, vidência ou arte psíquica.

A formação será feita em dois anos, nos finais de semana, de 15 em 15 dias.

O curso custa 4.180 francos suíços por ano.

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