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Esporte é importante para o desenvolvimento

Adolf Ogi (à direita) e o ministro Agnelo Queiroz com a camiseta do Projeto Segundo Tempo. swissinfo.ch

O ex-presidente suíço e atual conselheiro da ONU, Adolf Ogi, está no Brasil para lançar o Ano Internacional do Esporte e da Educação Física.

Este conteúdo foi publicado em 01. fevereiro 2005 - 10:04

Em Brasília, ele discutiu políticas para a área esportiva com o presidente Lula e com o ministro dos Esportes, Agnelo Queiróz, e vai visitar projetos sociais ligados ao esporte.

Em seu primeiro dia de visitas ao Brasil, o conselheiro especial da Organização das Nações Unidas (ONU), o suíço Adolf Ogi, foi recebido nesta segunda-feira pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e pelo ministro do Esporte, Agnelo Queiroz.

Ano Internacional do Esporte

Ogi está em Brasília para lançar o Ano Internacional do Esporte e da Educação Física e discutir o esporte como ferramenta para o desenvolvimento e para a paz. Na terça-feira, a comitiva conhecerá, pessoalmente, alguns dos projetos sociais esportivos brasileiros.

Após o encontro fechado com o presidente, Adolf Ogi e Agnelo Queiroz concederam entrevista coletiva a jornalistas brasileiros no Palácio do Planalto (sede da Presidência da República).

O conselheiro explicou que a ONU trabalha com 150 projetos relacionados ao esporte – todos de suma importância. “O esporte educa o jovem. Ele aprende a respeitar o adversário, a jogar limpo e a respeitar regras”, disse Ogi.

“No meio esportivo, as crianças e jovens podem aprender com seus próprios erros. Assim, tirarão grandes lições para as decisões que terão de tomar durante suas vidas”, continuou o suíço, ex-presidente de seu país por duas vezes (1993 e 2000).

Ogi ressaltou a importância do desporto na paz mundial. Seu principal exemplo foi o amistoso entre as seleções de futebol do Brasil e Haiti, em Porto Príncipe, no dia 18 de agosto de 2004.

Paz e solidariedade

O “Jogo da Paz”, como foi batizado, assumiu um caráter de acontecimento mundial e chamou a atenção para o país mais pobre do continente americano, onde a taxa de desemprego chega a 70% e há conflitos diários entre rebeldes e governistas – a guerra civil foi “suspensa” por um dia, justamente para ver os craques da seleção em campo. “Os brasileiros deram um grande exemplo para todos os povos e mostraram que o esporte pode trabalhar para a paz”, afirmou Ogi.

“A ONU registra, hoje, 70 conflitos armados em diversos países. E pode-se ajudar muito com atos como este além, é claro, de abrir uma oportunidade para se superar os traumas de se viver em uma área de conflito”, afirmou Ogi.

Outro ponto citado pelo conselheiro da ONU foi o da solidariedade. Em casos como os dos maremotos na Ásia, em dezembro do ano passado, os esportistas podem ser garotos-propagandas de campanhas de doação – e muitos o fizeram.

No entanto, não foi só o lado positivo do esporte o assunto do encontro entre Ogi e o presidente Lula. Doping, violência, poderio financeiro e trabalho infantil entraram na pauta. O presidente prometeu especial atenção do governo brasileiro para a fiscalização e combate aos aspectos negativos ligados ao mundo esportivo.

Quanto à escolha de 2005 como o Ano Internacional do Esporte e da Educação Física, o ex-presidente suíço disse aos jornalistas que o esporte é crítico para melhorar o mundo. “Trata-se de uma ponte entre as dificuldades. Precisamos de muito apoio para disseminar a mensagem de que o esporte oferece valores importantes para os jovens”.

Projetos sociais

A visita da delegação da ONU ao Brasil mostra, também, interesse do órgão nos projetos sociais desenvolvidos pelo Ministério do Esporte. As “vitrines” brasileiras são os programas Segundo Tempo e Pintando a Liberdade.

No primeiro caso, os alunos matriculados na rede pública de ensino brasileira têm a oportunidade de cursar um segundo turno escolar, com acesso a materiais esportivos adequados, reforço educacional e noções de saúde e higiene. Já o segundo programa tem como objetivo a ressocialização e profissionalização de detentos do sistema carcerário brasileiro por meio da produção de bolas de futebol de campo, futsal e basquete.

“O trabalho do Ministério está sendo observado, mas já temos programas sendo implantados em Angola e Moçambique – e estamos em processo de adaptação no Haiti”, disse o ministro Agnelo Queiroz.

Projeto em Moçambique

De acordo com Ogi, em Moçambique, os uniformes, calçados e bolas são produzidos dentro do próprio país e, além de criar o hábito esportivo, gera diversos empregos. “A visita do sr. Adolf Ogi pode facilitar muito a disseminação destes projetos, que visam uma formação integral dos jovens e buscam a igualdade e inclusão social – diminuindo até mesmo o desemprego”, completou Queiroz.

Nesta terça-feira, o ministro mostrará, pessoalmente, os dois projetos ao conselheiro da ONU. Ogi também deve se encontrar com o representante da ONU e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil, Carlos Lopes, com o Embaixador da Suíça, Rudolf Baerfuss, e com líderes de organizações não-governamentais e acadêmicos da Universidade de Brasília.

Ao final do encontro com o ministro, um momento de descontração. Agnelo Queiroz presenteou Ogi com uma bola confeccionada pelos detentos do Núcleo Penitenciário da Papuda, em Brasília, e uma camiseta do programa Segundo Tempo.

O suíço mostrou que o futebol não é seu forte: tentou fazer algumas embaixadinhas e controlar a bola, mas sem sucesso. “Sou capaz de esquiar e subir uma montanha, mas dominar a bola é muito difícil. Vocês, brasileiros, são os melhores”, brincou.

swissinfo, Abelardo Mendes Jr., em Brasília

Breves

- Adolf Ogi foi ministro e presidente da Suíça duas vezes (1993 e 2000).

- Ele é conselheiro da ONU para o Esporte, onde trabalha com 150 projetos relacionados com o esporte.

- A intenção é usar o esporte como instrumento de paz e desenvolvimento.

- No Brasil, Ogi está lançando o Ano Internacional do Esporte e da Educação Física.

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