Apesar da recente morte de seu líder máximo, o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) está longe de ser aniquilado, e continuará sendo, durante anos, um inimigo temível, advertiram nesta quinta-feira (7) funcionários e especialistas reunidos em Paris.

No simpósio "Ameaças e desafios depois da queda do 'califado'", organizado pelo Centro de análise do terrorismo e pelo Counter Terrorism Project, todos manifestaram seu pessimismo.

"O Daesh (acrônimo árabe do EI) está liquidado? Não acredito nisso", afirmou Gilles de Kerchove, coordenador da União Europeia para a luta contra o terrorismo.

"Se trata de uma organização cada vez mais descentralizada. Assim como a Al-Qaeda, se apoia em uma série de 'franquias' no mundo todo e é muito persistente", acrescentou.

"Antes da queda de seu 'califado', tiveram tempo de investir na economia legal, como por exemplo, propriedades imobiliárias em Istambul ou empresas no Iraque", prosseguiu. "Portanto, mantêm suas receitas e não têm os mesmos custos de quando governavam seu 'califado'".

O EI conserva, segundo De Kerchove, cerca de nove mil combatentes, ativos em células clandestinas, tanto na Síria como no Iraque.

Para o diretor do Centro europeu de luta contra o terrorismo (ECTC) da Europol, Manuel Navarrete, o "Daesh representa um perigo real e atual para a UE e o mundo".

Um dos aspectos desse perigo é o retorno aos países da UE de combatentes estrangeiros que integraram as fileiras da organização jihadista, ressaltou.

"Coletamos informação: quem são, onde estão, o que fizeram, quantos retornaram? Estamos melhorando, mas lidamos com um 'tsunami' de informação e precisamos de ferramentas melhores para analisar e identificar a ameaça", explicou.

- "Não ganhamos" -

Apesar da vitória da coalizão internacional, que conseguiu recuperar os territórios ocupados pelo EI, não devemos esquecer que "as condições que permitiram o nascimento do Daesh ainda estão lá, e isso é o mais preocupante", advertiu Gilles de Kerchove.

A comunidade e as tribos sunitas, em ambos os países, ainda se consideram oprimidas e no futuro podem-se ver tentadas por um movimento jihadista, qualquer que seja seu nome, um mal menor em comparação com um poder central vergonhoso, em Damasco ou Bagdá.

Shiraz Maher, diretor do Centro internacional de estudo da radicalização do King's College de Londres, lembrou que aquelas cidades onde o EI se estabeleceu, Raqa na Síria e Mossul no Iraque, "continuam povoadas por sunitas empobrecidos e vulneráveis, e a situação piora".

"O EI continuará operando livremente nesses lugares", afirmou. "Não é uma abstração, é o caso enquanto estamos falando, continuam planejando ataques (...) Não ganhamos, inclusive estamos fazendo um trabalho muito ruim", adverte.

De Kerchove contou que em uma recente estadia na província de Anbar, no Iraque, cuja população e majoritariamente sunita, ouviu as queixas dos chefes tribais, que se consideram "abandonados por Bagdá".

"Não somos bons para antecipar o que vai acontecer", lembrou o coordenador europeu. "O EI era integrado por uma mistura de jihadistas loucos e ex-oficiais do exército de Sadam Hussein, com apoio de tribos sunitas. O problema é que agora está acontecendo a mesma coisa".

Peter Nesser, especialista em terrorismo do Centro norueguês de pesquisa sobre defesa, concluiu que o "EI continua sendo uma organização terrorista temível, com combatentes e um formidável aparato de propaganda".

Na sua opinião, a ideologia jihadista não se enfraqueceu, pelo contrário, "atraiu mais partidários nos últimos anos".

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