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Falta de tripa bovina brasileira ameaça salsicha suíça

Produção da salsicha nacional suíça depende de matéria-prima brasileira

(Keystone)

Indústria de carnes da Suíça ainda não encontrou alternativa para tripa de bovinos usada na produção da salsicha do tipo cervelas e pede o fim do embargo imposto pela UE à importação da matéria-prima brasileira.

Notícia alarmante para os consumidores da salsicha do tipo cervelas na Suíça: o embargo europeu às importações de tripa de bovinos do Brasil ameaça a produção desse produto nacional suíço. Os estoques devem durar apenas três a cinco meses.

Os suíços consomem cerca de 160 milhões de salsichas cervelas por ano. Para dar uma "embalagem comestível" às 25 mil toneladas de carne, são necessários 15 a 20 milhões de metros de tripas de bovinos – 80% dessa matéria-prima vinha do Brasil.

Em 1° de abril de 2006, a União Européia (UE) proibiu a importação da tripa brasileira. Como medida de prevenção à febre da vaca louca (BSE), os pecuaristas brasileiros são obrigados a incinerar as tripas de bovinos – uma medida adotada também em vários países europeus. Devido aos tratados bilaterais com a UE, a Suíça aderiu ao embargo.

Ameaçada de extinção

"Com isso, a salsicha nacional suíça está ameaçada de extinção", diz Andreas Wöllner, da Associação Suíça da Indústria de Carnes (SFF). Os estoques vão se esgotar em breve, adverte.

Desde a suspensão das importações, a SFF testou alternativas, mas sem obter o sucesso esperado. A tripa de porco é difícil de ser usada para esse fim, e uma pele artificial não seria comestível.

Também as importações de outros países parecem não ser a solução. O Paraguai não estaria interessado na exportação e o diâmetro da tripa de bovinos argentinos é grande demais para a cervelas suíça. Somente com o Uruguai ainda há negociações, informa Wöllner.

Fim do embargo?

A prioridade da SFF agora é retomar a importação da matéria-prima brasileira, através de uma medida de exceção da UE para a Suíça. "Só uma pequena parte da tripa de bovinos pode representar um risco de BSE", diz Wöllner. "Essa parte poderia ser cortada antes da importação. "O resto da tripa pode ser usado sem qualquer hesitação".

Segundo Wöllner, a SFF já negociou – sem sucesso – com Bruxelas. Ele pede que o assunto seja tratado junto à União Européia pela ministra da Economia da Suíça, Doris Leuthard.

Para salvar a cervelas, o presidente da SFF, Rolf Büttiker, senador do Partido Radical Democrático (FDP), conclamou o Conselho Federal (governo federal) a fazer uma nova avaliação do risco representado pelas tripas de bovinos do Brasil e a liberar novamente as importações do produto.

Büttiker pede também a definição de um prazo, porque – segundo ele – a retomada das importações precisa ser decidida logo. Do contrário, a Suíça corre o risco de ter uma Eurocopa 2008 sem a salsicha nacional.

swissinfo com agências

Restrições à carne brasileira (alemão)

A União Européia (UE) aumenta as restrições às importações de carne bovina brasileira. A partir de 31 de janeiro de 2008, será reduzido o número das empresas autorizadas a exportar o produto para o bloco.

A Suíça adere à medida no âmbito dos acordos bilaterais com a UE, informou o Departamento Federal de Veterinária (BVET, na sigla em alemão). Isso, porém, praticamente não terá efeitos para o consumidor suíço.

A UE justificou a medida alegando ter encontrado déficits de fiscalização durante controles feitos no Brasil em novembro de 2007. As autoridades brasileiras não teriam corrigido essas deficiências, segundo um comunicado da UE.

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„Rainha das salsichas suíças"

A cervelas, também conhecida como a "rainha das salsichas suíças", é considerada a salsicha nacional suíça. Cada habitante do país consome, em média, 25 unidades do produto por ano.

A cervelas contém carne bovina (27%), suína (10%), toucinho especial para salsicha (20%), pele de porco (15%) e água gelada (23%), bem como sal, cebola e diversos condimentos, segundo informa a Associação Suíça da Indústria de Carne.

Essa mistura é "embalada" em tripa de bovinos, defumada a temperaturas de 50 a 80 °C e, por último, escaldada a 75 °C.

O invólucro tem de ser um produto natural, adequado a qualquer forma de consumo. As tripas brasileiras são as que melhor atendem a essas exigências.

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