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Filtros de carbono Tecnologia suíça de túneis ajuda no controle da poluição na América Latina

Em toda a América Latina, a poluição causada pelos meios de transporte e máquinas para obra tem gerado um aumento nos problemas de saúde. Um programa suíço baseado em tecnologia desenvolvida para túneis transalpinos ajudou o Chile a se tornar líder no combate às emissões de veículos automotores.

Santiago's Costanera Center

O Centro Costanera, de Santiago, o edifício mais alto da América Latina, cercado pela poluição em 2018

(Keystone)

Recentemente, em uma tarde em um subúrbio da capital chilena Santiago, um grupo de especialistas do governo se reuniu em um canteiro de obras. Eles estavam lá para observar uma escavadeira equipada com um filtro para redução de emissões de partículas ultrafinas, o chamado carbono negro. Um novo dispositivo de medição acabava de apresentar seus primeiros resultados do desempenho do filtro.

"Dê uma olhada neste número", exclamou Stamios Pothos da firma TSI, a fabricante americana do dispositivo de medição. A escavadeira, disse ele, estava agora emitindo menos partículas do que o nível de poluição de fundo no ar, o que significa que o filtro estava "fazendo um bom trabalho".

O filtro faz parte de um programa apoiado pela Suíça, conhecido como CALAC+Link externo, que visa reduzir as emissões em quatro capitais latino-americanas através da introdução de motores sem fuligem nos transportes públicos e máquinas para obra, como escavadeiras, usadas na construção de estradas ou outras obras públicas. Além de Santiago, o projeto também opera em Bogotá, Cidade do México e Lima.

A man testing a filter

Testando um filtro

(Paula Dupraz-Dobias)

Cooperação de longa data

Na Suíça, esses filtros para redução de emissões de partículas ultrafinas começaram a ser instalados no início dos anos 90. Tendo sido a primeira do gênero no mundo, a tecnologia foi originalmente desenvolvida para combater a poluição tóxica gerada durante a construção de linhas ferroviárias transalpinas.

O Chile luta há décadas contra as consequências da poluição por partículas, tendo em vista que sua capital está localizada em um vale entre altas montanhas que retêm as emissões. Em 2011, a concentração de poluição por partículas negras em Santiago foi, em média, de 60% a 100% superior ao padrão nacional de qualidade do ar e aos padrões da Organização Mundial da Saúde. A cidade teve regularmente períodos de 24 horas em que os níveis de carbono negro subiram a até 200% acima do padrão nacional.

As autoridades chilenas começaram a se interessar pela tecnologia de filtragem suíça em meados da década de 1990.

Um projeto inicial foi elaborado pela Agência Suíça para o Desenvolvimento e Cooperação (DDC) em tratativas com o governo chileno para introduzir, com base no know-how suíço, tecnologias limpas na rede pública de ônibus Transantiago. Com a fumaça de seus tubos de escape, os ônibus de transporte público da capital estavam entre os emissores mais ostensivos de carbono negro.

Uma equipe de técnicos, incluindo Rodrigo Tapia, do Ministério dos Transportes do Chile, visitou a Suíça em 2003 para observar o uso de filtros de partículas diesel nos ônibus.

"Fomos pioneiros no uso de filtros na América Latina", afirma. "Os filtros de material particulado eram desconhecidos. Não havia manutenção da frota nem verificações regulares. Nem mesmo os fabricantes estavam preparados para as mudanças que aconteceriam".

Adaptação para a região

Nancy Manriquez, chefe da Divisão de Ar Limpo do Ministério do Meio Ambiente do Chile, acredita que a "cooperação bem-sucedida" com a Suíça foi responsável pela aprovação das normas de poluição dos ônibus em 2010.

Mas a instalação de filtros nos ônibus poluidores foi inicialmente complexa.

Robert Fraser é o CEO da Purexhaust, um fornecedor certificado de filtros que há muito trabalha com o Ministério do Meio Ambiente do Chile.  Ele disse que um projeto piloto foi introduzido quando os importadores de veículos alegaram que os filtros não seriam eficazes.

Enquanto isso, alguns operadores privados de ônibus públicos optaram por investir em novos veículos já equipados com a tecnologia de redução de emissões, devido ao alto custo da modernização. O preço dos filtros diesel para ônibus varia entre aproximadamente US$ 5.600 e US$ 8.100 (CHF 5.500 a CHF 7.961). Outras operadoras que não podiam arcar com nenhuma das opções foram incentivadas a equipar os veículos existentes com os dispositivos através ofertas para estender suas licenças como operadoras de linhas de ônibus.

Desde então, a operadora de transportes públicos de Santiago aumentou para 7.200 o número de ônibus equipados com filtros, inclusive ônibus modernizados e os importados com o equipamento já instalado. Cerca de 390 ônibus também funcionam com eletricidade, tornando a rede urbana a maior frota de ônibus elétricos de qualquer cidade fora da China.

Buses in Santiago

A instalação de filtros nos ônibus não foi fácil

(Paula Dupraz-Dobias)

O próximo objetivo é instalar mais filtros em veículos fora-de-estrada, como os utilizados na construção de estradas. Essas máquinas contribuem com 13% da poluição particulada na área metropolitana de Santiago. Em outras partes do mundo, os veículos fora-de-estrada se tornaram o foco mais recente de regulamentações mais rigorosas, com o mercado de filtros de partículas diesel devendo crescer 11% até 2025.

Embora o Chile tenha anunciado que todas as máquinas de construção de maior porte operando com contratos dos ministérios de obras públicas, da habitação e da saúde devam estar equipadas com filtros de partículas, apenas duas, incluindo a escavadeira da recente demonstração, estão atualmente equipadas. Manríquez, da divisão de ar limpo, diz que equipar todos as máquinas com filtros é "um grande desafio" que nunca foi feito antes.

Há também a questão de saber se os filtros estão funcionando.  Manríquez diz que seu país não possui atualmente um sistema para detectar com precisão as emissões em veículos equipados com filtros em uso.

Os consultores locais da Swisscontact, uma fundação suíça para o desenvolvimento internacional, têm ajudado o governo chileno a encontrar uma solução para a detecção de filtros defeituosos.

Opinião pública

Antes que os protestos de rua em Santiago levassem o presidente chileno, Sebastián Pinera, a cancelar a reunião da Cúpula das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP25) agendada para este mês, o governo havia acelerado seus planos para a atenuação da mudança climática, incluindo o CALAC+, que esperava destacar na conferência.

Mas há quem se preocupe que a crise política possa ter posto em dúvida o futuro de tais planos no Chile.  Os referendos previstos para 2020 permitirão aos cidadãos decidir se eles são favoráveis à reforma da constituição da era Pinochet, que instituiu um sistema de livre mercado para a gestão dos serviços sociais.

Os protestos foram desencadeados por uma decisão do governo, posteriormente revertida, de aumentar as tarifas nos metrôs de Santiago.

"As pessoas podem ter achado que o desenvolvimento de normas ambientais foi demasiado rápido ", diz Mark Untersander, adido comercial da embaixada suíça que também coordena projetos de cooperação internacional no Chile. “Houve quem se perguntasse: 'Por que você deveria se importar com sacolas plásticas quando não há educação?’”

Mas no Ministério dos Transportes, Tapia está confiante de que o transporte sustentável continuará a avançar apesar das incertezas políticas.

"Todos estão claramente alinhados com o que precisa ser alcançado", disse ele.

Untersander concorda. Ele acha que o sucesso do país com o programa CALAC+ ajudou os países da região a aprender com as experiências mútuas, desafiando a crença comum de que o Chile é lento para adotar novas tecnologias.

“Eles diziam: ‘Claro que funciona na Suíça, mas nunca poderia funcionar na América do Sul’”.

Este projeto, diz ele, está provando que eles estão errados.


Adaptação: DvSperling

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