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Floresta vira cemitério

Prefeitura de Zurique oferece a partir de 2003 o "enterro natural" em florestas.

(Keystone)

Cidade de Zurique oferece a partir de 2003 florestas para que pessoas espalhem cinzas de familiares e amigos depois da cremação. O aluguel por vinte anos de uma árvore familiar custa entre mil e dois mil francos.

Empresas particulares exploram também o mercado dos "enterros naturais". "Friedwald", do cantão de Zurique, tem 40 florestas e cobra até cinco mil francos suíços.

Cansados do ambiente pesado e sisudo dos cemitérios europeus, suíços procuram alternativas para o último momento de parentes que falecem. Uma delas é o chamado "enterro natural", quando familiares colocam as cinzas do falecido num orifício ao lado das raízes de um grande carvalho na floresta.

O novo projeto da prefeitura de Zurique, intitulado "Deposição de Cinzas na Floresta", disponibiliza a partir do início de 2003 duas parcelas verdes com aproximadamente 3,3 hectares cada uma, onde é possível realizar essa cerimônia. Uma das florestas localiza-se ao lado do cemitério de Hönggerberg, ao norte de Zurique, e a outra está próxima do cemitério de Leimbach, na parte sul da cidade.

200 francos para ser enterrado na mata

Os preços são módicos. Cidadãos do cantão de Zurique pagam 200 francos suíços para que as cinzas do falecido possam ser colocadas no pé de uma árvore coletiva durante vinte anos. Pessoas de outros cantões e estrangeiros pagam 338 francos suíços.

Para famílias que procuram um pouco mais de exclusividade, a prefeitura oferece também serviços especiais. "Nós também alugamos árvores privativas, onde cinzas de membros de uma família possam ser colocadas, assim como num mausoléu privado", explica Sergio Gut, diretor do Departamento de Enterros de Zurique. Esse serviço custa mil francos para os habitantes do cantão e dois mil para estrangeiros.

Nas "florestas-cemitério" não existem cercas

A diferença entre o enterro de cemitério e o "enterro natural" nas florestas é grande: na mata suíça é proibido colocar cercas, placas, lápides ou flores, e não há nada que impeça a entrada de turistas ou atletas.

O espaço pertence ao domínio publico. O cortejo fúnebre, nesse caso, atravessa pela floresta em silêncio carregando a urna até a arvore escolhida. Depois as cinzas são colocadas dentro de um buraco, feito ao lado das suas raízes. A árvore é marcada pelo funcionário e a família pode, então, visitar durante 20 anos o local onde seu parente foi enterrado. "Depois desse período, é possível também fazer uma prolongação", afirma Gut.

A iniciativa da prefeitura de Zurique não foi bem recebida pela concorrência. "Eu acho uma falta de respeito da prefeitura de Zurique: com seu poder, entrar num mercado em concorrência contra uma pequena empresa, que já trabalha há anos nesse setor e patenteou inclusive essa idéia. Estamos consultando nossos advogados para saber se iremos processá-los", declara Uli Sauter, diretor da "Friedwald".

"Enterro natural" é uma idéia patenteada

O engenheiro elétrico Sauter, um suíço de Thurgau, criou sua empresa em 1999, depois de conseguir passar por todos os trâmites burocráticos para patentear a idéia dos "enterros naturais" em toda a Europa. Administrando 40 pequenas florestas, que pertencem a prefeituras ou particulares, a "Friedwald" já dispõe até de filiais na Alemanha.

Junto com sua esposa, Sauter aluga árvores particulares para famílias, onde todos os seus integrantes podem ser enterrados. "Quando as cinzas são colocadas do lado das raízes de uma árvore, essas pessoas retornam finalmente à natureza, de onde todos nós somos originários", descreve o ex-engenheiro. O aluguel de uma árvore nas parcelas da "Friedwald" tem uma duração de 99 anos e custa entre 4 e 5 mil francos suíços.

swissinfo, Alexander Thoele


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