Cultura

Quantos idiomas falam os suíços?

"Röstigraben" (tradução: fosso do Rösti) ou "Polentagraben" (fosso da Polenta) são expressões utilizadas pelos suíços para definir suas fronteiras idiomáticas. Isso ocorre ao sair da parte germanófona para entrar na francófona ou italófona. Porém a realidade é menos clara. O cenário cultural do país está linguisticamente entrelaçado e em constante mudança.

Paula Troxler (ilustração)

"A migração econômica à Suíça sempre teve uma grande influência sobre os idiomas falados" explica Renata Coray, do Instituto de Multilinguíssimo da Universidade de Friburgo.

Na Suíça falam-se quatro idiomas: alemão (falado por 63% da população), francês (23%), italiano (8%) e reto-romano (0.5%). O reto-romano só é considerado uma língua oficial no cantão dos Grisões, mas é utilizado também na tradução de diversos documentos oficiais da Confederação. Nos últimos anos ocorreu um leve aumento no número de falantes de francês e inglês e uma pequena queda na comunidade germanófona.

Isso não significa que os suíços alternem constantemente entre os idiomas, embora a maioria use regularmente mais de um, seja em casa ou no trabalho. Um estudo do governo, realizado em 2014, analisou os suíços com 15 anos ou mais e constatou que as pessoas mais propensas a usar mais de uma língua eram: (1º) as que tinham formação universitária (76%), (2º) as que pertencem à faixa etária entre 15 e 24 anos (79%) e, (3º), aqueles que têm uma ocupação profissional (72%). Além disso, descobriu-se que 84% dos imigrantes e seus descendentes são multilíngues.

Um ponto sensível é a questão do ensino do inglês nas escolas. Muitos pais, e por vezes as próprias crianças, preferem aprender o inglês a outro idioma nacional. A importância e utilidade da língua franca mundial é uma das razões. Porém muitos suíços se preocupam com a coesão nacional, especialmente se os idiomas nacionais não forem ensinados na escola. 

Afora as discussões sobre o currículo escolar, o fato é que se fala cada vez mais inglês na Suíça. Não apenas a imigração crescente de expatriados originários de países anglófonos, mas também o uso do idioma se tornou um padrão nas multinacionais ou mesmo entre os próprios suíços. Se vêm de diferentes regiões linguísticas, é mais fácil utilizar a língua de Shakespeare. Ela entra também no alemão através de novos termos, gírias ou expressões. 

E o inglês não é o único idioma estrangeiro a “invadir” o país dos Alpes: o português e o albanês também sãos as principais línguas de milhares de imigrantes. Mas, a migração é responsável pela queda na proporção de pessoas que falam as línguas nacionais como primeira língua? Sim e não. 

Um setor onde problemas de interpretação ou má compreensão pode causar problemas é, sem dúvida, a política. Como as autoridades podem assegurar que parlamentares estão acompanhando a mesma página ou entendem as propostas em votação? No Conselho Nacional (Câmara dos Deputados), muitos deputados preferem falar o alemão castiço ao invés de dialeto. Pelo menos muitos colegas aprenderam o alemão na escola. No Palácio Federal (sede do Congresso e Poder Executivo) em Berna trabalham também muitos intérpretes. 

"Fiquei bastante nervoso na primeira vez que fiz esse trabalho", lembra-se o tradutor e intérprete Hans Martin Jörimann, com experiência de quatorze anos no Parlamento. "Os discursos proferidos não me impressionaram tanto. O maior desafio era compreender o contexto e o jargão técnico. Uma vez que você entende, fica tudo mais fácil". 

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