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Friburgo lança pontes para integração



Como a futura ponte de la Poya, a campanha do cantão de Friburgo procura aproximar suas diversas comunidades linguísticas.

Como a futura ponte de la Poya, a campanha do cantão de Friburgo procura aproximar suas diversas comunidades linguísticas.

(swissinfo.ch)

A comunidade portuguesa, a maior do cantão, foi uma das primeiras a participar de um projeto sobre segurança rodoviária para imigrantes.

A ação é dirigida diretamente às comunidades estrangeiras do cantão sob o lema "Conduzir na Suíça". Pela primeira vez no país, representantes da polícia e do departamento estadual de trânsito procuram conscientizar os motoristas estrangeiros em seu próprio idioma.

A iniciativa foi organizada pela Secretaria de Integração de Migrantes e Prevenção do Racismo e financiada pelo Departamento Estadual de Trânsito (OCN, na sigla em francês).

Dois encontros foram realizados no sábado, 26 de novembro, com o objetivo de conscientizar as duas principais comunidades estrangeiras do cantão sobre questões de segurança rodoviária e particularidades ligadas ao trânsito suíço.

Assim, imigrantes dos Bálcãs e de Portugal puderam assistir a filmes e apresentações relacionadas ao tema em albanês, na parte da manhã, e português, na parte da tarde.

O evento, apesar da pouca participação, ocorreu em um ambiente descontraído e serviu de vitrine para as comunidades. Após as apresentações, houve degustação de especialidades típicas e grupos de música de cada país. A ausência proposital de bebida alcóolica serviu de lembrete para o dilema beber ou conduzir.

De um país a outro

Segundo os organizadores do evento, os imigrantes recém chegados à Suíça geralmente conservam hábitos de conduzir que podem variar bastante de um país a outro.

A fim de evitar de maneira eficaz eventuais deslizes às regras de trânsito da Suíça, o que poderia gerar consequências negativas para os imigrantes como um todo, a Secretaria de Integração de Migrantes e Prevenção do Racismo do estado preferiu abordar a questão diretamente com as comunidades estrangeiras.

Portugueses e albaneses foram os primeiros a serem visados pela campanha, já que são as duas maiores comunidades do estado. Os portugueses, principalmente, que são três vezes superiores aos 6 mil albaneses que moram no cantão de Friburgo.

A ideia central da campanha é a de atingir o público alvo sem estigmatiza-lo. Para isso, os organizadores contaram com a colaboração da associação REPER, especialista no tratamento de comportamentos de riscos.

Um percurso para sensibilizar os participantes aos efeitos do álcool foi montado pela associação. Munidos de um óculos especial que altera a visão, para reproduzir a sensação de terem bebido, os participantes caminhavam ao longo de uma linha amarela, ziguezagueando e esbarrando nos obstáculos, que poderiam ser um poste ou uma criança se estivessem dirigindo de verdade.

Arma carregada

Um simulador de direção ajudou a conscientizar do perigo causado pela falta de atenção, o cansaço ao volante e o excesso de velocidade. Principais comportamentos de risco nas estradas suíças, junto com o abuso do álcool, que causam acidentes e multas pesadas.

Segundo o responsável de prevenção de acidentes do OCN, André Demierre, o estado registra, por ano, 25 mil infrações graves ao código de trânsito. Segundo ele, em 2010, foram apreendidas em todo o país 85 mil cartas de condução devido à falta de atenção dos motoristas.

“Conduzir um veículo hoje é como passear com uma arma carregada”, alertou Demierre, em bom português, para deixar bem claro a gravidade do assunto. Segundo ele, uma habilitação é apreendida a cada duas horas, só no cantão de Friburgo.

Os motoristas estrangeiros participam em mais de trinta por cento dessas estatísticas e, entre eles, mais de vinte e cinco por cento são portugueses. Demierre procurou integrá-los ao todo, lembrando que “a estrada é como um enorme bolo que devemos dividir com os outros”, declarou em português.

O representante do departamento estadual de trânsito preferiu não tomar atalhos ou desvios para ir direto à questão principal: “Estamos condenados a andar todos juntos”, confessou.

Dificuldades com idioma

Representantes da polícia também estavam presentes e respondiam às questões dos participantes, em francês ou alemão. As autoridades disseram estar “conscientes das dificuldades ligadas ao idioma”, revelou Demierre, em seu discurso em português.

Brochuras especialmente editadas em português e albanês foram distribuídas e farão agora parte do material de prevenção de acidentes do estado. André Demierre lembrou que a Suíça é o país mais severo da Europa na questão do respeito das leis de trânsito.

Graças ao seu sistema de prevenção, o país conseguiu reduzir consideravelmente o número de mortes nas estradas. Segundo o responsável da polícia rodoviária estadual, Gilbert Baeriswyl, esse número passou na Suíça de 1694, em 1970, para 327, em 2010.

Apesar da pouca participação ao encontro de sábado, o cantão de Friburgo abre um caminho que poderá também servir para outros estados do país. Como explica Bernard Tétard, responsável pela integração dos imigrantes no estado, “uma árvore não dá seus mais belos frutos no ano em que é plantada”.

Acidente

Um acidente em uma auto-estrada do cantão de Friburgo, ocorrido três dias antes do encontro de prevenção rodoviária, provocou a batida de 10 carros, um atrás do outro, em cima de uma ponte.

O acidente aconteceu às 6:40 da manhã e o gelo parece ter sido, se não a causa, um agravante da circunstância. Entre as principais vítimas estavam alguns portugueses a caminho do trabalho.

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A campanha

Para sensibilizar os portugueses na Suíça, o cantão de Friburgo contou com o auxílio da campanha lançada pela Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP) sob o lema “Quanto mais depressa mais devagar”.

A campanha elegeu a própria realidade como eixo de comunicação e que traz o testemunho de pessoas que, em consequência de um acidente de viação, tiveram de reaprender a viver.

Um testemunho que permite dar um rosto aos números muitas vezes divulgados, os quais, embora apresentem um decréscimo significativo na última década, continuam a fazer de Portugal um dos países da União Europeia com maior taxa de mortalidade nas estradas.

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swissinfo.ch


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