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Futuro da imprensa escrita Jornal vira produto de luxo



Segundo Serge Michel, "todos os jornais sofrem com a crise".

Segundo Serge Michel, "todos os jornais sofrem com a crise".

(AFP)

Diretor- adjunto das redações do Le Monde, o suíço Serge Michel está no centro das transformações do mais prestigioso jornal francês. Na entrevista a seguir, ele fala da nova fórmula do jornal e dos desafios da internet tendo como pano de fundo a grave crise econômica.

Chamado por Erik Izraelewicz, o diretor do Le Monde que morreu repentinamente dia 17 de novembro, Serge Michel divide seu tempo entre a fabricação do jornal e o desenvolvimento do site internet. “É bastante trabalho, mas é fascinante”, diz o repórter de 43 anos, acostumado tanto a grandes espaços do Oriente Médio e da África quanto à vida de redação.

No prédio da rua Auguste Blanqui, os jornalistas do “papel” coabitam agora com os redatores do site web, cuja média de idade e bem mais jovem. Dois mundos à parte? Duas facetas do mesmo ofício, afirma Serge Michel, mas conservando a identidade de cada um.

swissinfo.ch: Como vai o Le Monde?

Serge Michel: Pelo segundo ano consecutivo, as contas do jornal e do site estão equilibradas. O período em que vivem os jornais é ao mesmo tempo apaixonante e difícil. O ofício de jornalista, os utensílios de trabalho, os suportes se transformam de maneira simultânea. Tudo isso em plena crise econômica.

Nos quatro segmentos que compõem o Le Monde – redação, impressão, distribuição e difusão – as três últimas não estão em grande forma. A distribuição especialmente está sofrendo. As bancas têm dificuldade em sobreviver. Mil bancas, de um total de 30 mil, fecham por ano.  Por isso, seria absurdo pretender que somente por causa do primeiro segmento, a redação, que a outra ponta da cadeia de produção está mal.

swissinfo.ch: Como o Le Monde, onde a cultura do escrito, do jornal de papel tem tanta importância, se adapta às novas tecnologias?

S.M.: As equipes do site e do jornal colaboram melhor através de projetos particulares, por exemplo a eleição presidencial, ou em grandes eventos esportivos. Doravante, há um redator web em cada editoria do jornal, para produzir conteúdos durante a jornada. Lembro que três anos atrás, as duas redações não estavam no mesmo endereço. Por enquanto, são duas empresas distintas, com estatutos diferentes para os assalariados, que queremos harmonizar.

Ao invés de fusão de equipes, acho que é melhor falar de uma reorganização de todas as forças disponíveis. Isso porque cada suporte terá sempre necessidade de redatores específicos: o jornal, as revistas, o web, o celular ou mesmo e-books e novas telas.

swissinfo.ch: Qual é a audiência do site?

Tenho números de outubro: 91 milhões de visitas, 28 milhões delas no celular, e 467 milhões de páginas vistas, entre elas 189 milhões em celulares, incluindo tabletes. Isso nos coloca em segundo lugar atrás do Figaro e o conjunto de sites agregados por esse concorrente.

Todos os nossos números estão crescendo. O site tem um modelo misto, gratuito e pago. Temos 40 mil assinantes, o que já é muito bom, mas nosso objetivo é ter 200 mil assinantes dentro de dois ou três anos.

swissinfo.ch: Por que não ter uma redação única?

S.M.: Primeiro é preciso responder as questões básicas: que conteúdos, para que suporte, produzidos por quem? Depois conceber uma organização ideal para isso. Por enquanto, cada redação tem uma temporalidade distinta e está difícil encontrar um nicho comum. O Le Monde é um vespertino. A reunião de pauta é às 7:30 e nos fechamos às 10:30. Nos reunimos às 15:30 para preparar a edição do dia seguinte. A internet se reúne às 9:15, no momento em que “papel” está em fase de fechamento.

Mas os ritmos evoluem. Os jornalistas do Le Monde, que haviam integrado de maneira quase biológica o fechamento de manhã, deitando cedo e levantando cedo, ou trabalham frequentemente até tarde da noite, se adaptam à atemporalidade da internet. De uma certa maneira, isso lembra a época em que o Le Monde tinha três edições diárias.

swissinfo.ch: O Financial Times Alemanha vai desaparecer. France Soir fechou e o jornal econômico Tribuna se concentra na internet com uma versão semanal em papel. Os diários são mais frágeis?

S.M. : Todo mundo sofre, até mesmo os jornais gratuitos. France Soir e A Tribuna tiveram grandes problemas com mudança de proprietários. Nossos acionistas, que mudaram há dois anos, são atualmente estáveis.

swissinfo.ch: O jornal impresso tornou-se um produto de luxo?

S.M. : Digamos que é o segmento “mais alto” de uma produção de múltiplas formas. Os leitores reclamam um conteúdo rico. Quando acrescentamos à edição de sábado vários suplementos – ciências e tecnologia, cultura e ideias e esporte e forma – e melhoramos a revista M, os leitores acompanharam, apesar do aumento do preço para 3,50 euros.

MORTE DE UM DIRETOR

Vítima de um ataque cardíaco dia 27 de novembro quando estava em sua sala no Le Monde, Erik Izraelewicz, 58 anos, n’aura foi diretor do jornal durante somente um ano e meio.

Antes de assumir no Le Monde, em fevereiro de 2011,

Erik Izraelewicz tinha trabalhado nas editorias de Economia e foi redator-chefe de dois jornais franceses de economia: Echos e A Tribuna.

Alain Frachon, que até agora era diretor editorial assume como interino. Os acionistas majoritários Pierre Bergé, Xavier Niel e Mathieu Pigasse, proporão até o final deste ano a nomeação de um novo diretor, que será submetido à aprovação do conselho de controle e à validação da Sociedade de Redatores, conforme os estatutos do jornal.

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SERGE MICHEL

1969: nasce em à Yverdon, oeste da Suíça.

1989: primeiras reportagens na Europa do Leste e no Oriente Médio para o Jornal de Genebra.

1992-93: percorre as estradas da Europa com o fotógrafo Yves Leresche. A série e publicada no Jornal de Genebra e no Correio Internacional e é objeto de uma exposição do Museu do Eliseu em Lausanne (especializado em fotografia) e de um primeiro livro.

1995: bacharel em ciências políticas pela Universidade de Genebra.

1996-98: correspondente em Zurique para o diário Le Nouveau Quotidien.

1999: correspondente em Teerã para os jornais Le Temps, Le Figaro e Le Point.

2001: Prix Albert Londres pour ses reportages en Iran.

2002: correspondante em Belgrado.

2004-06: chefe da editoria estrangeiro da revista Hebdo, lançamento do Bondy Blog.

2006-08: correspondente na África Ocidental para o Le Monde.

2010: redator-chefe adjunto do jornal suíço Le Temps.

2011 : diretor-adjunto do LeMonde.

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Adaptaçao: Claudinê Gonçalves, swissinfo.ch


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