Futuro do TikTok nos EUA é cada vez mais incerto

Imagem mostra logo da ByteDance na entrada de um escritório da empresa em Pequim, 8 de julho de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 02. agosto 2020 - 01:05
(AFP)

As negociações entre a gigante da informática Microsoft e o aplicativo TikTok ficaram em ponto morto neste sábado (1), segundo o jornal The Wall Street Journal (WSJ), porque o presidente Donald Trump se opõe a que um grupo americano compre a plataforma de origem chinesa.

Washington suspeita que o popular aplicativo de vídeos de entretenimento, de propriedade do grupo chinês ByteDance, compartilhe seus dados com Pequim, o que a companhia sempre negou.

Após semanas de boatos e pressões, a Casa Branca havia informado na sexta-feira que Trump se dispunha a assinar uma ordem oficial para obrigar a ByteDance a se separar do TikTok, em nome da proteção da segurança nacional.

E vários veículos de imprensa asseguraram que a Microsoft estava em negociações avançadas para a compra do aplicativo, que tem quase um bilhão de usuários no mundo.

Mas na sexta-feira à noite, a bordo do avião presidencial, o presidente disse que ia "vetar o TikTok nos Estados Unidos" e afirmou a jornalistas que se opunha a que um grupo de seu país comprasse as atividades americanas do aplicativo.

"Tenho esse poder (de proibir o TikTok)", assegurou. "Posso fazê-lo com um decreto".

A rede social tentou tranquilizar seus usuários americanos neste sábado.

"Estamos aqui para ficar", afirmou Vanessa Pappas, encarregada do braço americano do aplicativo. "Escutamos seu apoio crescente e queremos agradecer. Não temos planos de ir embora", insistiu em um vídeo postado no TikTok.

- Americanização -

A plataforma, onde são publicados sobretudo vídeos musicais curtos, se popularizou ainda mais durante os meses de pandemia.

Segundo o WSJ, as negociações entre a Microsoft e o TikTok poderiam ter terminado com um acordo na segunda-feira, mas as duas companhias querem primeiro saber se a Casa Branca prevê impedir uma transação.

"Embora não comentemos as especulações, confiamos no sucesso de longo prazo do Tiktok" nos Estados Unidos, informou o grupo após a publicação de notícias sobre as negociações com a Microsoft.

Nos últimos meses, a rede social vem tentando demonstrar que sua identidade e práticas estão muito arraigadas nos Estados Unidos.

Em 1º de junho, Kevin Mayer, ex-diretor das plataformas de streaming da Disney (Disney+, Hulu y ESPN+), assumiu a chefia do TikTok.

Mayer é encarregado de supervisionar as vendas, o marketing, as relações públicas, a segurança, a moderação do conteúdo e temas judiciais da empresa, sob controle direto de Zhang Yiming, fundador e diretor-executivo da ByteDance.

No começo de julho, o aplicativo interrompeu suas atividades em Hong Kong, devido à recente lei de segurança nacional imposta por Pequim, que dá mais poder à polícia chinesa para agir na ex-colônia britânica e vigiar a população.

Uma decisão seguida da adotada pelas grandes redes sociais californianas, Facebook, YouTube (Google) e Twitter, que anunciaram que deixariam de responder as solicitações por informações sobre seus usuários emitidas pelas autoridades de Hong Kong.

Mas os esforços do TikTok não convenceram o governo americano.

"Devemos estar atentos ao risco de que transfiram dados privados e confidenciais a governos abusivos, inclusive o nosso", alertou neste sábado Jennifer Granick, da poderosa organização de defesa dos direitos civis ACLU, ao comentar o assunto.

No entanto, ela destacou que "proibir uma plataforma, mesmo sendo legalmente possível, prejudica a liberdade de expressão on-line e não faz pada para abordar o problema mais amplo da vigilância governamental injustificada".

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