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Geleiras suíças diminuíram 12% desde 1999

Perspectivas sombrias para as geleiras suíças, como a de Aletsch

As geleiras dos Alpes suíços perderam 12% de seu volume nos últimos dez anos, concluíram pesquisadores da Escola Politécnica Federal (ETH) de Zurique com base num novo método de medição.

Este conteúdo foi publicado em 23. junho 2009 - 00:24

Segundo um estudo de cientistas da ETH publicado na atual edição da revista Global and Planetary Change, a água armazenada nas geleiras do país corresponde a dois terços do Lago de Genebra. Os números são considerados inquietantes.

Até agora só existiam estimativas sobre o volume das geleiras dos Alpes suíços e de suas modificações nos últimos anos. Uma equipe de cientistas coordenada por Martin Funk, do Departamento de Glaciologia do Instituto Experimental de Hidrologia e Glaciologia da ETH de Zurique, desenvolveu um novo método para determinar o volume de gelo de uma geleira.

Os pesquisadores basearam seu trabalho na Lei da Conservação das Massas, segundo a qual, o balanço de massa superficial tem de ser compensado pelo fluxo de gelo e pela alteração da espessura do gelo. Assim os pesquisadores conseguem calcular o volume de gelo só com base na topografia da superfície da geleira e na distribuição estimada do balanço de massa superficial.

Ao contrário das estimativas feitas anteriormente, com esse método pela primeira vez é reconhecível a distribuição espacial da espessura de uma geleira, explicou Funk à agência de notícias AP. O cálculo do volume atual de gelo é o principal indicador para poder fazer previsões sobre futuras mudanças das geleiras, acrescentou.

Dados inquietantes



O método foi aplicado às 59 geleiras suíças que em 1999 tinha tamanho superior a três quilômetros quadrados. Para as demais 1400 geleiras da Suíça, os pesquisadores deduziram o volume de gelo a partir de uma fórmula empírica de área-volume.

Com base nesses cálculos, eles concluíram que em 1999 as geleiras suíças tinham um volume total de 74 km3 (com uma margem de erro de +/- 9 km3). Todas juntas as geleiras suíças tinham na época um volume menor do que o Lago de Genebra, que contém 89 km3 de água.

Cerca de 88% do gelo estava armazenado nas 59 geleiras maiores. Só as geleiras da região de Aletsch – declarada patrimônio natural da humanidade pela Unesco – continham 24% do gelo existente na Suíça.

Na última década, a mais quente dos últimos 150 anos, as geleiras suíças perderam 9 km3 de gelo ou 12% de seu volume, conforme concluíram os pesquisadores da ETH – 2,6 km3 só no verão de 2003.

Segundo um comunicado publicado nesta segunda-feira (22/6) pela ETH, os dados são inquietantes. "Porque o clima continua esquentando e para os Alpes suíços é esperado um aumento de temperatura de 1,8 graus centígrados no inverno e de 2,7 °C no verão até 2050."

A evolução das geleiras suíças é observada e documentada desde 1880. Desde o fim da última pequena Era Glacial em 1850, as geleiras estão derretendo. Em 1999, quando foi feito o último inventário das geleiras suíças, elas ocupavam uma área de 1063 quilômetros quadrados e tinham uma espessura média de 70 metros, informa a ETH

swissinfo.ch com agências e ETH

Tendência global

As geleiras continuam derretendo rapidamente em todo o mundo. É o que mostram dados divulgados no início deste ano pelo Serviço Mundial de Observação das Geleiras (WGMS) da Universidade de Zurique. Nos Alpes, elas sofreram recuos dramáticos de 2,5 a 3 metros em 2007. Em algumas regiões dos EUA e da Escandinávia, elas cresceram.

Segundo dados preliminares coletados em cerca de 80 geleiras, em média elas perderam mais de 70 cm de gelo em 2007, "o que não é tão extremo como em 2006″, diz um comunicado do WGMS. Isso é atribuído às grandes diferenças entre as regiões geladas.

A espessura das geleiras próximas à costa da Escandinávia, por exemplo, aumentou cerca de 1 m em 2007. Também da América do Norte vieram dados positivos. Já na América do Sul todas as geleiras perderam volume. Em relação aos anos de 1980 e 1990, o índice de derretimento das geleiras dobrou mundialmente.

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