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Governo suíço é duramente criticado por política hesitante de vacinação

As primeiras vacinas contra a Covid-19 na Suíça começaram a ser ministradas em 23 de dezembro. Keystone / Jean-christophe Bott

As autoridades suíças estão sob fogo cerrado, criticadas por sua estratégia "hesitante" de compra de vacinas e por sua lenta implementação.

Este conteúdo foi publicado em 04. janeiro 2021 - 09:18
NZZ am Sonntag/SonntagsZeitung/SonntagsBlick/Keystone-SDA/sb

"A Suíça tem jogado apenas de forma tática e só encomendou dos fabricantes potenciais uma fração das vacinas de que realmente precisa", declarou Andreas Faller, ex-vice-diretor do Departamento Federal de Saúde Pública (BAG, nas iniciais em alemão), no jornal SonntagsZeitung, em 3 de janeiro.
"A Suíça deveria ter assumido um certo risco ao encomendar uma quantidade suficiente de cada fabricante para toda a população. As pessoas estão morrendo, a economia está prejudicada, cada minuto é precioso. É incompreensível que o BAG tenha sido tão hesitante em comprar a vacina".

O objetivo do governo suíço é inocular seis milhões de pessoas até o verão, o que significa até 70.000 doses de vacina por dia. Onze dos 26 cantões do país já haviam começado a administrar doses de vacina ainda no final de 2020. Uma outra campanha, incluindo Zurique - a maior região da Suíça - está começando nesta segunda-feira, 4 de janeiro.

A Suíça reservou 15,8 milhões de doses de vacinas de três fabricantes diferentes. Até agora, recebeu um lote inicial de 107.000 vacinas Covid-19; outras 250.000 virão em janeiro. As primeiras vacinações começaram em 23 de dezembro, com os cantões antecipando suas campanhas de vacinação.

Rudolf Minsch, economista-chefe do influente grupo de lobby empresarial ÉconomieSuisse, também lamentou a lenta implementação da vacina e seu potencial impacto na economia.

"A Suíça tem o segundo sistema de saúde mais caro do mundo. Se não conseguirmos vacinar a população até o verão, eu não entendo mais nada", disse ele ao jornal NZZ am Sonntag.

Atrasos "imperdoáveis"

Um editorial no jornal de domingo foi mordaz sobre a campanha nacional de vacinação.

"Vários cantões ainda estão nas etapas preparatórias de uma campanha de vacinação que era previsível há muito tempo. Em particular, o sistema de registro necessário - estamos falando de um software padrão - não está disponível em todos os lugares. Isto é imperdoável", diz a nota.

Em uma entrevista separada no jornal SonntagsBlick de domingo passado, o presidente suíço Guy Parmelin admitiu erros na gestão da pandemia.

"Entre julho e setembro, subestimamos a situação", disse ele.

O novo presidente da Confederação admitiu que a coordenação e o entendimento entre as autoridades federais e os cantões nem sempre foram ótimos. "Foi e nem sempre é fácil", disse ele.

"As medidas [contra a Covid] tomadas sempre foram uma ponderação de interesses entre saúde, economia e atitude da população. Nem tudo é preto no branco", acrescentou Parmelin.

O SonntagsBlick informou entretanto que a porcentagem de pessoas dispostas a serem vacinadas na Suíça aumentou de 41% para 50%, de acordo com uma pesquisa da Universidade de Zurique. Mas quase uma em cada três pessoas pesquisadas disse que não queria ser vacinada atualmente e cerca de 20% ainda estavam indecisas.

Entre aqueles com mais de 50 anos, quase 60% afirmam que querem ser vacinados. Entre os jovens de 15 a 49 anos, apenas 40% estão dispostos a serem vacinados. Enquanto cerca de 56% dos homens estão abertos a uma vacinação contra a Covid, apenas 43% das mulheres estão dispostas, segundo o relatório.


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