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Greenpeace quer redução de veículos 4x4

Para o Greenpeace, há um excesso desnecessário de veículos 4x4. Keystone

Os carros de tração nas quatro rodas “produzem 35% a mais de CO2 que um carro novo de tamanho médio”, agravando o problema da poluição.

Este conteúdo foi publicado em 24. outubro 2003 - 15:40

Greenpeace está empenhado em reduzir o número desses veículos que aumentaram 150% na Suíça nos últimos seis anos.

Com a justificativa de melhorar a ar que respiramos, a seção suíça de Greenpeace acaba de lançar, em Zurique, uma campanha visando a reduzir o número de veículos 4x4, que tiveram aumento surpreendente na Suíça.

Greenpeace indica que desde 1996, a proporção dos 4x4 passou de 3% a 8% dos carros novos, “um boom de 150%, em seis anos”.

Limite de 3%

Como o tráfego automobilístico é responsável por, pelo menos, um terço das emissões de CO2 (dióxido de carbono), e como os carros de tração 4 rodas são mais poluentes, a organização ecológica acha necessário limitar o número desses veículos ao estrito necessário. Considera 3% o limite de carros do gênero que são realmente úteis.

Greenpeace tem outro argumento: pesquisa de Peter Marti, da empresa suíça Metron Verkhrsplanung AG, revela que o parque automobilístico suíço de carros novos emite mais CO2 que o do países vizinhos europeus.

Segundo Kaspar Schuler, diretor de Greenpeace Suíça, “é preciso impedir que a compra de veículos 4x4 aniquilem as reduções de CO2”. Por esse motivo, incita os importadores a limitarem a importação desses veículos a 3% dos carros novos, até meados de 2004.

Caso contrário, a organização está a fim de apelar ao governo a tomar as medidas necessárias.

“Inaplicável”

A reação de meios interessados – que defendem a indústria do setor – é bastante negativa em relação ao apelo de Greenpeace. Tony Wohlgensinger, presidente Auto-Schweiz (Associação dos Importadores Suíços de Automóveis), estima que a proposta de Greenpeace não faz sentido e é impossível de aplicar.

Ele afirma que a Associação não tem monopólio das importações e que associações membros podem importar carros diretamente.

“Que critérios aplicar?”, indaga Wohlgensinger.

Se não cita a segurança (maior estabilidade e o fato de que em caso de colisão quem se encontra em veículos 4x4 em geral se sai melhor), o presidente de Auto-Schweiz aponta dois motivos freqüentes que motivam a compra: a necessidade de um veículo para rebocar, e o fato de se dispor de melhor vista sobre a estrada, “qualidade apreciada particularmente pelas mulheres”.

Oferta cresce

Ele se pergunta se alguém que, por exemplo, tem um chalé na montanha ou um barco a transportar possa fazer prevalecer esses critérios na compra de um veículo de tração quatro rodas.

Lembra ainda que há uns 20 anos “havia 3 modelos na Suíça”. Hoje são cerca de 20, inclusive BMW e Mercedes que, como as outras marcas, “seguiram o exemplo dos japoneses”.

E constata que “os fabricantes que exportavam para os Estados Unidos (grandes consumidores de 4x4) passaram a exportar também para a Europa...”.

Greenpeace não se abala. Para rebocar, por exemplo, basta comprar um veículo com a potência necessária, relativiza Clément Tolusso, porta-voz da organização.

Touring Club fala de simples “manobra”

Tolusso denuncia também em particular a publicidade que apresenta os veículos 4x4 como um ingrediente de uma “life style” (estilo de vida) que seria garantia de sucesso. Sucesso com as mulheres, por exemplo, o que considera ridículo.

Para Patrick Eperon, chefe de campanha política do Touring Clube Suíço, a iniciativa de Greenpeace é “uma manobra da organização para se projetar através da mídia”.

Ele observa que uma interdição de importação violaria os acordos que a Suíça assinou na Organização Mundial do Comércio e infringiria a liberdade de comércio e indústria.

Protocolo de Kyoto esquecido

Lembra ainda que em matéria de compromisso para reduzir a poluição pelo CO2, a Suíça ratificou o protocolo de Kyoto, o que não fizeram nem os Estados Unidos, nem o Japão.

Mas Clément Tolusso permanece imperturbável no tocante a acordos com a OMC, estimando que justamente acordos relativos ao meio ambiente devam prevalecer, porque estão em jogo lances de importância muito maior.

No que diz respeito ao Protocolo de Kyoto, vale registrar, porém, que segundo estudo recente da Politécnica de Zurique (EPFZ) as emissões de CO2, derivadas de agentes energéticos fósseis, na Suíça, vão diminuir de apenas 1,3% nos próximos oito anos.

Isso significa que o país não deverá cumprir o Protocolo, que a Suíça ratificou, e que prevê uma redução de 8% das emissões dióxido de carbono, entre 2008 e 2012. Redução relacionada com o nível das emissões registradas em 1990. (Veja matérias, acima, em “sobre o mesmo assunto”).

swissinfo, J.Gabriel Barbosa

Breves

- Na Suíça atualmente, os carros vendidos não podem consumir em média mais de 8 litros de combustível por 100 km rodados.

As autoridades assinaram acordo com os meios automobilísticos prevendo que essa média baixe a 6.4 litros em 2008.

- 1 litro de gasolina produz 2,34 kg de CO2. E um litro de Diesel 2,6 kg de C02.

- O Protocolo de Kyoto visa reduzir 6 gases que produzem o efeito estufa.

- A lei suíça sobre CO2 diz respeito à redução de agentes fósseis, que também contribuem para diminuição do efeito estufa.

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