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Grupo jihadista anuncia criação de ‘califado islâmico’

(11 jun) Imagem do site Welayat Salahuddin mostra jihadistas que teriam tomado uma base do Exército iraquiano no norte do país afp_tickers

Os jihadistas do Estado Islâmico no Iraque e no Levante (EIIL), envolvidos em combates nos territórios iraquiano e sírio, anunciaram neste domingo o restabelecimento do califado, regime político islâmico encerrado há um século com a queda dos otomanos.

Em uma gravação de áudio divulgada na internet, o EIIL, que agora se chama “Estado Islâmico”, designou seu líder Abu Bakr al-Baghdadi o “califa” e, portanto, o “chefe dos muçulmanos em todo o mundo”.

O califado vai se estender da região de Aleppo, no norte da Síria, à de Diyala no leste do Iraque, nas regiões conquistadas pelo grupo nesses dois países, anunciou na gravação Abu Mohamed al-Adnani, porta-voz do EIIL.

“Durante uma reunião, a shura (conselho) do Estado islâmico decidiu anunciar a criação do califado islâmico e designar um califa para o Estado dos muçulmanos. O xeque jihadista Al-Baghdadi foi designado califa dos muçulmanos”, disse o porta-voz.

Al-Baghdadi, também chamado de “califa Ibrahim” (em referência ao seu verdadeiro nome), “aceitou a designação e se tornou, com isso, califa dos muçulmanos em todo o mundo”, indicou.

As palavras “Iraque” e “Levante” são suprimidas da sigla EIIL, que tem como nome oficial agora “Estado Islâmico”, completou Adnani.

Em sua rápida ofensiva iniciada no dia 9 de junho no Iraque, o grupo jihadista, que recebe o apoio de oficiais do antigo regime de Saddam Hussein, de grupos salafistas e de algumas tribos, apoderou-se de Mossul e de grande parte de sua província, Nínive (norte), além de partes das províncias de Diyala (leste), Saladino, Kirkuk e Al-Anbar (oeste). O grupo está a cerca de cem quilômetros de Bagdá.

Na Síria, ele controla a maior parte da província de Raqa (norte) e amplas regiões da província rica em petróleo de Deir Ezzor (leste), na fronteira com o Iraque, além de algumas posições na província de Aleppo (norte).

“Chegou o momento de a Ummah (nação) de Maomé renascer das cinzas e acabar com a vergonha e a humilhação. É o amanhecer da dignidade. O sol da jihad nasce e a vitória começa”, disse o xeque Adnani.

“Fiéis, obedeçam o seu califa e apoiem o seu Estado que fica mais forte a cada dia, graças a Deus; e seus inimigos, cada vez mais fracos”, afirmou.

Califa foi o nome dado aos sucessores do profeta Maomé depois de sua morte, para designar o “emir dos fiéis” no mundo muçulmano.

Depois dos quatro primeiros califas que reinaram após a morte do profeta, o califado teve sua era de ouro na época dos Omíadas (661-750) e, principalmente, com os Abássidas (750-1517), antes de entrar em declínio com o desmantelamento do Império Otomano, abolido em 1924.

Criado na Síria em 2013, o EIIL foi inicialmente bem recebido por alguns rebeldes sírios, mas suas pretensões hegemônicas e os abusos atribuídos ao movimento levaram as outras coalizões rebeldes a se voltarem contra ele.

A guerra entre rebeldes e o EIIL deixou cerca de 6.000 mortos desde janeiros.

No reduto do EIIL em Raqa, um militante utilizando o pseudônimo Hani Salamé contou à AFP ter visto “sete homens entrar a cavalo na cidade como um sinal da criação do califado, seguidos de um comboio de carros levando lideranças do EIIL”.

“Integrantes do grupo atiraram para o alto para comemorar”, acrescentou Salamé pela internet.

Para esse militante tão hostil ao regime sírio quanto ao EIIL, o anúncio de um califado é uma “loucura”. “O EIIL usa o Islã para alcançar seus objetivos. A revolução na Síria começou por um Estado livre e democrático, não por um califado”.

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