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Heinrich Villiger - o barão do charuto

O fabricante de charutos Heinrich Villiger (esquerda) swissinfo.ch

Tradicionalmente empresários suíços gostam da discrição. Essa qualidade vale também para o "barão do charuto" Heinrich Villiger.

Este conteúdo foi publicado em 30. março 2006 - 17:00

Faltando pouco para completar 76 anos e ainda nas rédeas do grupo, ele agora se prepara para passar o negócio à quarta geração da família.

Quando Heinrich Villiger vai à feira do tabaco, conhecida também como "Festival del Habano" em Havana, capital de Cuba, ele é recebido como um estadista. Como ocorrem em todos os anos, o empresário suíço aperta mãos, conversa com especialistas do ramo e também recebe seus admiradores.

Com um charuto entre os dedos, Villiger radia uma espécie de autoridade natural. Ela vem da sua profunda experiência, conhecimentos e também de um certo gênio. Também conhecido como "barão do tabaco", há mais de cinqüenta anos ele trabalha com a planta e seus produtos derivados.

Campanhas antifumo

Os dias já não são fáceis para amantes dos cigarros, charutos e cigarrilhas. Isso é confirmado à swissinfo pelo próprio Heinrich Villiger.

- A indústria do tabaco está na mira do alvo em vários países da União Européia. Ela também está no meio de uma batalha travada pela Organização Mundial da Saúde (OMC), que lançou agora um código de conduta - o "Framework Convention on Tobacco Control" (FCTC) - para a redução geral do consumo de produtos do tabaco - explica.

As diversas campanhas antifumo começam a surtir efeito. Segundo Henrich Villiger, ela reforça contradições que são vistas nos números de venda:

- Nós calculamos que as campanhas antifumo conseguiram reduzir em 10% o consumo nos países ocidentais. Por outro lado a população mundial está crescendo, assim como o poder de compra nos países do Terceiro Mundo, e sobretudo na Ásia, onde conseguimos manter os níveis de venda.

Se a conquista dos mercados asiáticos se dá no silêncio, na Europa a luta entre os fumantes e os ativistas antifumo é barulhenta e conflitante. O código de conduta da OMC já foi assinado por mais de 200 países, dentre eles a Suíça e Cuba. Ao mesmo tempo, 120 países ratificaram a convenção.

Charuto vs. Cigarro

A campanha da OMC não atinge diretamente os charutos, que correspondem a apenas 2% do consumo mundial.

- Apesar disso, os charutos e as cigarrilhas já são vistos como grandes vilões - lamenta Villiger.

A luta está sendo inglória para a indústria do tabaco, sobretudo pela força crescente que as vozes críticas estão ganhando na opinião pública.

- Contra ativistas fanáticos não podemos fazer nada, já que eles operam com estatísticas que não podemos controlar.

Enquanto centenas de processos já estão rolando nos tribunais contra fabricantes de cigarros, para os fabricantes de charutos estes se contam nos dedos da mão. Porém os ataques pesados por parte da OMC e da União Européia contra a indústria do tabaco terminou retirando-a do debate público.

Os cubanos: mais uma vez os melhores

Heinrich Villiger, que completa em breve os 76 anos, fuma bastante.

- Eu começo e termino o dia com um bom charuto cubano. Durante o dia eu fumo os produtos fabricados na casa - conta.

Villiger considera os charutos cubanos os melhores do mundo.

- De 1999 até 2001 tínhamos problemas de qualidade. Os cubanos haviam aumentado a produção e experimentaram uma nova espécie de tabaco, o Habano 2000. Se ele era resistente ao fungo azul, o resultado final acabou tendo um gosto terrível.

Hoje a qualidade dos charutos cubanos retornou ao que era. A mídia pode ser considerada responsável pela melhora, pois aparentemente ela consegue pressionar mais os produtores do país do que os comerciantes e importadores.

Do patriarcado ao matriarcado

Heinrich Villiger já escolheu o futuro chefe do grupo. Dos seus quatro filhos, a herdeira será a mais velha, Corina Villiger, uma médica homeopata. Em breve ela irá ocupar um posto no conselho de administração.

Michael Beck, um homem originário do setor dos cervejeiros, que foi empregado no ano passado, é o atual chefe-executivo do grupo. Heinrich Villiger permanece dentro dos negócios se tornando membro do conselho de administração.

swissinfo, Erwin Dettling

Breves

- O grupo Villiger foi fundado em 1888 como empresa familiar.

- As quatro fábricas produzem anualmente 500 milhões de charutos e cigarrilhas e os distribui em mais de 60 países.

- Sem as joint-ventures em Cuba, a Villiger tem 900 funcionários.

- O grupo também tem firmas de distribuição nos Estados Unidos e na França.

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