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Igrejas suíças se esvaziam

O fenômeno não é apenas suíço

(Keystone)

Número crescente de suíços abandona as igrejas, católica e protestante, dominantes no País. Havia na Suíça 7,4% de pessoas sem religião em 1990, e 12% em 2000, revelam estatísticas publicadas na sexta-feira santa.

O fenômeno foi evidenciado pelo recenseamento realizado no ano 2000. A Divisão Federal de Estatísticas divulgou os resultados sobre a religião na sexta-feira, 29/3.

Contribuição portuguesa

A hemorragia maior de fiéis atingiu a igreja evangélica, majoritária 50 anos atrás quando 56% da população se declarava protestante. Hoje representa apenas 37%.

Os católicos, que eram 41.6% em 1950, reúnem meio século depois 44% dos fiéis. É um aumento que tem explicação simples: a imigração de trabalhadores da Itália, Espanha e Portugal, particularmente forte na década de 60 e 70. Os imigrantes originários desses países eram quase todos católicos.

Por outro lado, o censo mostra que a cidade de Basiléia, a segunda maior do País, revela um fenômeno curioso: concentra 35% de sua população se declara sem religião alguma. E em 25 anos, a igreja protestante do meio cantão de Basiléia-Cidade perdeu mais da metade dos fiéis. A igreja católico perdeu um terço.

Perfil do "ateu"

As pessoas que deixam a igreja tem perfil bastante nítido: vivem em zonas urbanas, têm boa formação escolar, trabalham no setor da comunicação ou das artes e levam um estilo de vida dominado pelo anonimato e a mobilidade, ou seja, pouco compatível com a vida em comunidade. Quem o afirma é o especialista Alfred Dubach, diretor do Instituto Suíço de Sociologia Pastoral, de St. Gallen, nordeste.

Essa deserção pode ter explicação mais prosaica: uma boa parte se declara sem religião para não pagar o imposto de culto, obrigatório na Suíça. Mas Alfred Dubach estima que muitas vezes a decisão revela algo mais profundo. E lembra que para muitos a Igreja decaiu bastante.

Moral

Apesar disso, 90% dos filhos são batizados. Segundo o teólogo, os pais desejam que os filhos se salvem. Observa, porém, que mais tarde, se pudessem escolher, muitos deixariam a igreja. A maior parte das deserções acontece entre 20 e 35 anos.

Há os que permanecem na igreja para terem um "enterro decente". Ou quando, desamparados pelo Estado, podem receber assistência da igreja.

Para Alfred Dubach, as igrejas, católica e protestante, devem mudar de orientação, de estratégia, ocupando-se mais dos fiéis, "das necessidades de cada um, ajudando-os a ajudar-se a si mesmos".

Seria o preço a pagar para impedir a crescente hemorragia... Mas se pode ser uma consolação, o fenômeno é generalizado nos países da Europa Ocidental.

swissinfo


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