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Imprensa suíça é céptica frente a vitória de Berlusconi

Imprensa suíça está refleta de comentários sobre as eleições italianas

(swissinfo.ch)

A imprensa suíça desta terça-feira comenta amplamente a vitória de Silvio Berlusconi nas eleições legislativas italianas.

Os editorialistas reconhecem sua capacidade de voltar ao primeiro plano, mas estimam que ele não é o político capaz de resolver os graves problemas da Itália.

De maneira geral, os comentaristas afirmam que Silvio Berlusconi é um "animal político". Com mais de 70 anos, e conseguiu sua revanche da derrota da 2006 e voltou ao poder.

Ora, esse retorno não estava seguro. "Há seis meses, teriam ridicularizado Berlusconi se ele falasse de voltar", comenta o Basler Zeitung, Basiléia.

"De longe, ele parecia desacreditado e ultrapassado. Era ignorar a força de seu partido, seu capital de simpatia de boa parte da sociedade italina, a sedução de seu discurso demagógico e ambíguo associando camadas diversas do eleitorado", afirma o editorial do 24 heures de Lausanne e da Tribuna de Genebra.

«País doente da 'Europe»

Mas os analistas não se enganam ao afirmar que Silvio Berlusconi não foi eleito porque tem grandes projetos. As causas de sua vitória são, antes de tudo, resultado de uma desilusão.

"Os italianos votaram de maneira anti-política, um voto contra os que governaram nos últimos dois anos (Prodi) e que não conseguiram melhorar a vida cotidiana do cidadão", julga o Le Temps, de Genebra. O jornal acrescenta que "os italianos não se limitaram a sancionar o passado mas também não votaram em projetos do futuro."

Opinião similar tem o Corriere del Ticino, sul da Suíça, afirmando que italianos encerraram a agoni do governo de Romano Prodi, que chegou a uma tal descomposição que rejeitou até os partidos associados. "Grande parte dos italianos não imaginam e um grande governo mas simplesmente a um governo que aja e que decida", afima o diário em italiano.

O certo é que a Itália vai mal. Para a Neue Zürcher Zeitung,
de Zurique, essas eleições deram a oportunidade de se informar melhor sobre a situação desse país, que considera "o doente da Europa". O diário estima que "a Itália precisa de uma reforma profunda que passa pela modernização de suas instituições, de sua administração e de sua economia".

Este não é o homem da situação

Os editorialistas são unânimes a considerar que Silvio Berlusconi não o homem providencial para remediar a situação do país.

Para a Neue Zürcher Zeitung, essa vitória nada traz de novo. "Nos seis anos que ele passou no poder, Berluscono tentou sobretudo safar-se dos inquéritos do Ministério Público e proteger seus interesses pessoais; a modernização da Itália, que ele havia prometido quando entrou na política, perdeu-se pelo caminho".

Para a La Liberté, de Fribourg, "o resultado nada tem de entusiasmante. Na União Européia, há preocupação com o enfraquecimento de um de seus pilares históricos". O diário julga que o retorno desse "verdadeiro fênis da estratégia política ajuda a explicar o país, vítima consedente de um sedutor, rei do contorno das instituições."

Concluindo, para recolocar a Itália nos trilhos, será preciso esperar. O adversário de Berlusconi, Walter Veltroni, tinha prometido que uma outra política, orientada nas soluções, era possível. "Resta à Itália esperar que isso seja possível depois de Berlusconi", afirma o diário Tages Anzeiger, de Zurique.

swissinfo, Olivier Pauchard

Breves

Silvio Berlusconi voltará pela terceira vez ao Palácio Chigi.

Seu partido, Povo da Liberdade e seus aliados - a Liga do Norte e o Movimento pela Autononia - obtiveram uma forte maioria nas duas câmaras do Parlamento.

Na Câmara dos Deputados, a coalizão de centro-direita de Silvio Berlusconi obteve 46,6% dos votos, o que correspondente a 340 cadeiras. A coalizão de centro-esquerda de seu adversário Walter Veltroni teve 37,7% dos votos, ou seja, 239 carreiras.

No Senado, Berlusconi obteve 47,2% das cadeiras e Veltroni 38,1%.

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