Iniciativa contra imigração da União Europeia não passará, diz pesquisa de opinião

Os apoiadores da política contra a imigração da UE alertaram sobre a superlotação dos transportes públicos se sua iniciativa for rejeitada, mas os cidadãos suíços parecem não concordar, de acordo com as últimas pesquisas de opinião. © Keystone/Gaetan Bally

É improvável que uma proposta da direita para eliminar um acordo de imigração com a União Europeia seja aprovada em uma votação nacional no final deste mês. Mas os eleitores parecem estar dispostos a jogar para o ar CHF 6 bilhões (US$ 6,6 bilhões) para a compra de caças aéreos e aprovam também a introdução de uma licença paternidade.

Este conteúdo foi publicado em 16. setembro 2020 - 06:00
Adaptação: Fernando Hirschy

Duas outras questões levadas a plebiscito no dia 27 de setembro - uma reforma da lei de caça e deduções fiscais para famílias com crianças - perderam terreno, de acordo com uma pesquisa de opinião encomendada pela Sociedade Suíça de Radiodifusão e Televisão, controladora da swissinfo.ch.

Para mais detalhes, veja o quadro abaixo.

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O instituto de pesquisa GfS Bern, que realizou a enquete cerca de três semanas antes da votação, não encontrou nenhuma mudança importante na opinião pública desde março sobre as mudanças propostas para a política de imigração suíça.

"As opiniões foram formadas há algum tempo", diz a cientista política Martina Mousson, do GfS Bern. "Isto não é surpreendente, já que não é a primeira vez que os eleitores são levados a decidir propostas de grupos de direita sobre restrições à imigração".

Os apoiadores estão 28 pontos percentuais atrás dos adversários, que alertaram que a aprovação da iniciativa prejudicaria ainda mais a prosperidade do país em tempos de pandemia de Covid-19, que tem pressionado a economia.

A Suíça não é membro da UE - que por sua vez é o principal parceiro comercial da Suíça - mas um acordo bilateral sobre a livre circulação de pessoas garante o acesso aos mercados de trabalho mútuos.

Os apoiadores da iniciativa, entretanto, argumentam que a Suíça deve administrar sua imigração independentemente de Bruxelas, pois o país corre o risco de ficar superlotado, colocando uma pressão excessiva sobre o meio ambiente, sobre o sistema da previdência social e sobre os salários.

Vida selvagem e benefícios fiscais

Uma reforma da lei de caça e benefícios fiscais para famílias com crianças parece estar perdendo seu apelo eleitoral, de acordo com os pesquisadores do GfS Bern.

Em um desenvolvimento acentuado desde uma primeira pesquisa de opinião em agosto, os opositores das regulamentações destinadas a reduzir a proteção dos lobos prenderam terreno e seguem de perto com os partidários da reforma.

"Vários indicadores mostram a rejeição da lei. Mas está muito apertado no momento", diz o codiretor do GfS, Lukas Golder.

Grupos ambientalistas, bem como partidos de esquerda, criticaram a decisão parlamentar como "uma peça legislativa mal feita", exigindo um referendo.

A esquerda também tem uma chance de vencer um segundo desafio em 27 de setembro. Sua campanha para reduzir os incentivos fiscais para o cuidado de crianças e as reduções fiscais gerais para as famílias parece ter tido algum sucesso.

Os oponentes têm agora uma vantagem de nove pontos percentuais. Em uma primeira pesquisa, os apoiadores estavam na liderança. O ponto polêmico é se os benefícios fiscais benificiarão apenas as famílias mais ricas.

Há uma tendência clara entre vários partidos políticos, grupos etários, classes sociais e nas diferentes regiões linguísticas contra os benefícios fiscais, de acordo com os pesquisadores.

Licença paternidade e caças aéreos

Nenhuma surpresa é esperada nas votações sobre a introdução de uma licença paternidade na Suíça, nem sobre um pacote multibilionário para atualizar a força aérea suíça.

Os apoiadores de uma licença remunerada de dez dias para pais de recém-nascidos têm uma clara vantagem - quase 30% - sobre os adversários, que vêm principalmente da direita e centro-direita política, bem como da principal organização que representa as pequenas e médias empresas.

A menos que haja uma grande reviravolta política, a Suíça está prestes a introduzir a licença paternidade mais de 15 anos depois de ter consagrado na lei uma licença maternidade de 14 semanas.

Finalmente, os eleitores também estão prestes a rejeitar um protesto dos grupos de esquerda e pacifistas sobre a substituição da frota de caças da força aérea. O Parlamento e o governo se manifestaram a favor dos fundos.

A última pesquisa mostra que os oponentes estão 16 pontos percentuais atrás.

Uma votação anterior sobre a compra de novos caças de combate terminou com uma derrota nas urnas há seis anos.

Campanha e comparecimento

Que impacto a pandemia de coronavírus teve até agora na campanha? Tem sido difícil para os defensores suscitarem oposição apesar ou por causa da crise da Covid-19, diz Golder.

"Os cidadãos parecem ser capazes de tomar decisões informadas", diz ele. "Com base em nossa pesquisa, os eleitores não usarão sua cédula eleitoral para expressar sua frustração votando 'não' para todos as questões".

"O impacto mais óbvio da Covid-19 é que as votações marcadas para maio foram adiadas para setembro", acrescenta Mousson. "Fatores adicionais parecem ter sido divididos igualmente entre oponentes e apoiadores das cinco questões distintas em jogo".

Os pesquisadores esperam que a participação fique ligeiramente acima da média, em torno de 47%.

Após a votação em fevereiro, é apenas a segunda vez este ano que os eleitores suíços decidem sobre questões de âmbito nacional. Uma votação marcada para maio foi cancelada devido às restrições na vida pública por causa da pandemia do coronavírus.

Detalhes da enquete

Os pesquisadores entrevistaram 17.909 cidadãos suíços de todas as regiões linguísticas do país para a segunda de duas pesquisas de âmbito nacional.

A pesquisa é baseada em respostas online e entrevistas telefônicas, tanto com usuários de telefonia fixa como móvel, e foi realizada de 2 a 10 de setembro.

A margem de erro é de +/- 2,7%.

A pesquisa foi encomendada pela Sociedade Suíça de Radiodifusão e Televisão (SSR SRG), empresa matriz da swissinfo.ch, e realizada pelo instituto de pesquisa GfS Bern.

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