Isaías perde força, mas deve se intensificar antes de chegar à Flórida

Nuvens de tempestade sobre o céu de Miami com a aproximação do furacão Isaías afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 01. agosto 2020 - 20:43
(AFP)

O ciclone Isaías perdeu força e foi degradado a tempestade tropical após varrer neste sábado (1) o arquipélago caribenho das Bahamas, mas a expectativa é de que volte a ganhar intensidade antes de chegar à Flórida, estado no sudeste americano duramente castigado pela pandemia do novo coronavírus.

O "olho irregular de Isaías" cruzou a ilha de Andros, a maior das Bahamas, na manhã deste sábado e seguia para a Flórida, aonde pode levar 200 mm de chuva e produzir ondulações de até 1,2 metro.

Às 21h GMT (18h de Brasília), a tempestade tinha ventos máximos sustentados de 110 km/h e estava 185 km a sudeste de Fort Lauderdade, avançando a 17 km/h.

Mas voltará a ganhar força, alertou o Centro Nacional de Furacões (NHC), sediado em Miami. "Espera-se que volte a ganhar força de furacão esta noite (sábado)", escreveu.

A região já sentia os primeiros efeitos da tempestade da tarde deste sábado e o presidente americano, Donald Trump, assinou uma declaração de emergência para a Flórida para facilitar a liberação de ajuda federal.

"Começaremos a sentir os impactos da tempestade esta noite e depois, obviamente, amanhã, e até amanhã à noite", disse o governador, Ron DeSantis.

Enquanto isso, nas Bahamas, o vice-diretor do Departamento de Meteorologia, Jeffrey Simmons, disse ao jornal local, Nassau Guardian, que "a pior parte" do Isaías tinha se precipitado sobre Nova Providência, a ilha mais populosa do arquipélago.

Por enquanto, as Bahamas reportavam queda de postes e corte de eletricidade.

Isaías foi o primeiro furacão a passar nas Bahamas desde que Dorian, de categoria 5, destruiu no ano passado duas de suas ilhas ao estacionar por três dias sobre o arquipélago.

Porto Rico reportou neste sábado um morto na passagem de Isaías, que varreu a ilha caribenha na quinta-feira, causando inundações severas.

O escritório local de gestão de emergências (NMEAD) informou que tinha encontrado o cadáver de uma mulher de 56 anos, que tinha sido reportada como desaparecida quando vizinhos viram seu carro sumir arrastada por um rio no oeste de Porto Rico.

- "Na era da COVID" -

Enquanto isso, no sul da Flórida, as primeiras rajadas do Isaías começavam a ser sentidas enquanto o estado enfrenta a emergência da COVID-19.

O NHC manteve o alerta de furacão para a costa leste da Flórida, de Boca Raton à área de Daytona Beach.

O condado de Palm Beach, 120 km ao norte de Miami, emitiu ordens de evacuação para os moradores de casas vulneráveis.

Os moradores da Flórida se apressaram para fazer compras de última hora e alguns comerciantes colocaram tapumes em portas e janelas, apesar de não ser esperado um golpe muito forte por uma população acostumada a ciclones maiores.

"Você sempre tem que se preparar, só para garantir, porque nunca se sabe", disse Jason Woodall, 44 anos, à AFP na entrada de uma loja na cidade de Miami.

Recordando o furacão Michael, que se transformou de um furacão menor para um de categoria 5 - o maior da escala - algumas horas antes de atingir o nordeste da Flórida em 2018, ele acrescentou: "Ele sempre pode se fortalecer. Lembra o que aconteceu há alguns anos?"

Embora o governador não tenha ordenado evacuações - o que seria difícil em meio à pandemia - ele disse que os hospitais podem achar necessário mover alguns pacientes, dependendo de falta de energia e inundações.

"Na era da COVID", disse, é melhor "se resguardar do que mandar as pessoas para a rua", a menos que a situação seja suficientemente ameaçadora que valha a pena buscar um refúgio.

Embora seja uma ameaça menor, Isaías funciona como um teste de como uma emergência como essa poderia acontecer diante da pandemia de coronavírus.

O estado é o segundo com mais casos depois da Califórnia. Seus hospitais estão sobrecarregados e, na sábado, somou 179 mortes por coronavírus em 24 horas, de um total de 7.022 mortes e 480.027 casos.

Os centros de testagem para a COVID-19 na Flórida estão fechados desde quinta-feira até que seja seguro reabri-los, já que as estruturas de campanha podem não resistir aos ventos de uma tempestade tropical.

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