Navegação

Menu Skip link

Funcionalidade principal

Italianos festejam a "ressurreição" da seleção na Euro

Italianos comemoram em Milão pela primeira vez na Euro 2008.

(swissinfo.ch)

A Itália acorda classificada para as quartas-de-final. A epopéia do time campeão do mundo amanheceu estampada nas primeiras páginas dos principais jornais dos país.

"Uma bela Itália bate a Franca", afirma o Corriere della Sera. "Viva a Itália', escreve o Corriere dello Sport. Já a Gazzetta dello Sport resume: "Bonito demais". E a manchete do La Repubblica não deixa dúvida: "A Felicidade e' Azul".

A ressurreição italiana, mesmo com uma vitória, estava condicionada a um empate ou a uma derrota da Romênia diante da Holanda. Por isso, quase todos os jornais trouxeram um agradecimento ao técnico Van Basten e aos seus jogadores.

Fora do purgatório

Um "Obrigado Holanda", resume o sentimento geral. A combinação dos resultados manteve o sonho italiano de vencer o Europeu 2008 e tirou a seleção de Donadoni do purgatório. Até o sol voltou a brilhar, depois de dias invernais, quase como uma metáfora da queda e ascensão da 'azzurra".

Ontem, o clima em Milão não era dos melhores, com a cidade sob um céu cinza e carregado de nuvens pesadas e escuras. Existia um quê de final de Copa do Mundo no ar e o perigo de engasgar com uma fria vingança transalpina regada com vinho francês.

Mesmo assim, a esperança, sendo sempre a última a morrer – segundo os italianos - esvaziou as ruas e encheu os bares com as tevês ligadas. Mas muita gente preferiu desafiar a natureza e assistir ao jogo ao ar livre. E, mesmo sem muita convicção, os italianos, muito religiosos, acreditavam num milagre. "É muito cedo para voltarmos para casa", dizia um torcedor.

Lavar a alma

A chuva da primavera mais fria dos últimos cem anos e a vitória italiana lavaram a alma dos torcedores "azzurri". O tempo ruim não impediu que eles se encontrassem no centro da cidade para acompanhar o jogo via satélite.

O telão armado na praça do Duomo, ao lado da catedral gótica, se transformou numa grande televisão para quem não viajou para Zurique.

A monumental galeria Vittorio Emmanuele abrigou a torcida sem guarda-chuva. As escadarias da imensa igreja, os postes de iluminação e as entradas do metrô se transformaram em arquibancadas improvisadas para os torcedores ao relento. Armados com bandeiras, chapéus e cornetas, eles sofriam e comemoravam a cada gol desperdiçado pela seleção italiana (veja as fotos no Blog da EurocopaLink externo).

O primeiro gol

A cobrança do pênalti por Pirlo hipnotizou os italianos, de olhos fixos na claridade do monitor gigante. Teve quem rezou, quem não piscou as pálpebras por longos segundos, quem roeu as unhas e quem virou de costas para não assistir ao duelo entre o meio-campista italiano e o goleiro francês, aos 24 minutos do primeiro tempo.

O chute certeiro balançou a rede e sedimentou o sonho da classificação. Naquele terreno de jogo virtual, a dez metros de altura do chão, a seleção italiana jogava as suas últimas cartas para continuar na disputa do torneio. A vantagem no placar era acompanhada de perto pelos torcedores atentos ao resultado da outra partida, Holanda e Romênia.

Obrigado Holanda

Os minutos de classificação provisória foram vividos com muita emoção. A confiança aumentou à medida em que os minutos avançavam. Os italianos ainda se desdobraram para torcer pela Holanda, o time que quase fez as malas dos jogadores 'azzurri". Não tinha um italiano que não fosse holandês por 90 minutos.

A cada bela jogada da seleção de Van Basten, ex-milanista, os italianos também faziam a festa. Saltavam em coreografia ensaiada, batiam palmas e alguns lançavam sinais de fumígeno, normalmente proibidos no estádio. Eles coloriram e iluminaram a noite milanesa com o vermelho, o verde e o branco, as cores da bandeira italiana.

Alegria geral

O gol de falta de De Rossi, o segundo da Itália, levou a torcida ao delírio. Os policiais com os gestos contidos pela farda comemoraram discretamente. Durante alguns minutos, a fachada da catedral de Milão ficou ofuscada pela fumaça dos rojões. Alguns mais exaltados atiravam garrafas de cerveja contra a proteção de um canteiro de obras.

Ao todo, os italianos comemoraram quatro gols, dois da seleção de Donadoni e dois do time de Van Basten. E a maioria dos 'tifosi" não era nem nascida quando, 30 anos atrás, a Itália vencia pela última vez a Franca no tempo regulamentar. O tabu de três décadas caiu diante de um público praticamente formado por adolescentes e jovens.

E, ao contrário das partidas anteriores, contra a Holanda e a Romênia, desta vez os torcedores na praça do Duomo não dividiram o território com nenhum outro adversário. Talvez os franceses tenham achado melhor ficar em casa. Afinal, chovia. Choveu na horta italiana e os frutos vão ser colhidos em Viena, no jogo contra a Espanha.

swissinfo, Guilherme Aquino, Milão

Grupo B - Classificação

O Grupo B era considerado o "grupo da morte" porque o mais disputado de todos.

A Holanda terminou em primeiro lugar com três vitórias e segundo do grupo D, Suécia ou Rússia, sábado, em Basiléia.

A Itália terminou em segundo lugar e vai enfrentar a Espanha, domingo, em Viena.

França e Romênia foram eliminados.

Aqui termina o infobox

×