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Jornais suíços devem garantir a transparência democrática

Ampla participação no Fórum de Mídia e Estado 2010.

Ampla participação no Fórum de Mídia e Estado 2010.

(swissinfo.ch)

Os suíços foram às urnas mais uma vez nesse fim de semana. Habituados ao exercício da democracia e ao debate político, os eleitores helvéticos se preocupam com os formadores de opinião do país.

Um fórum de debates reuniu estudiosos, profissionais da área e representantes dos principais partidos do país, na sexta-feira, para discutir o papel do Estado diante do "quarto poder".

O Fórum "Estado e Mídia 2010", organizado pela Universidade de Friburgo, discutiu a situação da imprensa no país, principal aliado dos cidadãos suíços no processo de formação de opinião e tomada de decisões. Em um país onde os cidadãos vão às urnas várias vezes ao ano, o Estado e os meios de comunicação de massa são, todos dois, substanciais à democracia.

Todos partidos se mostraram unânimes quanto a responsabilidade do Estado em garantir a liberdade de imprensa e as condições propícias ao pluralismo para que os profissionais da mídia possam ter acesso à informação, instigar debates e contribuir à livre formação da opinião de cada um. Uma visão nobre da profissão que não se encaixa mais à realidade dos meios de comunicação, cada vez mais voltados ao divertimento, ao invés da informação, e onde a crise afeta em cheio os meios disponíveis em cada redação.

Debate ideológico

Em um país onde 94% da população lê jornal, a questão sobre um possível financiamento da imprensa escrita pelo Estado gerou, como era de se esperar, uma grande discussão. Para uns, a informação deve ser tomada como um bem cultural que deve ser preservado de uma concorrência pura e dura. Segundo o senador do Partido Socialista (PS) Alain Berset, "o Estado deve garantir a pluralidade, ajudando indiretamente na distribuição dos jornais" e agindo contra a formação de monopólios, mas sem passar dos limites: "seria inadmissível a influência do Estado no conteúdo dos jornais", disse.

Para Martine Brunschwig Graf, deputada federal do Partido lLberal-Radical (PLR, direita), "não será saudável para o país o dia em que o Estado tiver que financiar um jornal para salvar a diversidade de opiniões". Para Martin Baltisser, secretário geral da União Democrática do Centro ( UDC, direita conservadora), a coletividade pública nunca deveria se meter em salvar um jornal em perigo.

Pressão popular

As declarações de Baltisser deixaram perplexos os participantes do Fórum. Recentemente, a contratação do líder carismático da UDC, Christoph Blocher, como consultor do jornal mais importante da região da Basileia, o "Basler Zeitung", foi a gota d'água que fez transbordar a insatisfação dos leitores do jornal.

A população do cantão não apreciou o contrato firmado com o vice-presidente da UDC, pedindo o cancelamento das assinaturas do jornal e 17 mil pessoas assinaram um manifesto se opondo à "UDCização" do jornal. A distribuição do jornal chegou a ser sabotada e várias pessoas na cidade andavam com um crachá "Blocher Zeitung Nein Danke!" (Jornal do Blocher, não obrigado).

Os proprietários do jornal, acusados pela redação de querer transformar o jornal em um folhetim partidário e pressionados pela população, decidiram ceder o "Basler Zeitung", na semana passada, para uma personalidade conhecida do cantão, o empresário do ramo da aviação Moritz Suter, fundador da antiga companhia aérea Crossair, atual Swiss.

Esquizofrenia

Para o vice presidente da associação dos jornalistas suíços, Christian Campiche, "é esquizofrênico pedir ajuda do Estado e ao mesmo tempo ficar com medo de ser censurado".

Para os empresários do ramo, a melhor garantia de qualidade para os meios de comunicação de massa é a sua boa situação econômica, razão pela qual Daniel Pillard, diretor de um dos maiores grupos de edição do país, declarou que daqui para frente eles vão precisar "vender outra coisa para poder fazer jornalismo".

Com isso, deixou-se em aberto uma das questões centrais do fórum, o financiamento dos jornais tradicionais que perdem, ano após ano, um número considerável de leitores (compradores) para os jornais gratuitos e sites da internet.

Liberdade de imprensa

É um dos princípios pelos quais um Estado democrático assegura a liberdade de expressão aos seus cidadãos e respectivas associações, principalmente no que diz respeito a quaisquer publicações que estes possam pôr a circular.

Geralmente, refere-se a material escrito mas, segundo alguns autores, o termo "imprensa" pode, por vezes, alargar-se a outros meios de comunicação social.

De qualquer forma, a liberdade de imprensa corresponde a uma garantia menos geral que a "liberdade de expressão", que se aplica a todas as formas de comunicação (por exemplo, nas artes).

Cada governo tem competências para legislar em relação a esta matéria de forma a classificar os assuntos que devem ser do conhecimento público ou não, de acordo com os interesses governamentais (mesmo em sociedades democráticas, existe o segredo de Estado, por exemplo). Texto: :Wikipédia em português

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