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Laboratório briga contra monopólio nos EUA.

Laboratório de Serono em Corsier, Cantão de Genebra

(Keystone Archive)

Dois gigantes do setor farmacêutico, o suíço Serono, e o norte-americano Biogen, têm remédios contra a esclerose múltipla. Serono contesta monopólio de Biogen nessa área nos Estados Unidos e avança como argumento uma eficácia superior de seu produto. O caso foi levado à justiça em Genebra, na quarta-feira, 11/7. Está em jogo faturamento de quase 1 bilhão de dólares.

A esclerose múltipla atinge 2 milhões de pessoas no mundo (450 mil na Europa) e a medicina não encontrou cura para a enfermidade. Mas os remédios podem atrasar ou mesmo interromper seu desenvolvimento. Entre eles o Avonex, comercializado por Biogen, em 1996, e Rebif, lançado em 1998 por Serono, número 3 mundial em tecnologia, com sede em Genebra.

Biogen conseguiu das autoridades dos Estados Unidos monopólio do mercado norte-americano até junho de 2003, invocando lei sobre estímulo a empresas que realizam pesquisas médicas inovadoras.

Na tentativa de quebrar esse monopólio para aceder ao mercado norte-americano, Serono solicitou a Food and Drug Administration - a autoridade competente nos Estados Unidos - estudo comparativo entre o Avonex e o Rebif.

Realizado em 677 doentes de 9 países, o estudo revelou que os pacientes que sofrem de esclerose múltipla reincidente/remitente, tratados com Rebif têm 90% de chances adicionais de sustar o desenvolvimento da enfermidade durante o período de observação (6 meses) que os tratados com Avonex.

Segundo esse estudo, solicitado por Serono, os enfermos a quem foi ministrado o Rebif podem levar uma vida normal mais tempo, visto que os dois medicamentos foram testados por longo período.

Com base nesse argumento, Serono pede acesso ao mercado norte-americano já no ano que vem, ou seja, um ano e meio antes da data permitida.

Em abril, Biogen France SA - que defende os interesses da empresa na Europa - apresentou queixa contra Serono, no sentido de proibir que os resultados do estudo comparativo fossem publicado na Internet. Serono ignorou a preocupação do concorrente e os publicou em maio...

Estão em jogo enormes interesses financeiros. Para Biogen, Avonex representou 82% das vendas em 2000 e mais de 90% no primeiro trimestre de 2001. Para Serono que fatura 2.2 bilhões de francos (...) Rebif representa 30% do que fatura.

O caso agora está na justiça. Quem sai perdendo são os pacientes que sofrem dessa doença degenerativa. A Bolsa de Valores reagiu há tempos: nos últimos seis meses, as ações de Serono subiram 11% e as de Biogen despencaram 12,6%.

Swissinfo com agências.


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