Licença paternidade deve ser endossada nas urnas

Os especialistas dizem que os pais (e as mães) na Suíça têm motivos para esperar que uma licença paternidade legal de dez dias se torne realidade em breve. Keystone/Hans Klaus Techt

Uma licença obrigatória de dez dias para pais de crianças recém-nascidas na Suíça está ao alcance dos interessados, segundo as pesquisas de opinião. Os suíços terão a última palavra sobre o assunto em um plebiscito no dia 27 de setembro.

Este conteúdo foi publicado em 25. agosto 2020 - 15:15
Adaptação: Fernando Hirschy

A maioria dos cidadãos também parece favorecer um plano para introduzir deduções fiscais para famílias com filhos. Da mesma forma, as emendas à lei de caça do país - desencadeadas pela preocupação com o crescimento da população de lobos - atualmente vê os apoiadores claramente à frente dos oponentes.

Todas as três reformas foram aprovadas pelo parlamento em setembro do ano passado, mas diferentes grupos contestaram as respectivas decisões mediante a coleta das assinaturas necessárias para lançar um referendo.

A enquete sobre as intenções de voto, encomendada pela Sociedade Suíça de Radiodifusão e Televisão (SSR SRG), foi realizada pelo instituto de pesquisa GfS Bern sete semanas antes do dia da votação.

Para detalhes, veja o quadro abaixo.

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A alta taxa de aprovação da licença paternidade não surpreende a cientista política Martina Mousson, diretora do projeto do instituto de pesquisas de opinião.

"É uma proposta de consenso, o que é bastante comum na política suíça. E há um apoio generalizado da maioria dos partidos", diz Mousson.

Ela diz que há um amplo consenso na sociedade de que é o momento certo para introduzir a licença paternidade obrigatória.

A Suíça está atrasada em relação a outros países europeus quando se trata de licença paternidade. Foi preciso esperar até 2005 para estabelecer uma licença remunerada de 14 semanas para mães que trabalham.

Benefícios fiscais e biodiversidade

Outra questão familiar na cédula eleitoral de 27 de setembro parece ser popular entre os cidadãos. Uma maioria relativamente pequena dos entrevistados na pesquisa disse que apoiaria um aumento nos benefícios fiscais para famílias com crianças, incluindo deduções para o cuidado de crianças em creches.

Os pesquisadores descobriram que pessoas mais velhas, pessoas de baixa renda e pessoas críticas em relação ao governo estão se inclinando para um "não", como recomendado pelos partidos de esquerda.

"Parece haver ainda alguma margem de manobra para os ativistas nas próximas semanas para mudar o rumo, rejeitando a decisão do parlamento de introduzir incentivos fiscais às famílias", diz a cientista política Mousson. "Mas isto seria uma exceção à regra nos referendos".

A pesquisa de intenção de voto encontrou apoiadores de uma reforma da lei de caça com uma vantagem de 18 pontos percentuais sobre seus oponentes.

No entanto, alguns dos entrevistados disseram que ainda não tinham se decidido, de acordo com o cientista político e diretor do GfS Bern, Lukas Golder.

Ele diz que os adversários - principalmente ambientalistas e a esquerda política - não tinham sido capazes até agora de emocionar o debate. Ele lamentou a falta de um debate bem fundamentado sobre a biodiversidade.

"A reforma foi ofuscada pela pandemia de Covid-19 e pelas outras questões levadas à urna ", diz. "O governo e o parlamento têm uma vantagem sobre os opositores de suas decisões em tempos de crise em um país como a Suíça, onde as autoridades gozam de alta credibilidade".

A primeira parte da pesquisa - abrangendo a iniciativa anti-imigração e o referendo contra um pacote financeiro multibilionário para a compra de novos aviões de caça - foi publicada na quinta-feira passada.

Detalhes da enquete

Os pesquisadores entrevistaram 29.540 cidadãos suíços de todas as regiões linguísticas do país para a primeira de duas pesquisas de âmbito nacional.

A pesquisa é baseada em respostas pela internet e entrevistas telefônicas, tanto com usuários de telefonia fixa como móvel, e foi realizada de 3 a 17 de agosto.

A margem de erro é de 2,9%.

A pesquisa foi encomendada pela Sociedade Suíça de Radiodifusão e Televisão (SSR SRG), empresa controladora da SWI swissinfo.ch, e realizada pelo instituto de pesquisa GfS Bern.

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