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Mídia suíça considera novas medidas anti-Covid-19 'último alerta'

Onipresente: o ministro da Saúde Alain Berset. Keystone / Jean-christophe Bott

Os jornais reagiram cautelosos às últimas medidas para conter a propagação da Covid-19 na Suíça, que é agora um dos países mais duramente atingidos da Europa.

Este conteúdo foi publicado em 29. outubro 2020 - 11:59
swissinfo.ch/dos

O diário zuriquenho Tages-Anzeiger escreve que as "medidas drásticas" anunciadas na quarta-feira pelo Ministro do Interior (também responsável pela Saúde) Alain Berset são muito menos drásticas em comparação com o que se passa nos países vizinhos, e mesmo em alguns cantões suíços.

A Alemanha anunciou planos para fechar todos os restaurantes, bares e teatros durante todo o mês de novembro, relata o jornal, apesar de ter uma taxa de infecção inferior à da Suíça. O cantão do Valais, no sul da Suíça, fechou a maior parte das instalações de entretenimento e desporto.

Em comparação com tais medidas (a França também anunciou ontem um fechamento a nível nacional), o governo suíço escolheu uma estratégia "arriscada" que o jornal diz ter sido ditada por preocupações econômicas e pela complexidade da estrutura federal da Suíça.

O seu editorial diz que é necessário um recuo a uma situação "extraordinária", e que o governo deveria assumir o comando e guiar o país durante este "Inverno de crise" com um plano bem pensado - tendo outro confinamento (lockdown) como solução "de emergência".

A emissora pública SRF também destaca esse excepcionalismo suíço: "apesar dos números quase recorde de casos na Europa, as nossas medidas permanecem claramente mais moderadas em comparação com outros países".

No entanto, o comentário não esclarece por que razão é este o caso. Afirma simplesmente que as medidas constituem uma "última oportunidade" para o país evitar seguir os seus vizinhos para outro confinamento. Ambos os repórteres dizem que a responsabilidade individual é a forma de atingir este objetivo.

Toque de despertar

O jornal Neue Zürcher Zeitung segue a mesma linha, afirmando na quinta-feira que as novas medidas "não são tanto instruções precisas como mais um alarme para despertar".

Criticando atitudes frouxas em relação às regras básicas de higiene e distanciamento social ao longo das últimas semanas - e aludindo a relatos recentes de casamentos "super-spreader" e eventos de yodelling lotados - o jornal diz que o tempo das providências "sob medida" acabou.

"Responsabilidade pessoal", "auto-disciplina", e "auto-contenção" são agora necessárias, escreve o jornal. Não vale a pena continuar a esperar passivamente por ordens de Berna; o lema é sim: "basta fazê-lo!"

O jornal francês Le Monde questiona se essa auto-responsabilidade é possível num artigo publicado no início desta semana. O seu correspondente observou que os suíços não são, como se imagina, "mais cívicos ou disciplinados do que os cidadãos de qualquer outro lugar" - uma ideia em que o governo parece ter confiado durante tempo demais.

Numa tentativa de explicar como a Suíça deixou de ser uma das nações europeias mais bem sucedidas no tratamento da Covid-19 na primavera para se tornar um dos "maus alunos", o jornal também levantou o tema recorrente do federalismo.

"Até agora, por causa do federalismo, foram os próprios cantões que tomaram medidas - levando a uma desordem generalizada", escreveu o jornal. "Ouvem-se agora vozes que exigem uma ação menos lenta do que o habitual".

A ação, tomada na quarta-feira, pode contudo ser apenas o "último adiamento antes do confinamento", escreve o diário francófono Le Temps. O jornal de Genebra receia que as medidas - "menos rigorosas do que nos países vizinhos" - possam ser dificultadas, especialmente pelo fato de o povo suíço continuar a circular muito, em comparação com as grandes diminuições nas viagens observadas na primavera.


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