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Meio ambiente é a principal preocupação do eleitor



O acidente nuclear Fukushima tornou-se a principal preocupação, pelo menos por enquanto.

O acidente nuclear Fukushima tornou-se a principal preocupação, pelo menos por enquanto.

(Keystone)

O Partido Verde, os Verdes Liberais, o Partido Burguês Democrático e o Partido do Povo Suíço (SVP, UDC) estão em progressão. Em contrapartida, o Partido Liberal Radical, o Partido Democrata Cristão e o Partido Social Democrata perdem eleitores.

Esses são os resultado de uma ampla sondagem da Rádio e Televisão Suíça (SSG SSR), que constata as consequências políticas do crise nuclear de Fukushima seis meses antes das eleições legislativas de outubro.

A última sondagem eleitoral indica claramente a tendência, que pode ou não se confirmar até a eleição de outubro, como preocupação da opinião pública.

A primeira pesquisa, realizada em outubro, o chamado barômetro eleitoral da SRG SSR, sempre feito pelo Instituto GFS Berna, havia constatado um ligeiro progresso  do Partido Social Democrata (PS) e do Partido Liberal Radical (PLR) depois das eleições dos conselheiros federais (ministros) Simonetta Sommaruga e Johan Schneider-Amann.

Em janeiro, na segunda sondagem, a vantagem era do Partido do Povo Suíço (UDC, na sigla em francês), depois da votação favorável à expulsão de criminosos estrangeiros. Agora, como previsto, os partidos ecologistas são os que capitalizam melhor politicamente a catástrofe nuclear de Fukushima, no Japão.

A terceira pesquisa foi realizada entre 4 e 16 de abril  e a questão ambiental, de fato, voltou ao primeiro plano na preocupação dos suíços. Para 29% das pessoas questionadas, as mudanças climáticas e as catástrofes ambientais são os problemas mais urgentes que os políticos suíços devem resolver atualmente. Em segundo lugar aparece a imigração, prioridade para 19% dos questionados. O desemprego é a preocupação principal para 8% das pessoas.

Verdes liberais e PBD favoritos

Quanto aos partidos, o Partido do Povo Suíço (UDC, na sigla em francês) aparece solidamente em primeiro lugar com 29,9% das intenções de voto, percentual nunca atingido por qualquer partido desde 1919. O partido de direita cresce 1% em relação a eleição de 2007, apesar de ter sofrido uma cisão interna que deu origem ao Partido Burguês Democrático (PBD).

Á esquerda, o Partido Ecologista Suíço (PES) aproveita do debate sobre a energia atômica e sobe para 10,9% (+1,9% em relação a 2007). O Partido Social Democrata (socialista na denominação em francês) não aproveita de sua posição antinuclear: aparece com 17,7% das intenções de voto (-1,8% comparado à eleição de 2007).

Ao centro, confirma-se a progressão dos partidos novos, em detrimento dos partidos históricos. Os Verdes Liberais estão com 5,7% (+4,3%) e o PBD tem 3,5% das intenções de voto. O PLR está com 15,2% (-2,5%) e o Partido Democrata Cristão (PDC) está 12,7% (-1,8%). Liberais radicais e democrata cristãos parecem não ter se beneficiado de sua mudança repentina de posição em relação à energia atômica, depois da catástrofe de Fukushima.

Soluções pragmáticas

A catástrofe nuclear no Japão desviou a atenção da opinião pública da imigração para o meio ambiente, mas é difícil prever se esses efeitos políticos podem durar até as próximas eleições legislativas, dentro de seis meses.

“O efeito Fukushima de fato foi parcilamente sentido nos resultados das últimas eleições estaduais (cantonais) e nas intenções de voto para as legislativas federais. Creio, porém, que ele não vai prevalecer e será superado por outro debate até 23 de outubro”, prevê Claude Longchamp, responsável do Instituto GFS Berna.

De acordo com o cientista político, poderia se prognosticar um efeito duradouro, se a catástrofe nuclear tivesse provocado uma forte mobilização eleitoral ou um voto de protesto – como ocorreu na Alemanha, na eleição regional de Baden Würtemberg. Na Suíça, essa mobilização não aconteceu nas eleições cantonais depois do 11 de março e também não aparece forte para as próximas eleições federais.

“O eleitorado suíço parece preferir soluções pragmáticas e não dogmáticas em política energética”, analisa Longchamp. A sondagem indica que 65% dos questionados se declaram atualmente favoráveis a renunciar às usinas nucleares, mas 92% querem uma substituição gradual da energia atômica por energias renováveis.  

Tendência confirmada

O efeito Fukushima, em todo caso, confirma nas intenções de voto para as eleitores de outubro os resultados das eleições estaduais dos últimos quatro anos. O Partido do Povo Suíço (UDC) tem aumentado seu eleitorado em quase todas as eleições cantonais.

Também vem sendo constatada a progressão do Partido Ecologista e, onde tem se apresentado, dos Verdes Liberais e do PBD. Tem perdido eleitores, o PS, o PLR e o PDC. Estes três partidos determinaram a política suíça no século passado e têm apenas seis meses para reverter a tendência e conter seu declínio.

Quinta Suíça excluída

A terceira sondagem eleitoral foi realizada entre 4 e  16de abril pelo Instituto GFS Berna, que questionou 2011 pessoas nas quatro regiões linguísticas do país.

Os suíços do estrangeiro não foram questionados, dos quais 135 mil estão inscritos nos registros eleitorais.


O Ministério das Relações Exteriores decidiu não colocar à disposição do instituto gfs os endereços no estrangeiro,  para garantir a proteção de seus dados pessoais.

Segundo Claude Longchamp, trata-se de uma limitação importante para a precisão das pesquisas eleitorais, pois a predileção política dos cidadãos expatriados não corresponde de maneira uniforme aos suíços residentes no território nacional.

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Problemas prioritários

Conforme a pesquisa, em meados de abril, 28% dos questionados consideravam o meio ambiente (clima e catástrofes ambientais) como o problema mais urgente a resolver para os políticos. Em janeiro, esse tema era prioritário para apenas 6% dos suíços.

A questão das migrações (estrangeiros, asilo e integração) era prioritária, em abril, para 19% dos questionados, contra 22% em janeiro.

Os problemas sociais mantêm um percentual estável, mas parecem preocupar menos os suíços: o desemprego é prioridade para apenas 8% dos participantes da sondagem, os seguros de saúde e a aposentadoria mínima (AVS), para apenas 7%.

O futuro das relações com a União Europeia preocupava 3% das pessoas na última pesquisa contra 5% na penúltima pesquisa, em janeiro.

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Adaptação: Claudinê Gonçalves, swissinfo.ch


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