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Michel Platini pretende reencontrar os valores do futebol

Michel Platini foi eleito presidente da UEFA l dia 27 de janeiro de 2007. Keystone

Presidente da União Européia de Futebol (UEFA) desde o final de janeiro, o ex-grande jogador da França está instalado em Nyon, na Suíça, e rafirma as posições que defende.

Este conteúdo foi publicado em 10. março 2007 - 10:00

Michel Platini quer garantir a perenidade do futebol. Diante da imprensa suíça e austríaca, ele falou também das chagas que gangrenam o futebol, do Euro 2008, de uma reaproximação com a FIFA e de arbitragem.

Neto de um pedreiro italiano e filho de um jogador de futebol, Michel Platini está entre os poucos que marcaram época no mundo do futebol. Quem o viu em campo não se esquece das grandes jogadas com as camisas do Nancy, do Saint-Etienne, do Juventus de Turim e da seleção francesa.

Capitão da França que ganhou a Eurocopa de 1984 e vencedor da Copa da Europa com a Juventus de Turim, Platoche, para os íntimos, pendurou a chuteira há mais de vinte anos.

Presidente do Comitê de Organização da Copa do Mundo de 1998 e conselheiro pessoal do presidente da Fifa, Sepp Blatter, Michel Platini continuou no meio que ele conhece bem.

Ele começa agora um mandato de quatro anos à frente da UEFA, a mais poderosa das federações, com a ambição de reunir as famílias do futebol e reencontrar os valores desse esporte. Entrevista na sede da UEFA, em Nyon, oeste da Suíça:

swissinfo: Depois da eleição em Dusseldorf, o sr. começa agora um novo madato. Já deu para se aclimatar na Suíça?

Michel Platini: Está começando bem. Eu me instalo e começo a conhecer as pessoas da casa. Estou preparando as primeiras bases de trabalho e, acreditem, tem muito. Desde que entrou muito dinheiro no futebol por causa dos direitos de transmissão há cerca de quinze anos, esse esporte começou a perder o rumo.

swissinfo: Quais serão então as principais batalhas?

M.P.: Os jovens empresários ocuparam o lugar dos notáveis à frente do esporte. Como ex-atleta e apaixonado por futebol, eu não quero que esse esporte se torne refém dessas pessoas que o "vendem" como se fosse um iogurte. Não quero que os negócios corrompam o futebol e que este se autodestrua.

Tenho a ambição de reencontrar os valores do futebol e os meios de regulação. Talvez seja um romântico mas quero crer que ainda é possível garantir e organizar o futebol para nossos filhos e netos.

swissinfo: Uma outra idéia sua é reunir?

M.P.: É necessário reunir novamente as famílias do futebol para encontrar soluções para os problemas que temos. Não adianta nada as lutas internas que acabam nos tribunais.

Com essa idéia, vou trabalhar especialmente na aproximação de todas as federações nacionais mas também com a FIFA e seu presidene Sepp Blatter. Fui seu conselheiro pessoal e temos muitos pontos de vista comuns.

Mas isso não significa que não precisamos da ajuda da justiça, das polícias e dos políticos para nos ajudar a erradicar as chagas que gangrenam o futebol: violência, racismo, doping e negócios duvidosos ligados às apostas e à venda de jogadores.

É só ver os dramas que ocorreram em vários estádios - como o que vivi pessoalmente no Heysel, na Bélgica, em 1985 - mais difíceis de ocorrer agora porque os estádios foram modernizados. Mas hoje, os problemas são diferentes.

swissinfo: O próximo grande evento da UEFA é o 'Euro 2008 na Suíça e na Áustria. Por enquanto, não há grande entusiasmo, isso o preocupa?

M.P.: De jeito nenhum! Em 1998, na França, a euforia pela Copa do Mundo começou dez dias antes do jogo de abertura e sei do que falo. Então, um ano antes ...

Atribuimos o EURO à Suíça e à Áustria porque pensávamos que esses países tinham todas as condições de garantir a organização desse evento e de torná-lo uma verdadeira festa popular.

swissinfo: Quando começa uma nova carreira, que recordações o sr. tem como jogador e quais deseja ter como dirigente?

M.P.: Não tenho uma recordação particular porque, a meu ver, não existe grau na felicidade. Não sei porque seria "mais forte" ganhar um campeonato europeu do que a Copa da França ou um campeonato na Itália. São emoções diferentes. Quanto mais a gente envelhece, mais temos emoções.

Hoje, como dirigente, é a mesma coisa. Tive grandes momentos, que não são os mesmos do que um jogador. Estas emoções são mais adaptadas à minha idade, à minha maneira de ver o futebol e de ajudar países a desenvolver esse esporte. São outras felicidades mas também intensas.

Entrevista swissinfo, Mathias Froidevaux, Nyon

O que está em jogo

Antes da eleição, Michel Platini afirmou querer "promover o jogo e os valores do futebol" e disse que defendia uma "regulação mais social do que financeira" do futebol.

Diz que quer lutar contra as numerosas chagas do futebol e controlar melhor o entorno financeiro do futebol.

Ele é favorável a uma Liga dos Campeões mais aberta e uma Eurocopa de Nações com maior número de participantes. Com essas propostas, ele obteve o apoio das "pequenas" federações européias nacionais para se eleger.

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A eleição

Michel Platini (51 anos) foi eleito presidente da União das Associações Européias de Futebol (UEFA) por um mandato de 4 anos, por 27 votos a 23 e duas abstenções. Foi dia 27 de janeiro em Düsseldorf, na Alemanha.

Ex-número 10 da França, triplo ganhador do Balão de Ouro, o francês sucede ao sueco Lennart Johansson, que ocupou o cargo durante 17 anos. O ex-armador e batedor de faltas do Juventus de Turim e da seleção francesa está instalado em Nyon, oeste da Suíça.

Co-presidente do comitê de organização da Copa do Mundo da França, em 1998, Platini já era membro dos comitês executivos da UEFA e da FIFA.

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