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Muro divide árabes e israelenses também na Suíça

Uma parte do muro controvertido entre Israel e a Cisjordânia.

(Keystone)

Movimentos suíços pró-palestinos se manifestam em Genebra contra o muro construido por Israel na Cisjordânia.

Essa construção, cuja legalidade é examinada pela Corte Internacional de Justiça, também é criticada pelo governo suíço, pela Anistia Suíça e pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

A Corte Internacional de Justiça (CIJ) começou suas audiências segunda-feira. O principal tribunal das Nações Unidas deve dar até quarta-feira um parecer sobre a legalidade da "barreira de proteção", como afirma o governo israelense, a pedido da Assembléia Geral da ONU.

Os palestinos afirmam que a barreira é uma ameaça para a paz no conflito israelo-palestino. A delegação palestina espera que a CIJ se pronuncie pela ilegalidade.

"Com o muro do apartheid, Israel anexará a metade da Cisjordânia, afima Anis Al-Qaq, delegado geral da Palestina na Suíça. Mais de 200 mil pessoas vêem, assim, seu país anexado e são excluidos do sistema de saúde e educação".

Israel não quis exprimir-se diretamente diante da CIJ. "Israel não boicota o tribunal, precisou à Rádio Suíça de expressão francesa Daniel Halevy-Goetschel, porta-voz da embaixada de Israel em Berna. Nós enviamos nosso parecer por escrito à CIJ. Mas achamos que esse não é o fórum apropriado para uma discussão a respeito da barreira anti-terrorista".

"Para nós, essa barreira é conforme ao direito fundamental de todo Estado", acrescenta o porta-voz. Trata-se do direito à auto-defesa, inscrito no direito internacional. A questão colocada ao CIJ não é jurídica mas política."

Manifestação em Genebra

Esse debate sobre a legalidade do muro provocou diversas manifestações em vários países. Na Suíça, o Coletivo Urgência Palestina - que reune partidos de esquerda e diversos movimentos de apoio ao povo palestino - convocou manifestações de apoio, em Genebra.

"Pensamos que, segundo as normas internacionais, esse muro é inadmissível, afirma Peter Leuenberger, da Associação Suíça-Palestina. Um Estado não pode defender seu território além de suas fronteiras.".

"Teríamos objeções mesmo que o muro fosse construido dentro de Israel, continua. Um muro não representa uma solução para garantir a paz. O único meio é um acordo de paz que respeite os direitos dos dois povos.".

O movimento Manifesto, que reúne intelectuais árabes e israelenses da Suíça em favor de uma paz justa e durável no Oriente Médio, é solidário dos manifestantes de Genebra.

"Somos a favor de dois Estados independentes e viáveis, declara seu presidente Alain Bittar. Ora, o princípio do muro e sua construção causa muitos problemas, em termos de anexação do território e da coexistência futura dos povos. Além disso, o muro torna caduca a busca de outras soluções pacíficas".

"Você pode construir todos os muros que quiser, a questão da segurança de Israel não será resolvida graças a um muro, continua. A compreensão entre os povos, o reconhecimento da realidade palestina e do direito de existência de Israel são os melhores meios para obter a paz e a segurança."

A segurança antes de tudo

Os israelenses da Suíça não são unânimes. "Nossa comunidade não é homogênea, explica Alfred Donath, presidente da federação suíça das comunidades judaicas. Temos representantes de todas as correntes de opinião. Vai do apoio incondicional a Israel até um visão muito crítica. Essas diferentes correntes também discordam quanto à construção do muro."

A maioria dos isralenses da Suíça parece favorável é barreira de segurança. "A opinião geral é que o muro é legal porque não se trata de uma fronteira. Ele é feito unicamente para proteger a população israelense das infiltrações terroristas."

Alfred Donath estima que o mundo tem visão deturpada. "Mostra-se sempre os mesmos 7 ou 8 km, onde realmente existe um muro. No restante, existe apenas uma cerca elétrica."

Presidente de honra da comunidade israelita de Zurique, Sigi Feigel é mais crítico. "Um muro não resolve problema algum, afirma. Ariel Sharon infelizmente não tem qualquer visão de paz nem vontade de correr o risco por uma solução pacífica.".

Mas Feigel também não reconhece a competência do CIJ. "A construção do muro não é assunto da Corte Internacional de Justiça. Haia nunca interveio para garantir os direitos de Israel."

Firmeza do governo suíço

Vários países da União Européia reafirmaram segunda-feira sua oposição à barreira de segurança mas também ao recurso junto ao CIJ.

O governo suíço não mudou sua posição anunciada dia 28 de janeiro. "Com a construção desse muro, e sua continuação, o governo israelense modificou o contorno da Cisjordânia infringindo, assim, o direito humanitário". O governo suíço espera que a CIJ confirme essa posição.

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), com sede em Genebra, também criticou a política israelense. "A barreira priva milhares de palestinos de um acesso adequado aos serviços essenciais como o abastecimento de água, atendimento médico e educação, além de fontes de recursos como a agricultura e outros tipos de emprego", afirmou a organização através de um comunicado.

O tom é similar na secção suíça da Anistia Internacional. "Esse muro através dos territórios ocupados contraria o direito internacional e os direitos humanos, afirma seu porta-voz Jürg Keller. Como o governo suíço, Anistia espera um parecer favorável da Corte de Haia.

swissinfo com agências

Breves

- Em 28 de maio de 2002, o ministro isralense da Defesa submete ao primeiro ministro Ariel Sharon um plano de "saparação" através de uma barreira de 350 kms entre Israel e a Cisjordânia.

- A duração dos trabalhos é prevista para 6 meses e custaria 200 milhões de dólares.

- No traçado atual, a barreira terá mais de 700 km e custará 3,4 bilhões de dólares.

- A construção começou em 16 de junho de 2002.

- Em 22 de outubro de 2003, a Assembléia Geral da ONU adotou uma resolução exigindo que Israel interrompa a construção e desmantele a parte já construida.

- Dia 23 de fevereiro de 2004, a Corte Internacional de Justiça começou a examinar a legalidade da barreira.

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