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Não falamos inglês

Inglês é obrigatório nas escolas suíças, porém muitos ainda não entendem palavras como "E-Government".

(Keystone)

Governo suíço institui comissão para combater a utilização de palavras estrangeiras, sobretudo anglicismos.

Grupo faz parte de repartição pública, única na Europa, que luta pela compreensão mútua entre os suíços através do bom uso do idioma.

E-Government, E-Procurement, New Public Management, Customer Relationship Management ou E-Voting. Quem entende essas palavras? Apesar de estarem em inglês, os termos já são empregados em muitas repartições públicas na Suíça.

Para evitar a confusão babilônica de estrangeirismos, o governo na Suíça resolveu iniciar uma batalha pelo bom emprego da língua, criando em maio de 2001 uma comissão para procurar sinônimos em francês, alemão e italiano para novas palavras que surgem e são escritas, em grande parte, em inglês. Na última sexta-feira (22.11) seu trabalho foi publicado na Internet.

Dicionário inglês-línguas nacionais

A comissão é composta por seis especialistas que atuam em diferentes órgãos do governo federal suíço como o Serviço de Idiomas, Departamento Federal de Informática e Departamento Federal de Comunicação.

“Nosso objetivo não é combater as novas palavras que vão surgindo, mas sim sugerir às repartições públicas - municipais, estaduais e federais - que tenham mais cuidado com o idioma, evitando incluir nos seus textos estrangeirismos que muitos cidadãos ainda não compreendem”, afirma Margret Schiedt, tradutora da seção em alemão do Serviço Central de Idiomas do governo suíço.

O pequeno dicionário de traduções tem sinônimos para várias palavras modernas como “E-Government” (administração governamental eletrônica), um termo muito em voga entre governantes que querem trazer sua burocracia para a era da Internet. Em francês, a melhor forma seria “Cyberadministration” ou “Administration en ligne”. Em alemão poderia ser escrito “elektronischer Verkehr mit den Behörden".

“Depois de publicarmos nosso trabalho, colocamos um formulário à disposição da população para eles darem suas próprias sugestões”, completa Margret Schiedt.

País de quatro idiomas

A Suíça é um país de quatro línguas e quatro culturas, por vezes conflitantes entre si. Para que elas se entendam é necessário não só uma grande dose de tolerância, mas também de comunicação.

O último protesto oficial contra a invasão de estrangeirismos ocorreu em 17 de abril de 2002, quando Jean Jacques Schwaab, um deputado suíço de língua francesa, publicou no Parlamento Federal uma proposição pedindo que o governo suíço tomasse medidas para combater os abusos na utilização de anglicismos e americanismos nos textos oficiais.

A resposta veio através do trabalho publicado pela comissão do anglicismo. O político de Lausanne porém não quer ser confundido com um purista do idioma mas ressalta que não tolera abusos.

“Eu amo a língua francesa assim como o alemão e não gosto que elas sejam massacradas. Eu aceito o uso de palavras estrangeiras na Suíça mas só quando é indispensável do ponto de vista técnico”, conta Schwaab, que dá um exemplo: -“Veja o termo inglês CEO, ou Chief Executive Officer, que lemos constantemente para designar algo que todo mundo entende no seu próprio idioma: CEO é o presidente da direção geral.”

60 pessoas para traduzir

O Departamento de Terminologia do governo suíço ocupa mais de 60 funcionários, divididos entres as redações francesa, alemã, italiana e inglesa. Os funcionários dessa seção têm a incumbência de traduzir e tornar compreensível todas as leis e documentos oficiais, produzidos no governo e no parlamento.

Num país de democracia direta, como a Suíça, esse trabalho é importante já que os cidadãos votam freqüentemente projetos de leis municipais, estaduais e federais. Apesar de terem diferentes níveis educacionais, cada suíço precisa entendê-las antes de votar.

Um trabalho único na Europa

Trata-se de um órgão público suíço único no mundo. “Devido ao sistema político da Suíça, é muito importante que as diferentes culturas se compreendam, sobretudo quando elas estão discutindo leis. Por isso investimos muito nesses serviços multilinguísticos”, afirma Margret Schiedt.

“Nenhum país europeu tem um órgão parecido. A Alemanha, com 82 milhões de habitantes, tem apenas um funcionário que trabalha meio período e é encarregado de corrigir os textos das novas leis. Por isso muitas pessoas reclamam que têm problemas para entender as leis. Elas afina são escritas só por juristas”.

swissinfo/Alexander Thoele


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