Navegação

Menu Skip link

Funcionalidade principal

Na Suíça a festa nacional é diferente

A bandeira suíça (cruz branca - fundo vermelho) é hasteada em todas as partes

(Keystone Archive)

Sem desfile militar, mas com muitas fogueiras, foguetes, petardos e fogos de artifício precedidos dos inevitáveis discursos políticos, os suíços comemoram o primeiro de agosto, uma festa nacional com características muito próprias. Uma já tradicional festa alternativa - e crítica - capotou no sul do país.

Viajar pelo platô suíço numa noite de primeiro de agosto, e como este ano, em condições de tempo excelentes (coisa um tanto rara no país) permite admirar um espetáculo imperdível : o de fogueiras nos Alpes, pipocar de foguetes e fogos de artifício que criam uma atmosfera quase irreal, de excepcional beleza.

Uma atmosfera de festa junina

Para quem se aproxima dos locais de comemoração, o ambiente é mais de festa de São João : muita algazarra, atropelos de crianças, churrascos à suíça (nada de picanha que é muito cara e muita lingüiça, aliás saborosas) e bate-papos entre amigos.

Se a música, « caipira » , é diferente, os discursos patrióticos também o são: sem grandiloqüência porque o suíço é discreto por natureza, mesmo estimando "não haver ninguém como eles".

Festa nacional com demonstração de força militar, nem pensar. Isso não passa pela cabeça dos suíços.

A festa comemora pacto de há mais de 7 séculs

A data nacional destina-se a comemorar a fundação da Confederação Helvética (nome oficial do país), em 1291. Foi quando regiões centrais do que se tornaria a Suíça de hoje firmaram um pacto para defender uma precária independência contra austríacos Habsburgos.

No pacto, as populações de Uri, Schwyz e Unterwald comprometeram-se a não admitir magistrados estrangeiros em seus vales, a socorrer-se mutuamente em caso de agressão e a entregar a solução de conflitos aos cidadãos mais sensatos.

Curiosamente a discrição suíça (ou à suíça) manifestou-se até na maneira de "comemorar" a festa de primeiro de agosto. Até 1994, a festa não era feriado nacional.

Cancelado o "outro 1° de agosto

Enquanto isso, no estado de Ticino, (sul, fronteira com a Itália), foi cancelada uma já tradicional festa intitulada "o outro primeiro de agosto", liderada por um padre - Kornelius Koch.

Todos os anos o padre se reunia na ocasião com os refugiados rejeitados na zona Como-Ponte Chiasso (fronteira suíço-italiana), "esperando que o governo adotasse uma política mais humana", segundo comunicado divulgado na segunda-feira, 30 de julho.

A festa foi cancelada porque os organizadores se declaram "desgostosos diante da brutalidade das autoridades suíças em relação aos refugiados e imigrantes".

J.Gabriel Barbosa

×