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O canal suíço para libertar os reféns na Colômbia

As informações encontradas no computador do vice-líder da guerrilha, Paul Reys, morto em março, lançaram suspeitas sobre o papel do Equador e da Venezuela.

(AFP)

Com uma experiência de nove anos de mediação na Colômbia, a diplomacia suíça tornou-se um ator-chave para viabilizar um acordo humanitário entre as Farc e o governo colombiano. Explicações exclusivas do diplomata Rémy Friedmann.

Depois da última missão humanitária conduzida pela França no início de abril, a questão dos reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), parece bloqueada.

O impasse em que se encontram as negociações foi reforçado pelas informações explosivas encontradas no computador de Raul Reys, número 2 do movimento guerrilheiro marxista, morto em 1° de março num ataque do exército colombiano em território equatoriano.

Segundo esses documentos autenticados pela polícia internacional Interpol, Caracas e Quito dão uma ajuda substancial às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

Essa acusação foi feita pelo presidente colombiano Alvaro Uribe e rejeitada com veemência pelos presidentes Hugo Chávez e Rafael Correa, dois presidentes implicados – ou que procuram ser – na libertação dos reféns da guerrilha, entre eles a franco-colombiana Ingrid Betancourt.

Paris tem dificuldades

A França - um dos três países junto com a Espanha e a Suíça reconhecidos como mediadores pelo governo colombiano e pelas Farc – continua tentando retomar o contato com o movimento guerrilheiro.

"A França não negligencia qualquer pista para tentar retomar o diálogo com as Farc sobre a questão da libertação de Ingrid Betancourt. Nenhuma pista!", declarou o primeiro-ministro François Fillion à imprensa durante a cúpula EU-América Latina, no último final de semana em Lima.

Uma dessas pistas passa pela Suíça, que sempre manteve contatos com as Farc. "A Suíça, como país facilitador no grupo dos três países, mantém canais de comunicação discretos para encontrar uma solução humanitária na questão dos reféns", confirma, da Colômbia, Rémy Friedmann, diplomata suíço encarregado do caso.

Membro da missão humanitária de abril último, ele acrescenta: "Atualmente, além da Suíça, da Espanha e da França, membros da Igreja e dois cidadãos colombianos foram encarregados pelo governo colombiano para estabelecer contato com as Farc."

Via privilegiada e suíça

Para Juan Gabriel Uribe, a pista suíça é privilegiada. "A Suíça é o único dos mediadores em relação ao qual as Farc nunca mostraram receio", escreve o diretor do diário colombiano El Nuevo Siglo, em editorial publicado dia 2 de maio último intitulado "Acordo humanitário: todos os caminhos conduzem à Suíça".

Este antigo negociador entre as Farc e o governo durante a presidência de Andrés Pastrana acrescenta, no mesmo artigo, que o governo colombiano sabe que a intervenção da Suíça implica que as negociações sejam centralizadas nos reféns.

Ainda segundo Juan Gabriel Uribe, Bogotá sabe também que, com os suíços, um eventual acordo humanitário não implicará retirar as Farc da lista de organizações terroristas da União Européia. Essa opção foi proposta pela França em abril, na perspectiva de sua próxima presidência da UE.

Os mediadores suíços podem também utilizar sua grande experiência na questão colombiana e sua relação de confiança iniciada há nove anos com as Farc e com a presidência colombiana.

"Os suíços respeitam os pontos de vista dos diferentes países envolvidos e agem com transparência informando as Farc e o presidente Uribe das iniciativas que tomam", sublinha o jornalista Juan Gasparini, correspondente em Genebra de vários jornais latino-americanos.

Definir um local para a negociação

Falta ainda o mais difícil: aproximar as posições das duas partes colombianas com vistas a um acordo humanitário. Sublinhando que os seqüestradores têm a obrigação de libertá-los, se quiserem respeitar o direito internacional humanitário, Rémy Friedmann explica o principal obstáculo a superar:

"As Farc exigem a desmilitarização dos territórios de duas municipalidades colombianas [Florida e Pradera] para negociar os termos do acordo. O governo colombiano fez contrapropostas acerca de um lugar de encontro, mas não aceita o princípio da desmilitarização".

Em dezembro de 2005, explica o diplomata suíço, os três países mediadores tinham elaborado uma proposta que previa implantar um sistema de segurança com observadores internacionais. "Esse mecanismo foi aceito pelo governo colombiano, mas não pelas Far."

Rémy Friedmann insiste: "Vamos continuar a trabalhar para encontrar uma solução." Ela permitiria trocar 39 reféns "políticos", inclusive Ingrid Betancourt, por 500 guerrilheiros presos na Colômbia.

swissinfo, Frédéric Burnand, Genebra

Envolvimento da Suíça

A Colômbia é um dos países prioritários da política de paz e dos direitos humanos da Suíça, com um orçamento anual de aproximadamente 2 milhões de francos suíços, além dos quase 4 milhões por ano de ajuda humanitária da DDC (cooperação suíça).

Desde 2002, a Suíça tenta ajudar a criar uma forma de diálogo entre as Farc e o governo colombiano, que permita um acordo humanitário para libertar os reféns.

Desde 2005, a Suíça acompanha, com a Noruega e a Espanha, os diálogos entre o governo colombiano e a segundo movimento guerrilheiro do país, o Exército Nacional de Libertação(ELN).

A Suíça apóia, em parceria com o Centro Internacional de Justiça Transnacional (ICTJ) de Nova York, as iniciativas do Estado colombiano e das organizações de defesa das vítimas, para buscar mecanismos que favoreçam o reconhecimento dos crimes cometidos e a obtenção de justiça para as vítimas.

Em parceria com um grupo de ONGs suíças, Berna apóia desde 2002 um programa chamado Suíça pela Paz na Colômbia (SUIPPCOL), com o objetivo de reforçar as iniciativas da sociedade civil pela paz.

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(swissinfo.ch)


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