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O diretor espanhol Pedro Almodóvar, em Paris, em 3 de maio de 2017

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O Festival de Cannes, meca da sétima arte, em sua 70ª edição pegou o trem da modernidade com a realidade virtual, as séries e o Netflix, em uma edição de aniversário que terá estrelas como Pedro Almodóvar no júri e Monica Bellucci como anfitriã.

Almodóvar, como presidente do júri, é o primeiro espanhol a ter esta honra.

Nenhum filme brasileiro figura entre os escolhidos para disputar a Palma de Ouro, pela qual competem 18 produções, entre as quais destacam-se "The Beguiled" ("O Enganado"), de Sofia Coppola, "Wonderstruck", de Todd Haynes, e "Happy End", de Michael Haneke.

A presença de filmes na seleção oficial da gigante do 'streaming' Netflix, - "The Meyerovitz Stories", de Noah Baumbach, e "Okja", de Bong Joon-Ho -, desatou os protestos das salas de cinema francesas, que não poderá exibi-los por causa da legislação, a não ser que a plataforma aceitasse adiar seu lançamento na internet em 36 meses.

Uma semana antes do início, o Festival lamentou ter solicitado em vão à Netflix - que tem 100 milhões de assinantes no mundo - que cedesse nessa questão e decidiu que, a partir de 2018, todas os filmes em competição deverão "se comprometer previamente a serem distribuídos nas salas francesas".

Os organizadores negaram, por sua vez, os rumores que falavam, inclusive, da retirada dos dois filmes da Netflix.

- Realidade virtual -

O mexicano Alejandro González Iñárritu apresentará um curta-metragem em realidade virtual, "Carne e areia", outra novidade tecnológica para o antigo festival.

Duas séries de TV também fazem parte do programa. Uma delas é a nova temporada de "Twin Peaks", de David Lynch, sucesso dos anos 1990 e que terá dois episódios exibidos em Cannes.

O esperado filme de Sofia Coppola - protagonizado por Colin Farrell, Nicole Kidman, Elle Fanning e Kirsten Dunst - mostra a chegada de um soldado confederado ferido que altera a vida em uma escola feminina nos Estados Unidos no século XIX.

Trata-se de um adaptação do romance de Thomas Cullinan, que já foi retratado nas telonas em uma adaptação de Don Siegel em 1971, que contava com a participação de Clint Eastwood.

Já Michael Haneke explora a vida de uma família burguesa do norte da França durante a crise dos refugiados, em um filme com Isabelle Huppert como protagonista.

"A questão dos refugiados é fundamental e está presente na escolha", disse o delegado-geral do festival, Thierry Frémaux.

Este ano a premiação contará com a presença no tapete vermelho de atores como Joaquin Phoenix ("You were never really here"), Dustin Hoffman ("The Meyerowitz Stories") e o francês Vincent Lindon, que apresentará um filme sobre o escultor Rodin.

Entre os títulos da seleção oficial também se destacam "Le Redoutable", de Michel Hazanavicius (diretor de "O Artista", também vencedor de vários prêmios Oscar), sobre a produção de um filme de Jean-Luc Godard nos anos 1960, e "Nelyubov", do russo Andrei Zvyagintsev, conhecido por "Leviatã", indicado ao Oscar.

A seleção oficial também terá a presença do cinema asiático com "Okja", do sul-coreano Bong Joon-Ho, com os atores Tilda Swinton e Jake Gyllenhaal, um filme produzido pela Netflix.

Seu compatriota Hong Sangsoo lutará pelo principal prêmio do festival com "Geu-Hu", enquanto a japonesa Naomi Kawase, uma das três mulheres da competição, apresenta "Hikari".

O presidente do festival, Pierre Lescure, destacou que o evento será "um respiro para falar somente sobre cinema", em um período marcado na França pelas eleições presidenciais, e assegurou que as medidas de segurança continuarão sendo importantes em um país que ainda aplica o estado de emergência pelos recentes atentados.

AFP